Anthropic está no centro da uma disputa “caótica” de regulação nos EUA

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A Anthropic, uma das empresas de inteligência artificial mais valiosas do mundo, está no centro de uma disputa com o governo dos Estados Unidos que expõe a falta de clareza na regulamentação de IA no país.Em poucos dias após o lançamento de seu modelo mais sofisticado, o governo Trump classificou o sistema como risco à segurança nacional e impôs um embargo à exportação, impedindo até funcionários da própria Anthropic de utilizá-lo.A empresa discorda da avaliação do governo e afirma que a vulnerabilidade encontrada não justifica uma reação tão drástica.O impasse entre a Anthropic e a administração Trump evidencia um problema mais amplo: a ausência de um marco regulatório transparente e consistente para a inteligência artificial nos Estados Unidos.O histórico de atritos entre a Anthropic e o governo é recente. Antes do episódio atual, a empresa já havia entrado em conflito com o Pentágono por discordar de modificações solicitadas nos sistemas de IA para uso militar, o que levou o Departamento de Defesa a classificar a Anthropic como “risco à cadeia de suprimentos”. BNDES alcança R$ 1,15 trilhão em ativos, diz Mercadante Petróleo cai em meio a "negociações construtivas" entre EUA e Irã VivaTech reúne 200 mil pessoas e 15 mil startups de tecnologia em Paris Em seguida, o modelo de IA chamado Mythos gerou preocupações de cibersegurança por ser extremamente eficiente em identificar falhas de sistemas. A Anthropic lançou o Mythos apenas para parceiros selecionados, disponibilizando ao público uma versão com restrições chamada Fable 5, em 9 de junho.O governo Trump então alegou que parte dessas restrições havia falhado, potencialmente permitindo que hackers utilizassem o modelo como ferramenta avançada. A Anthropic suspendeu o acesso ao Mythos e ao Fable para cumprir a determinação governamental.A empresa afirmou, em nota divulgada em 12 de junho, que não recebeu detalhes específicos sobre a preocupação de segurança nacional que motivou o embargo. Segundo uma fonte próxima à companhia, a Anthropic teve apenas 90 minutos para retirar os modelos do ar.Dezenas de pesquisadores de cibersegurança, empreendedores e executivos assinaram uma carta aberta criticando as ações do governo e pedindo à administração Trump que adote “um processo aberto, científico e transparente para lidar com avaliações de risco de IA no futuro”.O documento também destacou que modelos avançados de IA podem ser usados por agentes bem-intencionados: “Retirar as melhores capacidades dos defensores sem uma boa razão, enquanto nossos adversários avançam rapidamente, é perigoso”, afirmam os signatários.Alguns especialistas questionaram a gravidade da vulnerabilidade encontrada, que, segundo uma fonte familiarizada com o caso, foi reportada ao governo pela Amazon.O ex-diretor de segurança do Facebook, Alex Stamos, disse ter analisado a pesquisa que embasou a decisão do governo e discordou da conclusão: “Havia algumas descobertas válidas, mas nenhuma capacidade única que justifique uma reação próxima a esta”, escreveu no X.Crescimento da receita elevou a Anthropic, diz especialista | MONEY NEWSDo lado do governo, o conselheiro de Trump e ex-czar de IA da Casa Branca, David Sacks, rebateu a ideia de que a vulnerabilidade não é grave: “É difícil entender como poderiam afirmar que uma falha que permite a operação de uma arma cibernética não é “séria””, escreveu também no X.As negociações entre a Anthropic e o governo continuam. Trump afirmou na cúpula do G7, na quarta-feira, que as conversas estão “indo bem”, e em entrevista ao Axios publicada na sexta-feira declarou que não considera mais a empresa uma ameaça à segurança nacional: “Bem, não agora, mas há uma semana, talvez.”No campo regulatório mais amplo, o governo Trump tem adotado uma abordagem permissiva em relação à IA, priorizando a inovação para manter os Estados Unidos à frente de rivais como a China. A administração revogou políticas da era Biden, como exigências obrigatórias de relatórios de segurança, em favor de frameworks voluntários.Em março, Trump lançou um plano nacional de política de IA com recomendações ao Congresso, mas sem propor um órgão regulador único.No início deste mês, um decreto pediu que empresas de IA compartilhassem voluntariamente seus modelos mais avançados com o governo para avaliação de cibersegurança antes do lançamento público — mas o próprio Trump atrasou a medida por temer que ela “atrapalhasse” a inovação americana.Estados também têm agido por conta própria: a Califórnia aprovou lei exigindo frameworks de risco e proteção a denunciantes, enquanto a Flórida abriu investigação criminal contra a OpenAI e a processa alegando danos a crianças e consumidores.Para especialistas, a forma como o governo tem lidado com a Anthropic pode criar um precedente preocupante.“O dano não para em uma empresa. Uma administração que governa dessa forma não evitará a regulamentação pesada que teme”, escreveu Jessica Tillipman, vice-diretora de direito de contratação governamental da Universidade George Washington.Brad Carson, do grupo bipartidário Public First, resumiu o problema: “Agora, temos uma abordagem ad hoc, personalizada, opaca e possivelmente ilegal.”Veja empregos que ganham e perdem com a inteligência artificial