Revisitando Clássicos – God of War do PS2: era realmente tudo isso?

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Uma das franquias de maior sucesso nos consoles da Sony, com novos títulos em desenvolvimento atualmente, God of War foi um sucesso desde o seu primeiro jogo. Lançado ainda no PS2, o jogo se tornou o maior exclusivo da Sony, mas sofreu muitas mudanças ao longo de seus novos títulos. Por isso, revisitamos o jogo, conferindo se mesmo hoje ele continua sendo um grande título.God of War no Playstation 2Lançado em 2005, o jogo traz a jornada violenta e brutal de Kratos, traído pelo Deus da Guerra, por uma Grécia mitológica. Com uma estética sublime, trazendo grandes paisagens repletas de mistério e grandeza, que contrastam com seu ritmo rápido, incisivo e brutal. Uma jogabilidade simples, mas com diversas possibilidades, sendo bem agradável ao longo do jogo.God of War também foi responsável por popularizar algumas mecânicas e elementos que perduraram por muitos anos, replicados frequentemente por outros jogos. Alguns deles permanecem até hoje, enquanto outros foram sendo cada vez menos usados, caindo em completo desuso ou se tornando algo bem nichado, como você vai ver agora.O que funciona até hojeEm jogos, as mecânicas e outros elementos mudam ao longo do tempo, de forma bem rápida inclusive. Alguns desses aspectos envelhecem bem, funcionando do PS2 até os dias de hoje. Com God of War não é diferente, com elementos que funcionam e podemos ver até a atualidade.Sistema de combateMesmo inspirado em outros títulos, o combate de God of War é um dos seus elementos de maior destaque até os dias de hoje – Imagem: Reprodução / SonyA base do sistema de combate de God of War — ataques fracos e fortes, combos enormes, esquivas, bloqueios e parries — é um conceito bem sólido, perdurando até os dias de hoje. Mesmo que, atualmente, o estilo dos Soulikes seja o padrão em jogos focados em combate corpo a corpo, os elementos vistos em God of War são o molde dos Hack’n’slash até hoje.Apesar de não ser algo original, visivelmente inspirado no primeiro Devil May Cry, foi em God of War que esse sistema foi consolidado. Mecânicas que, mesmo sendo usadas frequentemente, ainda possuem um público fiel e cativo.Combinação de diferentes elementos na jogabilidadeInspirado também em Prince of Persia Warrior Within, God of War traz também elementos de plataforma e quebra-cabeças. São elementos que, além de variar a jogabilidade, se combinam de uma forma bem fluida e interessante.Mesmo em seu combate, podemos ver esses elementos combinados. Inimigos que exigem estratégias diferentes são frequentemente colocados juntos, muitas vezes você precisa empurrar caixas e girar manivelas enquanto lida com seus oponentes. Elementos que trazem mais variedade, onde cada obstáculo se torna um desafio diferente.Upgrades ao invés de level upAlgo introduzido em Devil May Cry, onde orbes dão pontos para evoluir suas armas, habilidades e, no caso de God of War, feitiços. Uma substituição ao sistema de level up, que era mais comum em jogos de ação com elementos de RPG.O mesmo aconteceu com o aumento da barra de vida e de magia. Ao invés do aumento a cada level novo, o jogo introduz itens que, coletando 5 deles, aumenta permanentemente a barra de vida ou de mana. É um elemento bem comum, atualmente, até mesmo em outros gêneros, como em Roguelikes.Brutalidade e violênciaGod of War também conta com chefes épicos, gigantescos, como a Hidra de Lerna, encontrada logo no começo do jogo – Imagem: Reprodução / SonyGod of War é um jogo bem violento e brutal, com execuções até mesmo exageradas, refletindo toda a força e brutalidade de Kratos. Uma abordagem que, apesar de usada com certa frequência em outros jogos, não era tão comum, principalmente em jogos Hack’n’slash.No entanto, a brutalidade e violência se tornaram uma das marcas registradas dessa franquia. Mesmo nos títulos mais recentes, onde podemos ver um Kratos mais calmo e sereno, o personagem ainda é muito brutal e violento contra seus inimigos.Recuperação de vidaUm dos principais fatores de dificuldade nos jogos, a barra de vida era um recurso que deveria ser muito bem gerenciado. Recuperar sua vida não era algo muito fácil nos jogos, normalmente dependendo de itens que não eram abundantes, mas que sofreu uma mudança em God of War bem significativa.No jogo, era possível renovar sua vida executando seus inimigos, ou após certas interações com chefes, depois de tirar certa parte da vida deles. Elementos que não só facilitam o jogo, mas que reforçam a proposta do jogo, recompensando o jogador por ser brutal e incisivo, como é o personagem principal.Temática mais densa e adultaAlém da brutalidade e violência, o jogo também aborda outras temáticas mais profundas, impróprias para um público mais novo. Eles são apresentados a um personagem que carrega culpa e traumas do passado, atos deploráveis, enquanto a nudez também é algo frequente.God of War não foi o primeiro jogo a apresentar esses elementos, mas foi um dos responsáveis por popularizá-los. O que tornou esses elementos muito mais frequentes nos games, principalmente em jogos AAA.O que não funciona maisO jogo traz