A Cyrela (CYRE3), uma das principais companhias do mercado imobiliário brasileiro, pode destravar valor relevante com a possível venda de parte da torre corporativa “Cyrela by Pininfarina”, localizada na região da Oscar Freire, em São Paulo, segundo relatório do Banco Safra.O empreendimento, que está em fase final de obras e tem entrega prevista para setembro, é um edifício triplo AAA (premium), com cerca de 45 mil m² de área bruta locável (ABL) distribuídos em 23 andares, e já está totalmente locado.Isso porque, segundo o Safra, o Nubank (ROXO34) alugou aproximadamente 35 mil m², o equivalente a 17 pavimentos, enquanto a própria Cyrela ocupará, em princípio, a parte do restante para instalar sua nova sede administrativa.A avaliação do banco, no entanto, é de que a proximidade da entrega do imóvel abre espaço para que a incorporadora avalie a venda da fatia locada à instituição financeira (cerca de 78% da ABL total), reduzindo sua exposição ao empreendimento e convertendo parte do projeto em caixa.“À medida que a entrega do prédio se aproxima, aumenta a probabilidade de uma eventual venda — cenário que, até agora, vinha sendo tratado principalmente como uma opcionalidade”, escreveram os analistas.Cabe lembrar que o Nubank divulgou, ainda em janeiro, que fará um investimento de mais de R$ 2,5 bilhões ao longo dos próximos cinco anos destinado ao aprimoramento e ao aumento de sua rede de escritórios no Brasil.Potencial lucroPelas contas do Safra, considerando um aluguel médio de R$ 190 por metro quadrado e uma taxa de capitalização de saída (exit cap rate) de 8%, a potencial transação poderia atingir cerca de R$ 950 milhões.O custo total do projeto é estimado em R$ 550 milhões, dos quais a maior parte já foi investida, o que resultaria, portanto, em um lucro líquido próximo de R$ 480 milhões.Esse montante, de acordo com o relatório, representaria cerca de 27% do lucro total estimado para 2026 e aproximadamente 5% do valor de mercado da Cyrela.Impacto para os acionistasO banco também avalia que a estrutura de capital da companhia, com alavancagem considerada “moderada”, abriria espaço para distribuição relevante dos recursos. Ainda assim, adota uma postura conservadora e trabalha com hipótese de pagamento de 60% do possível ganho aos acionistas.Segundo o relatório, nesse cenário-base, haveria potencial para um dividend yield (DY) extraordinário de cerca de 6,1%.Além disso, a casa aponta que uma eventual venda poderia impulsionar uma reprecificação dos papéis CYRE3. Pelas contas do Safra, considerando retorno via proventos e re-rating de múltiplos, o impacto total estimado seria de aproximadamente 11,7%, podendo chegar a 19% em um ambiente mais otimista.O banco mantém recomendação outperform (equivalente à compra) para Cyrela, com preço-alvo de R$ 41, o que implica potencial de valorização de cerca de 84% frente à cotação atual. new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "CYRE3", "CYRE3" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "c6607bd"} );