Porque deve pensar como um atleta? Eis as lições de liderança que as empresas não podem ignorar

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Enquanto milhões de adeptos acompanham os jogos do Mundial de Futebol 2026, há lições que ultrapassam linhas do campo. O sucesso das equipas que chegam mais longe não depende apenas do talento individual dos jogadores, mas sim de uma preparação rigorosa, objetivos claros, treino consistente e capacidade de adaptação contínua.Segundo a McKinsey, estas são precisamente as características que distinguem as organizações que conseguem transformar a inteligência artificial (IA) em valor real para o negócio. Empresas de todos os setores aceleram investimentos em IA generativa, agentes autónomos e transformação digital, pelo que a consultora defende que devemos olhar para a mentalidade dos atletas de alta competição para aumentar as probabilidades de sucesso.A recomendação surge numa altura em que a corrida à inteligência artificial está a redefinir estratégias empresariais, modelos operacionais e competências profissionais, mas em que os resultados continuam longe das expectativas de muitas organizações. A maioria das empresas ainda não está a ganhar com a IAApesar da forte adoção da tecnologia, os frutos demoram a materializar-se. De acordo com a McKinsey, cerca de 90% das organizações já utilizam inteligência artificial generativa em pelo menos uma função empresarial, mas apenas 7% conseguiram escalar verdadeiramente a tecnologia a toda a organização. Mais de 60% das empresas afirmam ainda não ter registado qualquer impacto material da IA nos seus resultados financeiros.Os números refletem um problema mais profundo. A consultora recorda que há décadas que apenas 30% das transformações empresariais conseguem atingir os objetivos definidos e manter os ganhos ao longo do tempo. A chegada da IA não eliminou este desafio. Pelo contrário, aumentou a pressão sobre as lideranças para entregar resultados mais rapidamente. O que têm em comum os campeões do Mundial e as empresas mais inovadoras?A analogia pode parecer improvável, mas a consultora acredita que existe uma ligação direta entre o desporto de alta competição e a capacidade de executar transformações complexas. Tal como uma seleção não conquista um Campeonato do Mundo apenas por reunir jogadores talentosos, uma empresa não se transforma por investir em novas ferramentas tecnológicas. A diferença está na execução.Segundo o estudo, as organizações mais bem-sucedidas seguem três princípios fundamentais. 1. Definem objetivos claros e mensuráveisNenhuma equipa entra em campo sem saber qual é o objetivo e nas empresas acontece o mesmo. As transformações digitais mais eficazes começam com uma visão clara e traduzem essa ambição em métricas concretas. Esta abordagem permite alinhar equipas, eliminar prioridades contraditórias e concentrar recursos nas iniciativas com maior impacto.Num contexto de inteligência artificial, esta clareza torna-se ainda mais relevante. Muitas organizações acumulam dezenas de casos de uso de IA sem uma estratégia coerente, dispersando investimento e talento sem gerar retorno significativo. 2. Investem na preparação antes da execuçãoOs atletas passam anos a preparar-se para competir ao mais alto nível e a transformação digital exige a mesma disciplina. Segundo a McKinsey, uma parte substancial da destruição de valor ocorre ainda nas fases de definição de objetivos e planeamento. As empresas que obtêm melhores resultados são aquelas que preparam cuidadosamente as equipas, os processos, os dados e as infraestruturas tecnológicas antes de avançarem para a implementação.Isto inclui também o desenvolvimento de competências. O estudo destaca a importância de criar programas de formação adaptados a diferentes perfis profissionais, desde colaboradores sem experiência em IA até especialistas responsáveis por liderar projetos complexos. 3. Equilibram velocidade e consistênciaNo desporto, os melhores resultados não surgem apenas através de esforço intenso. São fruto de uma combinação entre treino, recuperação e melhoria contínua. Nas empresas, este princípio traduz-se num equilíbrio entre inovação e estabilidade operacional. A McKinsey defende que as organizações devem avançar rapidamente, mas sem comprometer a capacidade de aprendizagem e adaptação.A disciplina na execução continua a ser um dos fatores mais importantes para o sucesso das transformações digitais. O caso que transformou uma organizaçãoO estudo apresenta o exemplo de uma empresa do setor energético que aplicou estes princípios para acelerar a sua transformação tecnológica. A organização conseguiu reorganizar mais de 100 colaboradores, priorizar cerca de 300 iniciativas e aumentar a adoção tecnológica de 20% para 70%. O resultado foi uma redução para metade do tempo necessário para desenvolver novas versões de produtos e serviços.Em paralelo, a empresa investiu na formação em IA, redefiniu a sua estrutura operacional e reduziu ineficiências associadas à dívida tecnológica acumulada ao longo dos anos.O conteúdo Porque deve pensar como um atleta? Eis as lições de liderança que as empresas não podem ignorar aparece primeiro em Revista Líder.