A nova regulação de criptomoedas da União Europeia pode tirar do mercado a maior parte das exchanges que ainda operam na região sem autorização formal. Segundo Erald Ghoos, CEO da OKX Europe, cerca de 80% das corretoras de criptomoedas não devem sobreviver à aplicação completa do Markets in Crypto-Assets, conhecido como MiCA, cujo prazo final de transição termina em 1º de julho.A partir dessa data, empresas sem licença de prestadora de serviços de criptoativos, ou CASP, não poderão mais oferecer serviços legalmente a clientes da União Europeia. A regra marca uma nova fase para o setor no bloco e deve acelerar uma consolidação entre corretoras reguladas.O MiCA foi aprovado pelo Parlamento Europeu em 2023 e criou um dos primeiros marcos regulatórios abrangentes do mundo para criptoativos. A norma estabelece exigências de autorização, governança, transparência, segregação de ativos de clientes, proteção ao consumidor e supervisão. Também impõe regras específicas para emissores de stablecoins.As regras para prestadores de serviços cripto entraram em vigor em dezembro de 2024, mas países da União Europeia puderam conceder períodos de transição de até 18 meses para empresas que já operavam. Esse prazo se encerra em 1º de julho.Segundo Ghoos, o mercado ainda não está totalmente preparado para o fim da janela de transição. Ele afirmou ao The Block que 60% dos usuários europeus de cripto ainda estão em plataformas sem autorização MiCA, e muitas dessas empresas não teriam caminho claro para obter uma licença.Leia também: Empresas cripto da Europa enfrentam pressão com fim do período de transição do MiCA“O argumento das disposições transitórias está amplamente esgotado. Vinte dos 27 Estados-membros da UE já encerraram seus prazos nacionais de transição”, afirmou. “O dia 1º de julho fecha a janela completamente. Empresas no registro da Esma podem continuar. Empresas fora dele não podem.”A Esma, autoridade europeia de mercados, já havia alertado que empresas sem licença devem encerrar suas atividades no bloco de forma ordenada. Em 18 de junho, mais de 200 prestadores de serviços cripto tinham autorização completa sob o MiCA, segundo o registro interino do órgão.A OKX obteve sua licença MiCA por meio da autoridade financeira de Malta, depois de já possuir registro VASP no país desde 2021. A autorização permite que a exchange ofereça serviços em todo o Espaço Econômico Europeu por meio do chamado passaporte regulatório. Coinbase, Kraken e Ripple também aparecem entre os grandes nomes que avançaram em autorizações ou aprovações ligadas ao novo regime europeu.Binance pressionadaO caso mais acompanhado é o da Binance. A maior exchange de criptomoedas do mundo tenta permanecer na União Europeia após sua aplicação na Grécia ter fracassado, segundo a Reuters. A empresa buscava uma licença no país para continuar oferecendo serviços como negociação de criptoativos no bloco.Gillian Lynch, chefe da Binance para Europa e Reino Unido, afirmou à agência que a corretora não pretende deixar a região. “A Binance não está deixando a Europa”, disse. Segundo ela, a empresa pode buscar “um caminho diferente” para obter autorização. “Se não for a Grécia, estou olhando outras alternativas.”A corretora, porém, tem poucos dias para encontrar uma solução. Sem uma licença válida antes do fim do prazo, a Binance pode ser obrigada a encerrar ou reduzir serviços para clientes europeus. De acordo com a Reuters, a empresa manteve conversas com reguladores na Irlanda, Letônia e Grécia, mas enfrentou resistência nos três países.As preocupações dos reguladores envolveriam penalidades anteriores da Binance por falhas em prevenção à lavagem de dinheiro, sua estrutura internacional complexa e o que autoridades veem como uma cultura de maior apetite a risco. Lynch afirmou que a Binance investiu em compliance, emprega cerca de 1.500 profissionais na área e não possui pendências relacionadas à aplicação.Leia também: Binance tem uma semana para obter licença na Europa ou pode ter que parar de operar na regiãoO episódio mostra como o MiCA pode testar, na prática, a capacidade de grandes players globais se adaptarem a uma regulação mais rígida. Para Ghoos, o novo regime foi desenhado justamente para criar uma base mínima de operação responsável na Europa, com segregação de ativos, prova de reservas, governança adequada e resiliência operacional.“O padrão foi colocado alto porque o custo de errar recai sobre pessoas comuns”, afirmou o CEO da OKX Europe. “O fato de uma grande proporção do mercado não conseguir cumprir esse padrão é o mecanismo funcionando.”CEO da OKX comentaA avaliação também foi comentada por Star Xu, fundador e CEO global da OKX. Em publicação no X, ele disse não ter informação interna sobre o processo da Binance na Grécia, mas avaliou que uma Binance totalmente regulada sob o MiCA perderia parte da vantagem competitiva que construiu com arbitragem regulatória. Para Xu, a disputa passaria a depender mais de qualidade de produto, tecnologia, governança, segurança e confiança do cliente, o que beneficiaria exchanges centralizadas reguladas, plataformas descentralizadas e a adoção institucional do setor.Ghoos afirma que há três grupos de exchanges em situação de risco na Europa: plataformas totalmente offshore sem presença física no continente, empresas que ainda dependem de períodos transitórios prestes a expirar e grandes operadores globais que possuem uma subsidiária licenciada, mas continuam oferecendo aplicativos globais sem autorização a usuários europeus.Para ele, muitas dessas plataformas permanecem em silêncio sobre o que farão depois do prazo porque não há uma resposta positiva a dar. As opções incluem comunicar a interrupção de acesso aos clientes ou organizar uma migração para concorrentes licenciados.O executivo recomenda que usuários verifiquem se suas corretoras aparecem no registro público da Esma e transfiram recursos para plataformas autorizadas antes de 1º de julho. Esperar até depois do prazo pode aumentar o risco de bloqueios repentinos, congelamento de saques ou dificuldades operacionais caso empresas sejam impedidas de atender clientes europeus.A consolidação já parece estar em curso. Para a OKX, a próxima fase do mercado europeu será formada por menos exchanges, mas com estruturas mais sólidas. Ghoos afirmou que as empresas que permanecerem serão aquelas que trataram a autorização como base para construir uma instituição financeira séria, e não apenas como um prazo a ser cumprido.O MiCA, no entanto, não encerra todas as discussões regulatórias. Depois da aplicação completa das regras para exchanges, o foco deve migrar para áreas ainda menos definidas, como finanças descentralizadas, ativos tradicionais tokenizados e stablecoins em escala. Ainda assim, o prazo de 1º de julho já representa uma virada: na Europa, operar cripto sem licença deixa de ser uma zona cinzenta e passa a ser um risco direto para empresas e usuários.Invista na Renda Fixa Digital no MB, com ganhos previsíveis, e receba até 3% de cashback em Bitcoin + 1% extra a cada gol do Brasil no jogo de quarta (24). Participe antes do apito inicial aqui!O post 80% das exchanges cripto na Europa podem não sobreviver ao MiCA, diz chefe da OKX na região apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.