Longevidade está a mudar o imobiliário: compradores procuram casas para viver melhor durante mais tempo

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A localização continua a ser importante, mas já não é suficiente. No mercado imobiliário de luxo, os compradores estão a redefinir os critérios de escolha de uma casa e a colocar a longevidade, o bem-estar e a qualidade de vida no centro da decisão.A conclusão é do relatório Mid-Year Luxury Outlook 2026, divulgado pela Portugal Sotheby’s International Realty, que identifica a longevidade como uma das tendências mais influentes no imobiliário de luxo global. A nova geração de compradores procura cada vez mais imóveis preparados para promover a saúde, a autonomia, o conforto e o envelhecimento em casa, sem abdicar da privacidade e do estilo de vida. O luxo residencial está a mudarSegundo o relatório, os compradores procuram casas concebidas para acompanhar diferentes fases da vida, integrando soluções de wellness, tecnologia inteligente, espaços adaptáveis e uma ligação mais próxima à natureza.O objetivo já não passa apenas por adquirir um ativo imobiliário de elevado valor, mas por investir num estilo de vida capaz de promover saúde física e mental, conforto e independência a longo prazo. «Estamos perante uma evolução muito clara no conceito de luxo no setor do imobiliário. Os compradores já não procuram apenas uma propriedade exclusiva ou uma localização de prestígio, procuram uma casa que responda à forma como querem viver, trabalhar, cuidar da família e envelhecer», afirma Miguel Poisson, CEO da Portugal Sotheby’s International Realty. A economia da longevidade está a impulsionar o mercadoA tendência acompanha o crescimento da chamada economia da longevidade, um dos segmentos com maior potencial de expansão na próxima década. Segundo estimativas da UBS Global Wealth Management citadas no estudo, este mercado deverá crescer de 5,3 biliões de dólares em 2023 para 8 biliões de dólares em 2030.Em paralelo, o segmento de wellness real estate — imóveis concebidos para promover o bem-estar dos residentes — mais do que duplicou nos últimos cinco anos e deverá ultrapassar 1,1 biliões de dólares até 2029.Esta evolução está a influenciar diretamente as decisões de compra. Quase 38% dos profissionais que trabalham com propriedades acima dos 10 milhões de dólares afirmam que a possibilidade de envelhecer na própria residência, mantendo conforto, autonomia e qualidade de vida, é hoje um fator cada vez mais relevante para os clientes. Portugal beneficia da procura por qualidade de vidaNeste novo contexto, Portugal surge numa posição privilegiada. A combinação de segurança, clima ameno, proximidade ao mar, qualidade dos serviços, gastronomia, património cultural e conectividade internacional continua a atrair compradores nacionais e estrangeiros que procuram mais do que uma residência de luxo.Lisboa, Cascais, Estoril, Comporta, Algarve, Porto e Madeira destacam-se como destinos capazes de responder às exigências de uma nova geração de investidores que valoriza não apenas a preservação de património, mas também a qualidade de vida.O relatório sugere que Portugal está a afirmar-se cada vez mais como uma escolha residencial permanente, e não apenas como um destino para segunda habitação ou investimento. Millennials estão a transformar o mercado de luxoOutra das tendências identificadas é a mudança do perfil dos compradores. Segundo o inquérito realizado pela Sotheby’s International Realty junto da sua rede global, 66% dos profissionais reportaram um aumento do número de compradores Millennials no segmento de luxo. Entre os consultores que trabalham com imóveis acima dos cinco milhões de dólares, essa percentagem sobe para 73%.Este crescimento está associado à criação de riqueza em setores como tecnologia, mercados financeiros e ativos digitais, bem como à crescente transferência intergeracional de património. O resultado é um mercado mais competitivo e global, onde os compradores são mais exigentes e procuram imóveis capazes de combinar valorização financeira, bem-estar, privacidade e legado familiar. O estilo de vida tornou-se mais importante do que os impostosUma das conclusões mais reveladoras do estudo prende-se com a crescente importância do lifestyle. Quando questionados sobre os fatores que mais influenciam as decisões dos compradores de luxo, 62% dos profissionais imobiliários apontam o estilo de vida como um critério cada vez mais determinante, acima de fatores tradicionalmente relevantes como a fiscalidade, a estabilidade económica ou a estabilidade política.A tendência demonstra que os compradores de elevado património estão a privilegiar destinos que ofereçam uma experiência de vida diferenciadora, marcada pela segurança, bem-estar, contacto com a natureza, acesso a serviços de qualidade e oportunidades de lazer. Um mercado cada vez mais resilienteApesar das incertezas económicas globais, o segmento de luxo continua a demonstrar uma capacidade de resistência superior à do mercado residencial tradicional. Mais de metade dos profissionais inquiridos que operam no segmento acima dos 10 milhões de dólares reportaram um aumento do número de compradores nos últimos 12 meses, acompanhado por uma valorização média dos preços na ordem dos 5%.À medida que a riqueza global continua a crescer e que o conceito de luxo evolui para uma visão mais centrada na saúde e na qualidade de vida, tudo indica que a longevidade deixará de ser apenas uma tendência para se tornar um dos principais motores do imobiliário premium na próxima década.O conteúdo Longevidade está a mudar o imobiliário: compradores procuram casas para viver melhor durante mais tempo aparece primeiro em Revista Líder.