Altos funcionários de Israel e Líbano negaram nesta quinta-feira (25) que houve qualquer retirada israelense do sul do Líbano ocupado, depois que um funcionário dos Estados Unidos disse que Israel havia retirado algumas tropas em um gesto de boa fé para com o governo libanês.Israel e Líbano têm discutido uma proposta apoiada pelos EUA para que as forças israelenses entreguem parte do território ocupado durante a guerra contra o Hezbollah ao exército libanês, em um possível passo para restaurar o controle libanês no sul do país.A proposta da “zona piloto” fez parte da última rodada de negociações entre os dois países em Washington, mediadas pelos Estados Unidos, que foram retomadas mesmo quando pareciam estar sendo ofuscadas pela iniciativa do Irã de tornar o Líbano central em suas próprias negociações com Washington.Um funcionário do Departamento de Estado dos EUA afirmou que “Israel já deu um passo concreto ao se retirar de parte de sua zona tampão”. A chamada zona tampão é uma vasta área do sul do Líbano que as forças israelenses ocupam ao norte da fronteira com Israel.O funcionário descreveu a medida como “uma demonstração significativa de boa fé para com o governo legítimo do Líbano”.“As Forças Armadas Libanesas devem agora entrar em ação e remover de forma comprovada as armas e a infraestrutura terroristas. Este modelo será replicado em todo o sul do Líbano, permitindo o retorno seguro das famílias deslocadas, a reconstrução do sul e a restauração da plena soberania libanesa”, acrescentou o oficial. Análise: Trégua entre EUA e Irã não resolve crise no Oriente Médio Governo Trump pede US$ 87,6 bilhões ao Congresso para guerra no Irã Israel diz que manterá tropas no sul do Líbano, apesar de acordo Disputas sobre mecanismo de saque, diz autoridade Um alto funcionário da defesa israelense negou que tenha havido qualquer tipo de recuo ou retirada das forças israelenses e afirmou que Israel não se retiraria de sua zona de segurança.O porta-voz do governo israelense, David Mencer, disse a repórteres que qualquer “redistribuição” das forças armadas só ocorreria após a desmilitarização do sul do Líbano e o desarmamento do Hezbollah.Um alto funcionário militar libanês afirmou que os acontecimentos no terreno nos últimos dias “mostram o oposto de uma retirada”.Israel tem reforçado sua zona de segurança contra qualquer pessoa que se aproxime, incluindo o exército libanês, disse o oficial. O exército israelense afirmou em um comunicado que não houve nenhuma mudança na localização de seus soldados na zona.Israel estabeleceu o que descreve como uma zona tampão de cerca de 10 km dentro do Líbano a partir da fronteira israelense. Suas forças armadas forçaram a população libanesa local a deixar suas casas e realizaram ataques a aldeias, destruindo edifícios.Autoridades israelenses afirmam que a área tem como objetivo proteger comunidades no norte de Israel de ataques do Hezbollah. Elas alegam ter encontrado armas do Hezbollah na região. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reiterou diversas vezes que as forças armadas não se retirarão da área.Na quinta-feira, três pessoas morreram no sul do Líbano em um ataque aéreo israelense contra um carro, disseram à Reuters fontes de segurança e médicas libanesas.Um oficial militar israelense confirmou que um ataque foi realizado e disse que mais detalhes seriam divulgados posteriormente.Este é o segundo dia consecutivo em que um evento desse tipo ocorre, após um ataque mortal semelhante na quarta-feira (24), apesar do cessar-fogo.As negociações sobre a transferência de território libanês para o exército libanês diziam respeito a algumas áreas fora da zona tampão, e não dentro dela, afirmou o alto funcionário israelense.O funcionário do Departamento de Estado afirmou que o processo da zona piloto tinha como objetivo garantir a destruição completa e verificável das armas e infraestrutura do Hezbollah, bem como o desmantelamento de grupos armados não estatais.Um segundo oficial militar libanês afirmou que as negociações em Washington se concentraram em um mecanismo para a implementação do plano da zona piloto, mas que surgiram divergências.O governo do Líbano quer que o projeto-piloto seja implementado dentro da zona tampão de Israel, enquanto Israel quer começar por se retirar das áreas ao norte dessa zona, disse o funcionário.Israel insiste em negociar separadamente cada área que poderia ceder, sem estabelecer um cronograma, enquanto o Líbano quer ver um roteiro para a retirada completa de Israel, acrescentou o funcionário.Outro oficial militar israelense disse à agência de notícias Reuters na quarta-feira (24) que as forças armadas não receberam ordens para entregar qualquer posição ao exército libanês e que, por enquanto, não permitiriam que o exército libanês ou civis cruzassem para a zona tampão.“Não permitiremos que o exército libanês avance para o sul a partir da linha de segurança”, disse o oficial.Israel e Líbano seguem “rumo ao desastre”, afirma embaixador israelense nos EUA | CNN 360º