A Irani, fabricante de papel para embalagens e papelão ondulado, avança em um novo ciclo de investimentos com foco em eficiência operacional, aumento de capacidade produtiva e expansão geográfica. Após aprovar o projeto Gaia XII, voltado à modernização de uma de suas máquinas de papel, a companhia já prepara um plano para mais do que dobrar de tamanho nos próximos anos.Segundo o diretor de Administração, Finanças e Relações com Investidores da empresa, André Camargo de Carvalho, o principal critério para aprovação dos investimentos é a geração de valor para os acionistas. O projeto prevê investimentos de R$ 514 milhões em Capex bruto (despesas de capital) e R$ 453 milhões em Capex líquido.“Mesmo com as taxas de juros em níveis elevados, o projeto apresenta retorno acima do custo de capital da companhia. Essa é uma condição fundamental para qualquer investimento aprovado pela Irani”, afirmou à CNN Brasil. Leia Mais Tereos projeta moagem de 18 milhões de toneladas para a safra 2026/27 EXCLUSIVO: Nitro investe R$ 15 milhões em nova tecnologia para soja Demanda em alta e novos mercados impulsionam etanol no Brasil O projeto Gaia XII prevê a modernização da máquina de papel MP#7, elevando sua capacidade de produção de 60 mil toneladas para 96 mil toneladas anuais, um aumento de 60%.Além do ganho de escala, a companhia espera avanços em eficiência operacional, qualidade do produto e sustentabilidade.Segundo Carvalho, a iniciativa permitirá a produção de papéis com menor gramatura e melhor desempenho, além de reduzir a emissão de carbono por tonelada produzida. “O projeto não traz apenas aumento de capacidade. Ele melhora a qualidade do papel, reduz consumo de recursos e torna todo o processo produtivo mais eficiente”, destacou.Um dos fatores que sustentaram a aprovação do investimento foi justamente o perfil do projeto. Diferentemente de expansões dependentes de novas vendas ou de condições favoráveis de mercado, a modernização está concentrada em ganhos internos de produtividade.Todo o volume adicional produzido será destinado ao abastecimento das próprias operações de conversão da companhia, onde o papel é transformado em embalagens de papelão ondulado.“A captura de valor está muito mais dentro de casa do que dependente de fatores externos. Isso torna o investimento mais seguro em um ambiente de incertezas macroeconômicas”, explicou o executivo.Governo acelera negociações para concluir Plano Safra 2026/27 | CNN AGRO NEWSMercado doméstico sustenta estratégiaA Irani tem atualmente menos de 20% de sua receita ligada ao mercado externo. A maior parte dos negócios está concentrada no Brasil, especialmente em segmentos ligados ao consumo de alimentos.Para a companhia, o setor alimentício continuará sendo uma das principais avenidas de crescimento nos próximos anos. “O mercado de alimentos é extremamente resiliente. As pessoas podem mudar hábitos de consumo, mas continuam consumindo alimentos. Isso dá estabilidade à demanda por embalagens”, afirmou Carvalho.A avaliação da empresa é que o Brasil seguirá ampliando sua relevância como produtor e exportador global de alimentos, o que deve sustentar a expansão da demanda por embalagens industriais.Historicamente, o mercado brasileiro de papelão ondulado cresce cerca de 2,5% ao ano em volume, ritmo que a companhia utiliza como referência em suas projeções de longo prazo. Com participação de aproximadamente 4% nesse mercado, a Irani acredita haver espaço significativo para expansão.Plano prevê crescimentoAlém do Gaia XII, a companhia apresentou durante seu Investor Day uma visão estratégica de longo prazo que prevê a construção de duas novas fábricas de embalagens e uma nova unidade de produção de papel.O plano, chamado internamente de Plataforma Neos, ainda depende de aprovação formal do conselho de administração, mas já tem diretrizes definidas.A primeira unidade prevista terá capacidade para produzir 120 mil toneladas anuais de papelão ondulado, volume próximo a 70% de toda a capacidade atual da companhia, estimada em cerca de 170 mil toneladas por ano. A expectativa da administração é submeter o projeto para aprovação ainda em 2026.A região considerada prioritária para receber o investimento está localizada entre o Sul de Minas Gerais e o interior paulista, área vista pela companhia como estratégica devido à elevada concentração de clientes industriais.Segundo Carvalho, a proximidade com os consumidores é um fator decisivo para a competitividade do setor. “O papelão ondulado é um produto leve, mas ocupa muito espaço no transporte. Por isso, estar próximo dos clientes é fundamental para reduzir custos logísticos e aumentar a competitividade.”Caso as duas plantas previstas sejam construídas, a capacidade instalada da companhia poderá mais que dobrar ao longo da próxima década.Embora a empresa ainda não tenha divulgado valores de investimento ou projeções financeiras para a nova fase de expansão, a administração reforça que todos os projetos deverão seguir a mesma disciplina financeira.Como o produtor financia a safra no Brasil?