Entre os alvos da segunda fase da Operação Disclosure, que foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (25) e investiga a fraude contábil bilionária na Americanas (AMER3), está Carlos Alberto Sicupira, um dos empresários mais ricos do Brasil.Ao lado de Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles, o bilionário é sócio da AB InBev, a maior cervejaria do mundo e controladora da brasileira Ambev (ABEV3), dona de marcas como Brahma, Skol e Antarctica.Juntos, os três também estiveram à frente da construção da 3G Capital, empresa global de investimentos (fundo de private equity), e tiveram participação relevante na trajetória da varejista Americanas.Com 78 anos, Carlos Alberto Veiga Sicupira possui, em 2026, um patrimônio estimado em US$ 6,9 bilhões (cerca de R$ 36 bilhões), segundo informações divulgadas pela revista Forbes.Embora represente uma retração de quase 8% em relação ao ano anterior, quando sua fortuna era avaliada em R$ 39,1 bilhões, o empresário ainda figura entre os 10 brasileiros mais ricos da lista.Da Marinha aos negóciosA história do hoje bilionário se iniciou na cidade do Rio de Janeiro, ainda em 1º de maio de 1948. Quando criança, o pequeno carioca, conhecido como “Beto”, queria entrar para a Marinha, motivado pela paixão pelo mar.Na adolescência, porém, começou a empreender vendendo carros usados com um colega. Mas, dos automóveis, passou para o comércio de roupas.Um dos primeiros acertos do jovem empresário ocorreu com a importação de calças jeans dos Estados Unidos — produto que, desde os anos 1960, se perpetua de geração em geração.Bastante capitalizado para alguém de 17 anos, Beto até tentou ingressar no mercado financeiro ao comprar uma corretora de valores e chegou a solicitar emancipação para concluir o negócio, mas a operação não avançou.Após cursar administração de empresas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sicupira se dedicou ao serviço público, passando pelo Departamento Nacional de Estradas de Ferro, Porto do Rio de Janeiro e Serviço Federal de Processamento de Dados. Encontro com Lemann e formação do trioO ponto de virada na carreira do empresário ocorreu em 1968, quando Beto voltou ao mercado financeiro e, aos 20 anos, adquiriu outra corretora de valores com um grupo de amigos. Pouco depois, iniciou sua relação com o seu hoje sócio, Jorge Paulo Lemann.O encontro entre os dois não aconteceu em uma mesa de negociação, mas na prática da pesca submarina, uma paixão em comum.Jorge viu em Sicupira um profissional ideal para levar para sua recém-comprada empresa, o Banco Garantia. Em 1973, o convidou para integrar seu time.Ali, no Garantia, teve início a sociedade que, mais tarde, incluiria também Marcel Telles.O início das sociedadesNos anos 1980, o trio passou a investir diretamente em empresas. Após uma experiência pouco bem-sucedida na Alpargatas, Sicupira e seus sócios decidiram partir para a aquisição de papéis da Lojas Americanas — que já estava no radar de Lemann. Em 1981, adquiriram cerca de 70% da varejista por US$ 24 milhões. Em 1999, os empresários, que já comandavam a Brahma, fecharam a compra da principal rival, a Antarctica, num negócio que, anos mais tarde, deu origem ao sonho grande da AB Inbev, hoje a maior cervejaria do mundo.Ao longo da sociedade, Lemann, Telles e Sicupira também focaram em outros negócios. Em 2004, criaram a 3G Capital, uma empresa de investimentos com foco em aquisições globais, especialmente nos Estados Unidos (EUA).*Com informações do Seu Dinheiro