A demanda da indústria de alimentos por embalagens mais sustentáveis está abrindo espaço para o desenvolvimento de novas tecnologias. A Melhoramentos aposta nessa tendência com a Biona, uma embalagem produzida com fibra de eucalipto que promete substituir plásticos rígidos e bandejas de isopor em diferentes aplicações.Desenvolvida ao longo de três anos, a tecnologia utiliza celulose de alto rendimento combinada com um sistema de barreiras. O resultado é uma embalagem de polpa moldada capaz de suportar temperaturas entre -40°C e 220°C, permitindo que alimentos sejam levados diretamente do freezer ao forno convencional, micro-ondas ou air fryer.Segundo a empresa, o diferencial está justamente na combinação de resistência térmica e ausência de plástico na composição. Leia Mais Startup transforma farinha de babaçu em proteína vegetal Embrapa lança cultivares de hortaliças resistentes ao calor após 20 anos Expedição na Caatinga busca por microrganismos únicos no mundo “Existem outras embalagens de polpa moldada no mercado, mas não com essa performance e sem plástico”, afirma Carolina Alcoforado, diretora de Inovação e Novos Negócios da Melhoramentos.A tecnologia já está sendo utilizada por algumas empresas do setor alimentício. Entre os primeiros clientes estão a SuperFrango e a Copacol, que lançaram linhas de frangos temperados destinados ao preparo em air fryer. A BRF também iniciou a substituição das embalagens de pequenas lasanhas pela nova solução.Capacidade produtivaDe acordo com Carolina, a capacidade instalada atualmente varia entre 80 milhões e 100 milhões de embalagens por ano, com possibilidade de expansão.“O planejamento sempre considerou, além do desenvolvimento de uma nova tecnologia, a garantia de escala suficiente para acompanhar o crescimento dos clientes”, explica.O projeto faz parte da estratégia de verticalização da Melhoramentos. Proprietária de florestas de eucalipto certificadas e produtora da própria fibra, a empresa buscou agregar valor à matéria-prima utilizada tradicionalmente na fabricação de papel.Além da sustentabilidade, o objetivo foi desenvolver uma solução competitiva em custo para a indústria de alimentos.Carolina explica que a fibra utilizada apresenta menor consumo de água e energia durante a produção e menor pegada de carbono em comparação a materiais convencionais.Mercado vai além das proteínasEmbora o lançamento tenha ocorrido inicialmente no segmento de carnes e pratos congelados, a empresa já trabalha em novas aplicações.Entre elas estão embalagens para frutas, legumes e verduras (FLV); chocolates; biscoitos; sorvetes e pratos prontos.No médio prazo, a estratégia também prevê a entrada em mercados como lácteos e cosméticos, que exigem níveis ainda maiores de barreira para conservação dos produtos.A primeira fábrica da Biona recebeu investimento de aproximadamente R$ 40 milhões, com apoio da Finep.A unidade entrou em operação em 2024 e está localizada próxima à fábrica de fibras da empresa, no interior de Minas Gerais, aproveitando a integração entre as operações florestais e industriais.Preços estão mudando a cada semana no setor de plástico, diz executivo | MONEY NEWSSustentabilidade como vantagem competitivaAlém da possibilidade de substituir embalagens plásticas rígidas e bandejas de isopor, a empresa destaca a decomposição acelerada do material. Segundo a Melhoramentos, quando descartada em condições adequadas de compostagem doméstica, a embalagem pode se decompor em cerca de 75 dias.Para a companhia, entretanto, a sustentabilidade não é o único fator de decisão da indústria.“A inovação precisa combinar desempenho técnico, escala de produção, custo competitivo e praticidade para o consumidor. É isso que viabiliza a substituição das embalagens tradicionais”, afirma a executiva.