A dependência externa para o processamento de dados gerados internamente revela, que, apesar da alta demanda, muito impulsionada pela inteligência artificial, o Brasil ainda possui pouca capacidade instalada, ou seja, um déficit, para processar essas informações.Em entrevista à CNN, Fernando Palamone, CEO da RT-One, empresa americana de tecnologia com atuação global, que está investindo cerca de R$ 15 bilhões de reais para construir os primeiros data centers dedicados à IA da América Latina, nas cidades de Uberlândia (MG) e Maringá (PR), detalhou os gargalos que o país enfrenta em relação à infraestrutura digital.Além desses, um terceiro local está em fase de avaliação.Segundo o executivo, cerca de 60% dos dados brasileiros são processados fora do país, já em relação aos dados oriundos de inteligência artificial, 95% do processamento ocorre em outros países, principalmente nos Estados Unidos e na Austrália.Além disso, os investimentos se fazem importante no contexto da soberania digital.“Quando cerca de 60% dos dados brasileiros são processados em outros países, eles ficam sujeitos a outras jurisdições. Em um cenário de conflito internacional ou de restrições operacionais, parte significativa da infraestrutura digital brasileira poderia ser afetada”, afirmouAmbos os projetos foram concebidos de forma diferente dos data centers tradicionais voltados principalmente para armazenamento em nuvem.Os aportes financeiros serão feitos de forma gradual, acompanhando a expansão da demanda e da infraestrutura como um todo.A previsão da empresa é de que obras devem comecem em setembro, com a primeira entrega operacional prevista ainda para este ano.Fernando Palamone, CEO da RT-One • ReproduçãoInicialmente será implantada toda a infraestrutura elétrica de alta tensão, incluindo as linhas de transmissão e subestações.Depois serão instalados os sistemas avançados de refrigeração líquida e os racks de alta densidade para IA.Os edifícios terão apenas um pavimento, mas altos o suficiente para acomodar toda a infraestrutura de cabeamento e refrigeração acima dos equipamentos.O primeiro campus em Uberlândia tem contratado 100 MW na fase inicial, que somado ao projeto no Paraná tem capacidade agregada inicial de até 200 MW, contando ainda com arquitetura modular que permite escalar cada campus para mais de 400 MW.A ideia da companhia é posicionar o Brasil como um polo para processamento de IA e computação de alta densidade, oferecendo ao mercado global uma alternativa com infraestrutura de energia renovável, segurança avançada, além dos padrões internacionais de disponibilidade e eficiência energética.“A nova geração de data centers nasce, portanto, mais preparada para atender às demandas da economia digital sem repetir os modelos de alto consumo do passado. A expansão da computação em nuvem e da inteligência artificial deixou de ser apenas uma possibilidade tecnológica. Já sendo um caminho viável, e necessário, para garantir infraestrutura digital de alta capacidade, preservando ao mesmo tempo os recursos naturais e o bem-estar das comunidades locais”, disse o executivo.Para o desenvolvimento dos projetos, a empresa trabalhou com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e com a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais).Segundo o CEO, foram escolhidas regiões onde existe excedente de energia elétrica, pois além de consumir essa energia, os data centers poderiam ajudar no equilíbrio da rede elétrica.Em relação às cidades-sede para os dois centros, Palanome é categórico: “São Paulo e Rio estão saturados”, em relacão a limitações de espaço, energia e mobilidade, afirmou.“Uberlândia, por exemplo, possui um ambiente bastante desenvolvido de startups, inclusive na área de inteligência artificial, além de universidades e mão de obra qualificada. São fatores importantes para sustentar o crescimento desse tipo de empreendimento”, comentou.