IA pode reduzir em 30% o tempo necessário para construir habitação

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A inteligência artificial (IA) poderá transformar profundamente o setor imobiliário nos próximos anos, permitindo ganhos expressivos de produtividade, redução de custos e aumento da rentabilidade. A conclusão é de um novo estudo da Boston Consulting Group (BCG), que defende que as empresas que adotarem uma estratégia AI-first terão uma vantagem competitiva crescente num mercado marcado pela pressão sobre as margens, escassez de mão de obra e exigências cada vez maiores dos clientes.Segundo a consultora, o setor imobiliário continua a enfrentar desafios estruturais relevantes. Atualmente, 66% dos projetos registam atrasos nos prazos e 39% apresentam derrapagens orçamentais, reflexo da fragmentação dos processos e dos elevados custos de trabalho. Apesar deste cenário, a indústria continua atrasada na adoção de inteligência artificial, apresentando um nível de maturidade cerca de 15% inferior à média global. Margens mais elevadas e projetos mais rápidosO relatório identifica oportunidades de criação de valor em três grandes segmentos do mercado: promoção imobiliária, gestão de investimento imobiliário e gestão de ativos e propriedades.No caso das promotoras imobiliárias, a BCG estima que a implementação de soluções de IA possa traduzir-se num aumento das margens operacionais entre quatro e sete pontos percentuais. Entre os fatores que contribuem para este desempenho estão a otimização da aquisição de terrenos, a automatização de processos de licenciamento, a previsão de atrasos em obra, a deteção de desvios orçamentais e a utilização de assistentes inteligentes para equipas de construção e vendas.Além do impacto financeiro, as empresas que adotam uma abordagem centrada na IA conseguem também reduzir os prazos dos projetos em cerca de 30%, acelerando os ciclos de investimento e a colocação de ativos no mercado. Pressão crescente acelera necessidade de transformaçãoPara a BCG, a adoção de inteligência artificial deixou de ser apenas uma oportunidade de inovação para se tornar uma necessidade estratégica.A consultora destaca três tendências que estão a acelerar esta transformação: a pressão sobre as margens provocada pelo aumento dos custos e do financiamento, a escassez estrutural de trabalhadores qualificados e as expectativas crescentes dos clientes em matéria de rapidez, transparência, digitalização e sustentabilidade.Neste contexto, os modelos de operação mais tradicionais correm o risco de perder competitividade face a organizações capazes de integrar dados, automatizar decisões e aumentar a velocidade de execução através de ferramentas de IA. Da gestão de edifícios ao investimento imobiliárioNa área da gestão de propriedades e facilities, a inteligência artificial poderá aumentar o EBIT entre dois e três pontos percentuais. Entre as aplicações identificadas estão a manutenção preditiva, a automatização da gestão de pedidos de assistência, o apoio técnico inteligente para equipas no terreno e a otimização da gestão de fornecedores.Já no segmento de investment management, a BCG estima um potencial aumento da taxa interna de rentabilidade (IRR) entre três e quatro pontos percentuais. A utilização de modelos avançados de análise permite melhorar processos de avaliação de ativos, due diligence, previsão da procura, definição de preços e identificação do momento ideal para venda dos ativos. Casos reais já demonstram resultadosO estudo apresenta ainda exemplos concretos de implementação. Um dos casos analisados recorre a visão computacional para monitorizar obras em tempo real, identificar riscos, acompanhar o progresso dos trabalhos e gerar alertas automáticos para gestores de projeto.Os resultados incluem um retorno do investimento de seis vezes o valor aplicado, um aumento de 12% da produtividade nos primeiros seis meses de utilização e uma redução de 48% nos acidentes e incidentes em obra ao longo de um ano. O papel da liderançaPara que a transformação produza resultados, a BCG defende que a adoção de IA deve ser liderada ao mais alto nível das organizações. Entre as recomendações estão a definição de objetivos plurianuais ligados à criação de valor, o investimento em formação e requalificação de equipas, a criação de estruturas de governação dedicadas e a construção de uma base de dados integrada que permita escalar as soluções de inteligência artificial.A mensagem da consultora é clara: à medida que a tecnologia amadurece, o custo de adiar a sua adoção aumenta. Num setor tradicionalmente marcado por ineficiências operacionais, a inteligência artificial no imobiliário poderá tornar-se um dos principais fatores de diferenciação competitiva da próxima década.O conteúdo IA pode reduzir em 30% o tempo necessário para construir habitação aparece primeiro em Revista Líder.