Terror na Venezuela: terremotos simultâneos são coincidências estatísticas

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A ocorrência de terremotos quase simultâneos em diferentes partes do mundo é apontada por geocientistas como uma coincidência estatística, sem causalidades científicas.O fenômeno que gerou questionamentos sobre estarem conectados ou não e chamou atenção da população global foi gerado por abalos sísmicos, considerados fortes e que ocorreram ao mesmo tempo e em regiões distantes, como Venezuela, Japão e Califórnia.Segundo especialistas, na Venezuela ocorreram dois terremotos em sequência e de grande impacto, que tinham cerca de 10 a 13 quilômetros de profundidade. Já no Japão, o terremoto estava relacionado às zonas de subducção das placas tectônicas, com uma placa remontando sobre outra. Leia Mais Pelo menos quatro capitais brasileiras registram tremores Moradores relatam tremor em Manaus e Belém; terremoto atingiu a Venezuela Por que SP e RJ registraram tremores de terra no últimos dias? Entenda Duplo terremoto na Venezuela deixa 32 mortos e 700 feridos, diz governo | CNN NOVO DIA“Os três terremotos que aconteceram ontem, foram uma coincidência. Cerca de 50 terremotos ocorrem todos os dias no mundo, com uma magnitude superior a 4.0 na escala Richter. Então, a ocorrência de terremotos ao mesmo tempo é muito grande. Não existe evidência científica de que um terremoto tenha ligação com o outro, porque eles estão em placas tectônicas absolutamente diferentes”, afirma o Fernando Augusto Saraiva, pesquisador do Instituto de Geociências da USP. Apesar de distantes, o tremor que ocorreu na Venezuela também pôde ser sentido em Manaus, na região norte do Brasil.O diretor adjunto de Valorização Profissional do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Estado de São Paulo), Lucas Furlan explica que é difícil “O que acontece é que, houve uma coincidência do dia, e dificilmente um abalo sísmico que aconteceu na Venezuela possa desencadear, por exemplo, um tremor no Japão, como foi o caso. São locais que estão a muitos milhares de quilômetros de distância, em sistemas tectônicos, ou seja, encontros de placas tectônicas bastante distintos e distantes.”Pessoas próximas de prédios destruídos após um terremoto, em La Guaira, na Venezuela, em 25 de junho de 2026 REUTERS/Maxwell Briceno • REUTERSDificuldades nas previsõesAtualmente, não existem tecnologias capazes de prever precisamente e de maneira científica o dia, hora, local exato e magnitude de um terremoto com dias ou semanas de antecedência.Isso porque os abalos acontecem quando tensões acumuladas em falhas geológicas são liberadas de forma súbita na crosta terrestre, que é uma estrutura altamente complexa e que não emite sinais precursores confiáveis.Tremores pequenos e prévios, como alterações no nível das águas subterrâneas, deformações milimétricas em terrenos ou emissões de gás radônio são estudados, mas ocorrem sem que um grande sismo aconteça.Engenheiros e geocientistas focam no mapeamento de áreas de risco, no monitoramento em tempo real e na mitigação de danos. Inteligências artificiais também estão sendo utilizadas para detectar microtremores imperceptíveis e para o reconhecimento de padrões em grandes volumes de dados sísmicos, com intuito de aprimorar os sistemas de alertas precoce. *Sob supervisão de Thiago FélixEntenda como é medida a força dos terremotos