«A análise relevante está concentrada em grandes instituições, fundos e family offices», afirma Bernardo Barcelos

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O Grupo AIR Trading, fundado em 2019 por Bruno Janeiro e Bernardo Barcelos, é hoje um dos rostos dessa procura: as suas formações certificadas pela DGERT registam um crescimento médio anual de cerca de 40% no número de formandos, com uma taxa de retenção de 72%. Foi sobre esta base que a empresa construiu, em 2025, duas novas áreas de negócio, a AIR Mentoring e a AIR Corporate, e é sobre esta mesma base que anuncia agora o passo mais ambicioso da sua história: um departamento de Research próprio e independente. Bernardo Barcelos, cofundador do Grupo, explica que a decisão nasceu de uma lacuna muito concreta. A AIR Trading sabia ler os ciclos e as políticas monetárias, mas faltava-lhe a capacidade de escolher, dentro desse cenário, as empresas certas para crescer mais do que o mercado. O que levou o Grupo AIR Trading a investir na criação de um departamento de Research próprio numa altura em que muitas empresas continuam a recorrer a análise externa?A decisão foi motivada por uma necessidade muito concreta: colmatar uma lacuna que identificámos no nosso próprio serviço. A AIR Trading estava historicamente muito centrada na análise técnica e, no que respeita à análise fundamental, o foco era essencialmente macroeconómico, ou seja, leitura de ciclos, políticas monetárias e dinâmicas de liquidez. Era uma base sólida, mas incompleta. Faltava a dimensão microeconómica, a análise empresa a empresa, com capacidade para identificar negócios com características que lhes permitem crescer de forma muito superior à média do mercado. Recorrer a análise externa nunca nos permitiria integrar essa visão de forma coerente com o que já fazíamos. A internalização foi, por isso, uma escolha deliberada e estratégica.De que forma este novo departamento poderá influenciar a estratégia e a tomada de decisões do grupo nos próximos anos?O impacto será transversal a todas as áreas do grupo. Na formação, permite elevar o nível de profundidade analítica dos conteúdos que produzimos. Na mentoria, dá-nos ferramentas para acompanhar os clientes com uma perspetiva mais completa e fundamentada. Na área corporate, reforça a nossa capacidade de apoiar empresas e instituições com uma análise que vai além do técnico e do macro. Em termos de estratégia do grupo, o Research funciona como um elemento unificador, garante que as diferentes áreas falam a mesma linguagem analítica e partilham a mesma base de conhecimento. No fundo, deixamos de ser apenas uma empresa de formação para nos posicionarmos também como produtores de conhecimento estruturado sobre os mercados.Quais serão as áreas prioritárias de investigação e análise desenvolvidas por esta equipa?Trabalharemos em dois pilares complementares. Por um lado, a análise macro, top-down, focada na identificação de tendências estruturais globais e oportunidades sectoriais, que orientam a alocação de capital. Por outro lado, a análise micro, bottom-up, centrada no stock picking e no desenvolvimento de teses de investimento completas, com identificação clara de catalisadores, riscos, cenários alternativos e pontos de entrada suportados por análise técnica. A combinação das duas dimensões é o que acreditamos ser verdadeiramente diferenciador, porque os fundamentais dizem o quê, a análise técnica diz quando.É precisamente esta filosofia que está na base do AIR Stocks, o serviço de research que já lançámos e que consiste no envio quinzenal de um relatório aprofundado sobre uma empresa com elevado potencial de valorização a longo prazo. Cada relatório não é apenas uma análise fundamental, é uma tese de investimento integrada: identificamos a empresa, avaliamos os fundamentos, e só lançamos o relatório quando a análise técnica confirma que o momento também é favorável.Porque no longo prazo o que mais importa é acertar na direção, mas não deixa de ser relevante identificar o momento certo para começar a construir a posição.A este serviço vamos ainda acrescentar o AIR Dividends, dirigido a quem quer construir uma carteira de rendimento com base em empresas que pagam dividendos consistentes e crescentes. Uma lógica de longo prazo, de criação de património, muito diferente do trading de curto prazo, mas igualmente válida e igualmente exigente em termos de rigor analítico.Que valor acrescentado espera o Grupo AIR Trading retirar da produção interna de conhecimento e inteligência de mercado?O valor mais concreto é a democratização do acesso a análise de qualidade.Existe uma assimetria real nos mercados financeiros: a análise verdadeiramente relevante, aquela que integra macro, geopolítica, dinâmica sectorial e seleção de ativos de forma coerente, está historicamente concentrada em grandes instituições, fundos e family offices.Quando essa informação chega ao mercado mais alargado, chega frequentemente tarde demais para ser acionável. Com o AIR Stocks, queremos mudar isso. Não se trata de dar dicas ou recomendações de curto prazo. Trata-se de partilhar uma tese de investimento fundamentada, integrada com o timing técnico, de forma a que qualquer investidor, independentemente da sua dimensão ou sofisticação, possa tomar uma decisão informada e com o enquadramento correto. E ao mesmo tempo, com o AIR Dividends que estamos a desenvolver, damos resposta a um perfil de investidor diferente: aquele que não quer especular, mas construir. Que não quer viver do mercado amanhã, mas com o mercado daqui a cinco ou dez anos.Como será feita a articulação entre o departamento de Research e as restantes áreas de negócio da empresa?O Research foi concebido para funcionar como um elemento transversal e não como uma área isolada. Na prática, a análise produzida alimentará diretamente os conteúdos da formação certificada, enriquecerá o acompanhamento contínuo feito