Fundos “menos” imobiliários e mais “financeiros”; efeitos da maior liquidez dos FIIs

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A crescente liquidez (capacidade de negociação) dos fundos imobiliários, frequentemente apontada como um dos principais avanços da indústria nos últimos anos, pode trazer um efeito colateral: tornar os FIIs mais sensíveis aos movimentos do mercado financeiro e menos conectados às oscilações dos ativos reais imobiliários.Na prática, fundos maiores, mais diversificados e com elevado volume de negociação acabam respondendo de forma mais volátil aos movimentos macroeconômicos, especialmente às expectativas para juros e inflação.Ao mesmo tempo, fundos menos líquidos, muitas vezes compostos por ativos específicos ou monoativos, podem apresentar menor volatilidade de curto prazo, embora isso não signifique necessariamente menor risco para o investidor.Para André Bacci, investidor e referência no mercado de FIIs, a liquidez deixa de ser um fator de análise quando atinge determinado patamar. “A liquidez é um problema quando não existe. A partir do momento em que ela está resolvida, você consegue focar em aspectos qualitativos, quantitativos e financeiros”, afirmou Bacci no Liga de FIIs. Ele reconhece, entretanto, que a maior negociação dos fundos acaba aproximando os FIIs dos demais ativos financeiros. “A liquidez desaproxima o fundo imobiliário dos ativos reais. E nisso, lamentavelmente, FII é igual a ação. FII líquido é igual a ação. O preço vai variar, seja por fatores endógenos ou exógenos.”Na avaliação de Bacci, os fundos imobiliários já passaram a reagir de maneira direta aos movimentos de juros. “Fundo imobiliário reage ao CDI, reage à Selic ou, em épocas de juros baixos, reage aos juros futuros. Antes isso gerava estranheza. Hoje a gente já aceita esse cenário”, acrescenta. O episódio integra a série especial do Liga de FIIs dedicada a revisitar a trajetória dos fundos imobiliários no Brasil. Ao longo de quatro episódios, o programa reúne personagens que participaram diretamente da construção do setor para contar como nasceu uma indústria que hoje reúne milhões de investidores e centenas de bilhões de reais em patrimônio.Leia Mais: Imóvel para anos, imóvel para meses: a tese da TRX para lucrar até 38% no curto prazoMercado ainda convive com vários fundos de baixa negociaçãoEmbora os grandes fundos apresentem volumes elevados de negociação, parte da indústria ainda opera com liquidez bastante reduzida.“Existem fundos que praticamente não têm preço. O comprador raramente bate em cima e o vendedor quase sempre bate embaixo”, disse Bacci.Segundo ele, em alguns veículos pouco negociados, a ausência de negócios pode até gerar distorções na percepção de volatilidade. “Não só não têm preço, como a métrica de volatilidade fica absurda”, comentou. Para Rodrigo Castro, sócio-fundador do Clube FII, a liquidez deve ser analisada de forma relativa. “Tem fundo que negocia R$ 1 milhão por dia. O institucional não vai entrar, mas para o pequeno investidor essa liquidez já é suficiente.”Fundos maiores atraem investidores institucionaisNa avaliação dos especialistas, o crescimento da liquidez é fundamental para a entrada do investidor institucional no setor.“Hoje você já tem fundos negociando acima de R$ 15 milhões por dia. Isso é fundamental para o institucional entrar, porque ele não vai entrar com R$ 100 mil. Ele vai entrar com R$ 1 bilhão”, diz Castro.Para ele, a indústria ainda possui amplo espaço para expansão. “A gente viu um aumento brutal da liquidez nos últimos anos e acho que estamos apenas no começo. Vai ser uma curva em J a partir de agora”.Leia Mais: Gestoras lançam entidade para ampliar presença dos FIIs em índices globaisLongo prazo continua sendo principal recomendaçãoApesar das discussões sobre liquidez e volatilidade, os especialistas avaliam que o horizonte de investimento continua sendo o principal fator para o investidor.“Não tem como pensar em fundo imobiliário em um prazo inferior a cinco anos. Cinco anos eu já acho curto prazo”, afirmou Castro. Os investidores, diz ele, com horizonte reduzido podem encontrar alternativas mais adequadas na renda fixa. “A grande maioria das questões relacionadas aos fundos imobiliários é resolvida com uma recomendação de longo prazo, ou melhor ainda, de prazo indeterminado, com acumulação permanente de cotas”, conclui.Confira o episódio completo na edição desta semana do Liga de FIIs. O programa vai ao ar todas as quartas-feiras, às 18h, no canal do InfoMoney no Youtube. Você também pode rever todas as edições passadas.Leia Mais: SP terá maior entrega de novos escritórios em 10 anos; Pinheiros já absorveu ofertaThe post Fundos “menos” imobiliários e mais “financeiros”; efeitos da maior liquidez dos FIIs appeared first on InfoMoney.