A Azzas 2154 (AZZA3) surgiu a partir da fusão das gigantes Arezzo&Co e Grupo Soma para formar o maior grupo de moda da América Latina, ou ao menos era o que se esperava, antes de conflitos entre executivos levantarem a possibilidade de uma cisão. Neste cenário, a família Hering já se movimenta para retirar a marca do portfólio do grupo. Segundo informações do Pipeline, do Valor Econômico, um grupo de acionistas que representa cerca de 11% do capital da Azzas, liderado pela família Hering, contratou a BR Partners para negociar uma emancipação da marca. De acordo com fontes ouvidas pelo jornal, a BR Partners inclusive já realizou uma primeira abordagem ao conselho e assessores financeiros da companhia. A ideia seria uma negociação para compra da marca ou permanecer com maior posição na Hering no caso de uma cisão da Azzas.Procurada pelo Money Times, a Azzas 2154 disse que não comenta especulações do mercado e afirmou que a Hering não está à venda.A Hering foi vendida para o Grupo Soma, de Roberto Jatahy, em 2021, após ter sido também sondada pela Arezzo&Co, liderada por Alexandre Birman. No entanto, foi parar no conglomerado com a fusão das empresas em meados de 2024.A Hering na Azzas 2154 A Hering vem sendo uma questão para a Azzas 2154, uma vez que o grupo tem enfrentado dificuldades para capturar as sinergias e expandí-la. A Hering foi avaliada pelo Grupo Soma em R$ 5,1 bilhões em 2021, em contrapartida, hoje, todo o grupo Azzas vale R$ 4 bilhões em bolsa.No primeiro trimestre deste ano, a Azzas 2154 registrou lucro líquido recorrente de R$ 63,9 milhões, queda de 45,7% em relação ao mesmo período do ano passado.A receita líquida somou R$ 2,48 bilhões, recuo de 8%, enquanto o Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização, na sigla em inglês) recorrente caiu 23,2%, para R$ 328,5 milhões. A margem Ebitda recuou 2,7 pontos percentuais, para 13,2%.A unidade Basic, da Hering, viu a receita cair 18,5%, para R$ 502,3 milhões, ainda refletindo o processo de turnaround da operação. A companhia afirmou no balanço que segue “priorizando a normalização dos níveis de estoque da rede” e reduzindo vendas de menor rentabilidade.A briga na Azzas 2154Em meados de março de 2025, um possível “divórcio” entre os empresários à frente da Azzas começou a ganhar força no mercado.Questões relacionadas à forma de gestão e autonomia que detinham à frente de seus respectivos negócios foram entraves para os empresários — o que vinha travando também a integração entre Arezzo e Grupo Soma, combinadas em agosto de 2024.Em maio, a varejista tornou pública uma série de demandas societárias envolvendo os empresários Roberto Luiz Jatahy Gonçalves (Grupo Soma) e Alexandre Café Birman (Arezzo), relacionadas à estrutura organizacional das unidades de vestuário feminino e masculino da companhia.Entre as ações divulgadas, Roberto Jatahy ajuizou, em 8 de maio, uma medida cautelar na 7ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).O executivo pediu a manutenção da estrutura organizacional vigente antes de 22 de abril, além da preservação de seu cargo como Chief Brand Officer e da responsabilidade pela gestão das unidades de vestuário feminino e masculino.A liminar foi concedida em primeira instância, determinando a manutenção da estrutura organizacional anterior e a permanência de Jatahy na função. Posteriormente, a 16ª Câmara do TJRJ negou o pedido de efeito suspensivo apresentado em agravo de instrumento, mantendo a decisão liminar.Além da ação judicial, Roberto Jatahy protocolou, em 15 de maio, um requerimento de arbitragem na Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM).