Depois do sucesso de público e de crítica de Superman no ano passado, a atenção para o universo cinematográfico da DC voltou de vez. A nomeação do diretor e roteirista James Gunn como copresidente da DC Studios, transformando a antiga DC Films, lar de grandes sucessos e também fracassos, em uma nova fase para o estúdio, definitivamente fez bem às adaptações. Após uma sequência de produções televisivas elogiadas, como Pacificador e Pinguim, e a estreia de Superman nos cinemas, Supergirl chega como uma produção muito bem-vinda.Dirigido por Craig Gillespie e protagonizado por Milly Alcock, o filme tem como principal referência a série de quadrinhos Supergirl: Mulher do Amanhã, lançada entre 2021 e 2022. A história prioriza uma versão da heroína um pouco diferente dos estereótipos, mas longe de ser uma anti-heroína. Inclusive, seu código moral é um dos traços mais interessantes de sua personalidade. Confira a seguir a crítica completa do Minha Série.Supergirl não foge dos clichês narrativosVilão de Supergirl não convence desde sua primeira aparição.Desde o começo, o filme segue uma fórmula inegável das produções de super-heróis. Ela está lá, vivendo sua vida normal (para uma alienígena que perdeu tudo), quando acontece um evento que a faz reagir. Até aí, isso não me incomodaria tanto se esses clichês tivessem uma execução um pouco mais cuidadosa. A primeira luta do filme é a mais forçada de todas e nada convincente, o que quebrou um pouco a minha expectativa logo de cara. Mas isso melhora.Ao longo do filme, mesmo Kara sendo uma personagem muito forte, as batalhas passam a impressão de que ela vence apenas por um conjunto de conveniências, nunca apenas por mérito próprio, diferente do que acontece com outros super-heróis. Com o peso de ser a prima do Homem de Aço, eu esperava a mesma apelação dada ao famoso herói, principalmente nas cenas finais.Milly Alcock entendeu o recadoAtriz de A Casa do Dragão entendeu o que o papel exigia.Craig Gillespie acertou em cheio na escolha de Milly. A atriz representa o equilíbrio perfeito entre um rosto não tão conhecido do grande público e alguém que já demonstrou talento ao interpretar uma personagem importante como a jovem Rhaenyra Targaryen em A Casa do Dragão. Milly interpreta uma ótima Supergirl. Apesar de achar que pesaram um pouco na imagem da "mulher sempre de ressaca que não liga para nada", o contraste com a heroína no final do filme acaba funcionando. Inclusive, essa característica fica ainda mais engraçada quando ela está em contato com o Clark de David Corenswet e James Gunn.Mas será que a personagem é tão interessante assim a ponto de ter um filme solo? Sim, ela é. A história de origem de Kara e como ela foi parar em um planeta isolado, com um sol vermelho que inibe seus poderes, além do motivo pelo qual ela não tem a mesma vontade que seu primo de salvar outros mundos, nos faz compreender e querer saber mais sobre a heroína. A roteirista Ana Nogueira adaptou Supergirl de forma profunda e desenvolveu muito bem a personagem.No final do filme, tudo sobre ela faz sentido. Suas ações refletem bem as crenças que ela faz questão de reafirmar durante toda a história. Aqui não temos uma heroína boazinha, superficial e perfeita, mas alguém mais próxima da realidade de uma pessoa que sofreu um grande trauma ainda jovem e está lidando com isso a todo momento. Quando ela finalmente assume todo o seu potencial, até dá vontade de ver mais tempo de filme.Não tem jeito: mesmo feito de CGI, Krypto é uma estrelaO cachorro acaba sendo motivação suficiente para a protagonista.Supergirl fala muito sobre relacionamentos, mas nenhum deles é romântico. Temos relações familiares, amizade feminina e a relação que mais motiva a heroína e que, com certeza, vai fazer muitos se identificarem com ela: a relação com seu cachorro, Krypto. Mesmo com seu CGI contestável, o personagem já havia conquistado o público no filme do Super-Homem e aqui cativa ainda mais. Tudo bem, Kara. Eu também faria tudo pelo meu cachorro.As relações de Kara definem tudo no filme. O amor por seus pais, a responsabilidade por Ruthye, a criança que implora por sua ajuda, e o desespero para salvar Krypto são os elementos que revelam os traços mais bonitos da heroína. Assim como no mundo real, é através de nossas conexões que conseguimos desenvolver todo o nosso potencial, e com a Supergirl não é diferente.A motivação de Ruthye vai cansando ao longo do filme, principalmente por conta da cena pouco convincente do começo, mas a importância da menina na evolução de Kara acaba justificando sua presença. As interações dela com Lobo são um ponto alto de sua participação e espero que, já que os dois foram introduzidos, essa dinâmica seja mais explorada no futuro. Para ser honesta, essa é, para mim, a única justificativa para a presença do personagem de Jason Momoa aqui, já que ele aparece pouco e apenas reforça a teoria das "conveniências", ajudando a resolver a situação em alguns momentos.Vale a pena assistir a Supergirl?Após a ressaca de um período de excesso de filmes de super-heróis, Supergirl não chega como uma obra qualquer, mas também não representa um grande diferencial dentro do gênero. Ainda assim, a heroína merece atenção e teve um bom desenvolvimento em seu filme solo, deixando um "gostinho de quero mais" que justifica novas aparições.Além disso, é impossível não ressaltar: que prazer é assistir uma mulher como protagonista em um filme desse gênero em que ela é coerente, bem construída e nada focada em interesses amorosos. Então, sim, vale a pena assistir ao filme.Pretende ver Supergirl? Comente nas redes sociais do Minha Série! Estamos no Threads, Instagram, TikTok e até mesmo no WhatsApp. Venha acompanhar filmes e séries com a gente!