Volkswagen é condenada por trabalho escravo em fazenda no Pará

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A Justiça do Trabalho condenou a Volkswagen do Brasil por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão entre as décadas 1970 e 1980, em uma fazenda em Santana do Araguaia, no Pará.A sentença foi proferida em 11 de junho, pelo tribunal de Justiça de Redenção. Na decisão, foi determinado que a empresa pague R$ 2 milhões a cada um dos quatro ex-trabalhadores que ingressaram com a ação, movida pelo Coletivo Veredas.A condenação é considerada a maior indenização individual já determinada pela Justiça brasileira em um caso de trabalho análogo à escravidão.De acordo com a denuncia, os trabalhadores eram submetidos a um sistema de servidão por dívida, no qual eram atraídos a uma área de difícil acesso pela promessa de emprego, mas precisavam fazer “contas” com o empregador para ter acesso a necessidades básicas para cumprir a jornada, como ferramentas, materiais de trabalho e a alimentação no local.Leia tambémTST condena Ortobom a pagar R$ 300 mil por ausência de mulheres na gerênciaRelator do caso no TST afirmou que, apesar de 22 gerências compostas apenas por homens, empresa é sediada em cidade com maioria da população sendo mulheresDe acordo com dados obtidos pelo jornal espanhol El País, a Volkswagem se defendeu alegando que não possuía vínculo direto com os trabalhadores, o que foi rejeitado pelo Tribunal, que considerou que a empresa era responsável pelas condições de trabalho na propriedade.Os descontos em questão ocorriam direto no pagamento, com valores elevados em relação ao real custo dos materiais e insumos na época, o que fazia com que a dívida aumentasse e impedisse a saída dos trabalhadores do local.O alojamento eram barracos, sob vigilância armada constante e em condições precárias. Segundo o veículo, os funcionários conseguiram deixar a fazenda ao afirmar que precisavam cumprir serviço militar obrigatório.O caso ocorreu justamente durante o período em que o Brasil passava pela ditadura militar. Nessa época, a Volkswagen tornou-se acionista da fazenda em que ocorreram os casos de abuso, em um projeto de ocupação da região da Amazônia incentivado pelo governo vigente.A área, em sua ampla maioria de mata, tornou-se pastos para a criação de gado. A função dos trabalhadores em situação análoga à escravidão era justamente transformar os lotes de terra em área para a pecuária.O InfoMoney entrou em contato com a Volkswagen questionando sobre a condenação, mas até o momento não obteve retorno.The post Volkswagen é condenada por trabalho escravo em fazenda no Pará appeared first on InfoMoney.