Com investimento bilionário, BRE quer refinar terras raras no Brasil

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A Brazilian Rare Earths, por meio da Borborema Mineração, quer avançar além da extração e do beneficiamento inicial de terras raras no Brasil e desenvolver no país uma estrutura capaz de separar óxidos individuais, uma das etapas mais estratégicas e complexas da cadeia global desses minerais.Em entrevista ao Mapa da Mina, programa de mineração da CNN, Renato Gonzaga, presidente da Brazilian Rare Earths no Brasil, afirmou que o projeto da companhia na Bahia já nasce com a ambição de ir além da produção de carbonato misto de terras raras.“Nosso projeto já nasce com a ideia de ir um passo além na cadeia de valor. Quando falamos dos projetos que produzem carbonato misto, esse é o passo natural e a primeira etapa, pela qual também passaremos, mas nossa visão inclui ir um passo além”, disse. Leia Mais União Europeia espera acordo de minerais críticos com Brasil “em breve” China proíbe exportações para mineradora que comprou a Serra Verde Comissário europeu visita projeto de terras raras da Viridis em MG A separação de óxidos individuais é uma das fases de maior valor agregado da cadeia de terras raras. É nessa etapa que elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, usados em ímãs permanentes para motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e aplicações de defesa, passam a ter uso industrial mais sofisticado.Hoje, essa etapa é amplamente concentrada na China, que domina o processamento global de terras raras e tem capacidade de influenciar preços, oferta e acesso a insumos estratégicos. Por isso, projetos que prometem avançar no refino fora da cadeia chinesa passaram a ganhar atenção de governos, bancos de desenvolvimento e compradores industriais.A companhia afirma manter conversas com o BNDES para discutir alternativas de financiamento ao projeto.“Seria uma grande honra ter o BNDES como acionista”, afirmou.A eventual participação do banco público em projetos de terras raras tem sido discutida em meio ao esforço do governo brasileiro para estimular a agregação de valor em minerais críticos.A avaliação dentro do setor é que projetos desse tipo exigem capital intensivo, prazo longo de maturação e contratos de compra futura capazes de reduzir riscos para financiadores.O principal ativo da companhia no país é o Projeto Monte Alto, na Bahia. A empresa apresenta o depósito como um dos mais promissores do Brasil em terras raras, com teor médio estimado de cerca de 15% de óxidos de terras raras, segundo Gonzaga.O projeto é diferente da maior parte das iniciativas de terras raras que ganharam espaço recentemente no Brasil. Enquanto muitos ativos estão associados a argilas iônicas, Monte Alto é apresentado como um projeto de rocha dura, com mineralização de alto teor.Gonzaga rebateu a avaliação de que a lavra em rocha dura seria necessariamente um obstáculo maior em relação às argilas iônicas. Segundo ele, etapas como britagem, moagem e beneficiamento fazem parte da rotina da mineração brasileira e não representam, por si só, uma barreira tecnológica nova para o país.A empresa argumenta que o alto teor do depósito pode compensar parte da maior complexidade operacional.No caso da BRE, a estratégia é usar o Monte Alto como base para uma cadeia que comece na mineração e avance para etapas industriais no Brasil. A companhia obteve licença de lavra experimental da Agência Nacional de Mineração para extrair até 2 mil toneladas por ano no projeto. A autorização permite produzir amostras em maior escala, realizar testes metalúrgicos, enviar material a potenciais clientes e abastecer a planta-piloto da empresa no Polo Petroquímico de Camaçari.A planta-piloto é considerada uma etapa central para testar a rota de processamento e demonstrar a viabilidade de uma cadeia de terras raras de maior valor agregado em território nacional. O objetivo é avançar primeiro por etapas intermediárias, como concentrado ou carbonato misto, e depois avaliar a produção de óxidos separados no país.