cenários majestosos, sublimes, como podemos ver no Templo de Pandora –Há também aquelas mecânicas e elementos que não passaram no teste do tempo. Recursos que, mesmo usados muito durante os anos do PS2, caíram em desuso com o tempo, não sendo diferente com God of War e alguns de seus elementos.Câmera fixaUm recurso que começou antes mesmo do Playstation 1, mas que perdurou até o começo do Playstation 3. Nessa época, era um recurso amplamente utilizado por permitir o uso da linguagem cinematográfica, criando uma atmosfera através da seleção de planos.Mesmo com esses aspectos interessantes, esse tipo de câmera apresentava muitos problemas em relação a interatividade dos jogos. A movimentação mudava a cada novo ângulo, ficando confuso principalmente em combates, e em saltos entre plataformas, punindo injustamente os jogadores.Quick Time EventsUm padrão na época do PS2, onde você precisava apertar botões específicos, sequencialmente, em uma fração de segundos. É uma mecânica que foi caindo em desuso ao longo dos anos, até ser praticamente extinta durante a vida útil do Playstation 3.Os motivos que levaram a essa queda foram a quebra de imersão, interrupção no ritmo do jogo e como essa mecânica tornava a jogabilidade passiva. Além desses problemas, era algo que criava uma dificuldade muito artificial, onde muitas vezes um botão errado poderia levar a um game over.Apesar dessa decaída, saiba que os Quick Time Events ainda têm seu lugar nos jogos. Mais precisamente nos jogos cinematográficos, como aqueles desenvolvidos pela Quantic Dream, Detroit Became Human e Beyond Two Souls, por exemplo.Armadilhas mortaisNo primeiro God of War havia diversas armadilhas que podiam matar Kratos instantaneamente. Situações como precipícios, espinhos, plataformas que colapsam e lâminas giratórias. Eram mecânicas que puniam cruelmente erros de timing e saltos, ficando até mesmo injusto devido a ângulos ruins da sua câmera fixa.Mesmo em jogos mais punitivos, como os Soulslike, esse tipo de armadilha tem sido cada vez menos frequente. A razão por trás disso é, principalmente, por ser uma forma baixa e muito artificial de aumentar a dificuldade.Armas novas apenas no late gameNesse God of War, você só consegue a segunda arma, Blade of Artemis, apenas bem tarde no jogo. Era algo problemático, já que você já tinha muito tempo e recursos investidos em sua primeira arma, fazendo com que essa segunda arma geralmente fosse testada e logo descartada.Foi um problema corrigido nos jogos seguintes. Eles passaram a contar com mais opções de armas, três ou mais inclusive, e que eram introduzidas mais cedo no jogo.Curiosidades sobre God of WarTerrence C. Carson, dublador de Kratos nos primeiros jogos da franquia, mas que também teve outros papéis de destaque menos conhecidos – Imagem: Reprodução / Sister Circle TVApesar de ser um jogo bem conhecido e notório, nem tudo de God of War é de conhecimento da maioria do público. Existem questões que nem mesmo quem jogou todos os jogos da franquia sabe, mas que são bem interessantes, começando pelos seus dubladores.Vozes famosas que compõem o elencoEm God of War, há alguns dubladores bem famosos, dentro e fora dos videogames. Além do dublador de Kratos, que também possui outros papéis de destaque, outras vozes têm alguns destaques que nem todo mundo reconhece, como:Terrence C. Carson (Kratos) – Mace Windu em jogos e animações de Star Wars.Paul Eiding (Zeus) – Coronel Roy Campbell em Metal Gear, e Max Tennyson (Vô Max) em Ben 10.Steve Blum (Ares) – Sub-Zero nos jogos de Mortal Kombat, Amon em A Lenda de Korra, e Vilgax e outros personagens em Ben 10.Nolan North (Hades) – Nathan Drake em Uncharted, David em Last of Us, Ghost em Destiny, e Pinguim nos jogos Batman Arkham.Nome original de God of WarOriginalmente, o jogo iria se chamar Dark Odyssey, fazendo uma homenagem ao clássico grego de Homero. Apesar dos desenvolvedores gostarem do nome, a empresa acreditava que o público poderia fazer uma alusão muito literal à obra, não associando a brutalidade e violência do jogo.Era possível falar com KratosDentro do jogo, você pode encontrar dois números de telefone secretos, sendo eles:1-888-447-55941-800-613-8840O primeiro número pode ser encontrado na sala do trono, no Monte Olimpo, após destruir as duas estátuas com vários golpes (são muitos mesmo). Já o segundo número você recebe ao terminar o Modo God. Ambos os números trazem uma mensagem gravada de Kratos.Veredito de God of War no PS2God of War é um jogo que combina muito bem diferentes elementos em sua jogabilidade, fazendo isso de uma forma bem fluida e divertida. Das partes de plataformas aos seus quebra-cabeças e combates, às vezes combinados, tudo se mistura de uma forma bem interessante, tornando sua experiência bem agradável ao longo do jogo.Houve elementos que não envelheceram tão bem, como sua câmera fixa e seus Quick Time Events, que podem ser bem frustrantes na maioria das vezes. Apesar desses pontos negativos, God of War do PS2 ainda é um jogo bem divertido até hoje, passando no teste do tempo com certa maestria.O post Revisitando Clássicos – God of War do PS2: era realmente tudo isso? apareceu primeiro em Olhar Digital.