Mais de 3.300 processos sobre o impacto das redes sociais na saúde mental de jovens já tramitam na Justiça da Califórnia — e um deles terminou em acordo com o YouTube. O caso envolve acusações de que plataformas digitais poderiam estar ligadas a efeitos psicológicos em usuários mais jovens.O acordo acontece às vésperas de um novo julgamento nos Estados Unidos que vai analisar acusações semelhantes contra grandes empresas de tecnologia. O caso integra uma onda de processos que colocam o comportamento das redes sociais sob forte questionamento, explica a Reuters.Justiça dos EUA analisa se redes sociais foram projetadas para estimular uso contínuo entre jovens. – Imagem: Melinda Nagy/ShutterstockAcordo do YouTube encerra ação individualO YouTube chegou a um acordo em uma ação judicial movida por um menor que alegava que a plataforma teria prejudicado sua saúde mental. Os termos não foram divulgados. A ação também citava outras empresas de tecnologia, como Instagram (Meta), Snapchat e TikTok.O processo foi aberto por um adolescente da Flórida, identificado como R.K.C., que afirma ter começado a usar redes sociais por volta dos oito anos e desenvolvido dependência ao longo do tempo. O caso fazia parte de um grupo de ações na Califórnia que questionam se as plataformas foram projetadas para estimular o uso contínuo e compulsivo.Nosso foco permanece na construção de produtos adequados para cada idade e em controles parentais que cumpram essa promessa.Jose Castaneda, porta-voz do Google, em nota.Os advogados John Morgan e Emily Jeffcott reagiram ao desfecho com uma declaração direta: “A decisão do YouTube de encerrar este caso antes de enfrentar um júri fala por si só”.Ação cita plataformas como YouTube, Instagram, Snapchat e TikTok em disputa sobre uso compulsivo. – Imagem: Tada Images / ShutterstockCaso envolve acusações de vício e efeitos psicológicosAs ações judiciais alegam que as plataformas digitais teriam sido projetadas com mecanismos capazes de manter usuários conectados por mais tempo, o que, em alguns casos, estaria ligado a problemas de saúde mental.Casos citam:início do uso de redes sociais aos 8 anosrelatos de dependência ao longo do usoperda de sono associada ao uso contínuoepisódios de ansiedade e depressãoacusações de design voltado à retenção de atençãoNo processo específico, o adolescente relata ter enfrentado dificuldades como insônia, ansiedade e queda no bem-estar emocional ao longo dos anos de uso das redes.Casos sobre redes sociais e saúde mental continuam se acumulando na Justiça federal e estadual dos EUA. – Imagem: Koshiro K/ShutterstockBig techs enfrentam onda de processos nos EUAO caso do YouTube é apenas um entre milhares de ações que tramitam na Justiça norte-americana. Somente na Califórnia, mais de 3.300 processos estaduais tratam de alegações semelhantes, enquanto outros 2.600 seguem em cortes federais, movidos por indivíduos, escolas e autoridades locais.Leia mais:Advogada de IA vence caso inédito em tribunal inglêsAlibaba processa os EUA após acusação de vínculo militar com a ChinaApple enfrenta processo gigante por suposto abuso no iCloudAlgumas decisões anteriores já resultaram em condenações e acordos envolvendo grandes empresas do setor. Em determinados julgamentos, júris entenderam que plataformas foram negligentes e determinaram indenizações milionárias. Em outros casos, houve acordos com distritos escolares antes mesmo de ir a julgamento.Além disso, diferentes estados dos Estados Unidos também abriram processos próprios, alegando que as empresas omitiram riscos e desenvolveram sistemas capazes de estimular o uso compulsivo. As ações seguem em andamento e ainda devem manter as big techs sob forte pressão nos próximos meses.O post Caso contra YouTube expõe nova crise sobre saúde mental e redes sociais apareceu primeiro em Olhar Digital.