Precisa de ter um objetivo, alguma estrutura e um ambiente que permita que as ideias fluam. Não é um momento solto, é um momento pensado para que algo possa acontecer com aquelas ideias.E depois há algo mesmo importante: a segurança. Se eu estiver num espaço onde me sinto segura, consigo dizer muito mais facilmente o que penso. Se não sentir essa segurança, vou-me inibir. Vou filtrar. E aí já não estamos a fazer brainstorming a sério.Nem sempre é só uma questão de dinâmica de equipa. O próprio espaço influencia. Uma sala muito formal, muito rígida, pode condicionar a forma como pensamos e participamos. Há espaços que quase “toldam” as ideias e outros que, por serem mais abertos e flexíveis, fazem exatamente o contrário: deixam as pessoas mais à vontade. Quando existe conforto, gera-se confiança. E é essa confiança que permite melhores ideias.Isto liga-se muito à dinâmica de comunidade também. Não é só aquele momento da reunião. É tudo o que vem antes e depois. É a forma como as pessoas trabalham juntas no dia a dia. Isso cria proximidade e essa proximidade ajuda muito na qualidade das ideias que surgem.Mas quando juntamos perfis diferentes — alguém mais técnico, mais criativo ou com outra experiência — o resultado muda completamente. Surgem perspetivas que não estavam na mesa e isso acelera a inovação. É evidente que exige algum equilíbrio, pois diversidade sem estrutura pode gerar dispersão. Mas não se trata só de juntar pessoas diferentes e sim de conseguir transformar essas diferenças em algo útil.Depois há erros muito comuns no brainstorming. Um deles é não haver um objetivo claro. As pessoas juntam-se, falam, partilham ideias, mas não se percebe bem para quê. E isso dificulta tudo o resto. Além disso, é necessário haver um equilíbrio entre liberdade e estrutura. Tem de haver liberdade para as ideias surgirem sem julgamento, mas é também preciso existir um momento em que essas ideias são organizadas, filtradas e transformadas em alguma coisa. Senão fica tudo em ideias soltas. E o último erro, que é muito comum, é não fechar o ciclo. Faz-se o brainstorming, há ideias boas, mas depois não acontece nada. E isso é um problema, porque as pessoas deixam de acreditar no processo.Um brainstorming só funciona mesmo bem quando há este equilíbrio: liberdade para pensar, estrutura para orientar e depois execução para concretizar. Caso contrário, fica só numa conversa. E isso não chega. No fundo, o que faz diferença não é o número de ideias; é o que se faz com elas.O conteúdo Onde nascem (mesmo) as boas ideias? aparece primeiro em Revista Líder.