O crescimento dos salários negociados na Zona Euro deverá manter uma trajetória de desaceleração ao longo de 2026, segundo os mais recentes dados do ECB Wage Tracker, o indicador do Banco Central Europeu que acompanha acordos coletivos de trabalho em nove países da moeda única.A atualização divulgada pelo BCE mostra que as pressões salariais permanecem estáveis, com o crescimento dos salários negociados a situar-se em torno dos 2,6% até ao final de 2026, um sinal que poderá contribuir para reforçar a tendência de descida da inflação e apoiar as decisões de política monetária nos próximos meses. Crescimento salarial desacelera face a 2025O indicador principal do Wage Tracker aponta para um crescimento dos salários negociados de 3,2% em 2025 e de 2,3% em 2026, considerando os pagamentos extraordinários diluídos ao longo do tempo.Quando os pagamentos pontuais, como prémios ou compensações associadas à inflação, são contabilizados sem ajustamentos, o crescimento salarial previsto é de 3,0% em 2025 e de 2,6% em 2026.Já o indicador que exclui totalmente os pagamentos extraordinários mostra uma desaceleração de 3,8% em 2025 para 2,6% em 2026, sugerindo que os aumentos salariais de base estão a regressar a níveis mais moderados. Salários continuam acima da média históricaApesar da desaceleração prevista, os aumentos salariais continuam acima da média observada na última década.Entre 2013 e 2024, o crescimento médio anual dos salários negociados na Zona Euro situou-se em 2,2%. Em 2026, os vários indicadores do BCE apontam para taxas entre 2,3% e 2,6%, sinalizando que o mercado de trabalho europeu continua relativamente robusto. O efeito da inflação começa a desaparecerUma das principais conclusões do BCE é que o impacto dos pagamentos extraordinários acordados nos anos de maior inflação está a perder força. Ao longo de 2024 e 2025, muitas negociações coletivas incluíram compensações temporárias destinadas a mitigar a perda de poder de compra dos trabalhadores. À medida que esses efeitos desaparecem, os indicadores salariais tornam-se mais estáveis.Segundo o BCE, o crescimento dos salários negociados deverá evoluir gradualmente ao longo de 2026:1,8% no primeiro trimestre;2,1% no segundo trimestre;2,6% no terceiro trimestre;2,6% no quarto trimestre.Esta evolução reflete sobretudo o desaparecimento gradual dos efeitos estatísticos associados aos pagamentos extraordinários realizados em 2024. Pressões salariais mais controladasO BCE destaca que o indicador que considera os pagamentos extraordinários sem suavização apresenta um perfil particularmente estável para 2026. Neste caso, o crescimento dos salários negociados deverá situar-se em:2,9% no primeiro trimestre;2,6% no segundo trimestre;2,5% no terceiro e quarto trimestres.Já os salários de base negociados deverão manter-se praticamente estáveis ao longo de todo o ano, em torno dos 2,6%, sugerindo uma normalização das dinâmicas salariais após vários anos marcados pela inflação elevada. O que significa para trabalhadores e empresas?A desaceleração dos salários não significa necessariamente perda de rendimento para os trabalhadores, mas indica que os aumentos salariais estão a regressar a ritmos mais próximos da evolução económica de longo prazo.Para as empresas, esta estabilização poderá aliviar parte da pressão sobre os custos laborais, particularmente em setores que enfrentaram fortes aumentos salariais nos últimos dois anos.Ao mesmo tempo, um crescimento salarial mais moderado é visto pelo BCE como um elemento importante para consolidar o processo de descida da inflação na Zona Euro. O que esperar em 2027?O BCE anunciou que o horizonte temporal do Wage Tracker será alargado para o primeiro trimestre de 2027 já na atualização de julho. À medida que mais acordos coletivos forem assinados, os analistas poderão avaliar com maior precisão se a tendência de estabilização salarial observada em 2026 se prolongará no próximo ano.Para já, os dados sugerem um cenário de maior equilíbrio entre salários, inflação e produtividade, numa altura em que a economia europeia procura consolidar a recuperação sem reavivar pressões inflacionistas.BCE continua a acompanhar o mercado laboralO Wage Tracker cobre atualmente cerca de 43,2% dos trabalhadores dos países participantes em 2026, percentagem que varia ao longo do ano e entre países.O BCE recorda, contudo, que este indicador não constitui uma previsão económica formal, mas sim uma ferramenta que acompanha os acordos coletivos de trabalho atualmente em vigor. A instituição sublinha ainda que os dados podem ser revistos à medida que novos acordos são assinados e que a cobertura dos contratos aumenta.O conteúdo BCE prevê abrandamento dos salários na Zona Euro em 2026 aparece primeiro em Revista Líder.