Novo sistema de rastreabilidade passa a valer a partir de 1º de julho

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A partir da próxima quarta-feira (1º de julho) o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento implementará um novo sistema de rastreabilidade e fiscalização para a produção pecuária, baseado no ciclo completo de vida dos animais para atender às exigências da União Europeia sobre o “não uso de antimicrobianos”.Nós procuramos a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) que representa os setores de aves e suínos e a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne).As duas entidades ainda não se manifestaram sobre a data para a implantação do sistema, a partir dessa semana, e o espaço segue aberto.Setores pecuários não se organizaram a tempo para evitar o bloqueio das exportaçõesApesar do governo e de entidades do setor terem declarado surpresa, quando a União Europeia tirou o Brasil da lista de países aptos a exportar, essa determinação é antiga. Em 2019 o bloco anunciou a intenção de proibir o uso de antimicrobianos na produção animal. Em 2023 formalizou a decisão e deu prazo para os países exportadores se adequarem. E esse prazo é 03 de setembro de 2026.No setor de aves medidas de rastreabilidade devem ser facilmente implantadas. Primeiro porque o ciclo de produção é curto, em torno de 40 dias entre o nascimento e abate. Segundo, porque os sistemas de produção são integrados. Indústrias, cooperativas e avicultores trabalham juntos. Fornecem as aves e os insumos para que os produtores cuidem do trato, o que facilita o monitoramento e a comprovação com documentos de todo o sistema produtivo.Grande parte da suinocultura também trabalha em sistemas integrados. Porém o ciclo é um pouco mais longo. Cerca de 150 dias o que resultaria na possível adequação no fim de 2026. Leia Mais Protocolo de transição ainda está em discussão para exigências da UE Brasil segue fora de lista europeia para exportações pecuárias Ministério já enviou comprovações à UE sobre antimicrobianos, diz Lupion O desafio está no ciclo longo da cadeia produtiva da carneJá no setor de carne bovina a aplicação de um sistema de monitoramento a partir do nascimento dos animais resultaria em 2 anos de vendas suspensas, no mínimo. O ciclo da atividade é longo, de 24 a 36 meses entre o nascimento e o abate dependendo do sistema produtivo. Além disso os animais passam por diferentes propriedades ao longo do processo, um dos principais gargalos da rastreabilidade no Brasil.Em 1º de junho o governo publicou o Protocolo de Certificação para Bovinos Livres do Uso de Medicamentos Antimicrobianos, com regras específicas para o setor.Dias antes uma portaria proibiu o uso de substâncias usadas em tratamentos de humanos. Porém a suspensão do uso não foi imediata, as revendas ganharam 180 dias para venderem seus estoques. A lista de antimicrobianos que a UE proíbe é mais extensa. Além dos antibióticos fazem parte também os ionóforos. Usados na alimentação do rebanho eles ajudam a absorver melhor os nutrientes garantindo a conversão alimentar e maior ganho de peso, ou seja, rendimento de carne. Mesmo sem análogos para humanos a União Europeia restringe o uso.Os inóforos são amplamente utilizados nos sistemas de confinamentos, na fase de engorda e terminação do gado. O setor pecuário e o governo chegaram a propor um período de transição, com a suspensão do uso nos animais nessa fase final de engorda. O que foi negado pela UE que quer o controle documentado de todas as fases.Algumas entidades de criadores dizem não ter interesse em renunciar o uso dos ionóforos. Defendem a criação e a habilitação de “fazendas exclusivas”, que produzam de acordo com as regras da União Europeia e que recebam uma remuneração maior pela carne.O que Argentina e Uruguai fazem de diferenteO zootecnista e especialista em nutrição animal, Rogério Coan, explica que “diferentemente do Brasil a UE entende que a Argentina e o Uruguai conseguem estabelecer um rigor técnico quanto ao período de carência. A gente já teve, em várias circunstâncias, carne contaminada com antibiótico, com antiparasitário, com hormônio usado para reprodução…. A UE entende que a Argentina e o Uruguai seguem o protocolo e respeitam o período de carência, de suspensão do uso antes do abate”. Já o uso de antibióticos no rebanho é feito exclusivamente com prescrição de médico-veterinário e documentado num sistema ativo de rastreabilidade finaliza o especialista. E detalhar o que o animal usou, desde a originação, é o desafio do Brasil que segue atrasado em implantar um sistema.