no âmbito da mentoria, e reforçará a robustez das soluções desenvolvidas para os nossos clientes corporate. Mas há uma dimensão adicional que considero particularmente importante: estamos a desenvolver cursos especificamente dedicados à análise fundamental, para quem quer aprender a fazer o mesmo tipo de estudo que a nossa equipa de Research faz. Saber ler uma demonstração financeira, avaliar um modelo de negócio, construir uma tese de investimento, identificar catalisadores e riscos, são competências que até agora estavam fora do alcance de muitos investidores particulares, não por falta de capacidade, mas por falta de formação estruturada nessa área. Queremos mudar isso.A integração entre formação, mentoria e research é o que nos permite criar um ecossistema coerente, onde o cliente percebe que há uma linha de pensamento consistente em tudo o que recebe da AIR Trading. Não são serviços paralelos, são dimensões que se complementam e se reforçam mutuamente.Num contexto económico marcado pela incerteza, que papel pode o Research desempenhar na identificação de riscos e oportunidades?Em momentos de maior incerteza macro e geopolítica, a qualidade da análise é precisamente o que mais diferencia quem toma boas decisões de quem reage tarde ao que já aconteceu. O ruído é maior, as narrativas mudam com rapidez e os ciclos tradicionais foram profundamente distorcidos pela função de reação dos bancos centrais. Neste contexto, ter uma leitura estruturada do mercado, que integre a dimensão macro com a análise empresa a empresa e com o timing técnico, deixa de ser um luxo para se tornar uma necessidade.O Research permite antecipar tendências antes de elas se tornarem consenso, identificar zonas de entrada com melhor assimetria risco-retorno e, igualmente importante, ajudar o investidor a perceber quando deve abrandar ou parar.Saber parar num mercado agitado não é fraqueza, é gestão de risco inteligente.Até que ponto esta aposta reflete a ambição do Grupo AIR Trading de se posicionar como uma referência de inovação no seu setor?Reflete exatamente isso, mas com uma nuance importante: a nossa ambição não é inovar pela inovação. É inovar porque identificámos uma necessidade real dos nossos clientes que os instrumentos existentes não conseguiam responder de forma satisfatória. A criação do departamento de Research é a expressão natural de uma evolução que tem sido consistente desde o início: primeiro formação, depois mentoria, depois corporate, e agora research.Cada passo foi dado quando o anterior estava consolidado e quando percebemos que havia espaço para criar mais valor. É assim que queremos continuar a crescer, com método, sem queimar etapas e sem comprometer a qualidade daquilo que já fazemos bem.Que competências procuraram reunir na equipa que integra este novo departamento?Procurámos combinar competências que raramente coexistem numa mesma estrutura. Por um lado, análise fundamentalista com capacidade para avaliar empresas em profundidade, perceber modelos de negócio, ler demonstrações financeiras e construir teses de investimento com rigor. Por outro, uma leitura sólida do enquadramento macroeconómico e das dinâmicas de liquidez e política monetária que condicionam os mercados a médio e longo prazo. E transversal a tudo isto, a capacidade de integrar a análise técnica na execução, de forma a que a teoria se traduza em decisões concretas e com gestão de risco clara. A competência mais difícil de encontrar não é técnica, é a capacidade de pensar de forma integrada e de comunicar análise complexa de forma acessível e acionável. Existem planos para que os estudos e análises produzidos venham a ser partilhados com clientes, parceiros ou o mercado em geral?Já começámos. O AIR Stocks é o primeiro produto concreto desta estratégia de partilha, com relatórios quinzenais que chegam diretamente aos subscritores com uma tese de investimento completa e acionável. A seguir vem o AIR Dividends, que permitirá a quem quiser construir uma carteira de rendimento de longo prazo ter acesso a análise especializada nessa área. Paralelamente, os cursos de análise fundamental que estamos a desenvolver funcionarão também como um canal de partilha de conhecimento, mas com um objetivo diferente: não apenas dizer o que analisámos, mas ensinar a analisar.Para os investidores que acompanhamos na mentoria, o research terá um carácter mais personalizado, integrado no seu plano de investimento. Para os clientes corporate, será orientado para a tomada de decisão estratégica. E para o mercado em geral, queremos que a AIR Trading seja progressivamente reconhecida como uma referência de análise fundamental independente no espaço lusófono.Como imagina que esta nova estrutura poderá transformar o Grupo AIR Trading nos próximos cinco anos?A visão é a de um grupo que cobre todo o espetro do investidor em bolsa. Quem quer investir no curto prazo com base em análise técnica, encontra na AIR Trading a formação, a mentoria e as ferramentas para o fazer com rigor. Quem quer construir uma carteira de médio e longo prazo com base em análise fundamental, tem o AIR Stocks e o AIR Dividends. Quem quer aprender a fazer a sua própria análise, tem os cursos especializados que estamos a desenvolver. E quem precisa de uma solução integrada que combine as duas abordagens, também nos encontra.Nos próximos cinco anos, queremos ser reconhecidos não apenas como a referência na formação em mercados financeiros no espaço lusófono, mas como o grupo que tornou a análise fundamental acessível e acionável para o investidor particular de língua portuguesa. Porque os mercados são uma maratona, e o nosso trabalho é garantir que os nossos clientes têm as melhores ferramentas para a correr, seja qual for o ritmo que escolherem. O conteúdo «A análise relevante está concentrada em grandes instituições, fundos e family offices», afirma Bernardo Barcelos aparece primeiro em Revista Líder.