Ligação com São Paulo levou Haddad a escolher Márcio França para chapa

Wait 5 sec.

A proximidade com o Estado de São Paulo foi o principal fator que levou o ex-ministro Márcio França (PSB) a ser escolhido para compor a chapa de Fernando Haddad (PT) na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (25) pelo próprio ex-ministro da Fazenda.Segundo interlocutores da pré-campanha, a avaliação é que França reúne uma trajetória ligada ao Estado. Além de ter sido prefeito de São Vicente, secretário de duas pastas no estado e governador e vice-governador de São Paulo, ele é da Baixada Santista e mantém forte ligação política com a região.O entendimento é que esse histórico dá a Márcio França maior conhecimento sobre a realidade paulista, o que pode ajudar na campanha e em caso de vitória. Além disso, a avaliação é que França mantém bom trânsito com prefeitos e, segundo o entendimento dos aliados do Planalto no Estado, pode atrair votos moderados e até de insatisfeitos com Tarcísio de Freitas (Republicanos) para a chapa. Ele também é visto, justamente pela experiência em São Paulo, como o nome mais preparado para substituir Haddad em uma eventual ausência durante a campanha ou, posteriormente, no exercício do cargo.As outras alternativas discutidas para a vaga, as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), passaram a ser vistas como nomes de atuação mais nacional. Além disso, segundo integrantes da pré-campanha, ambas aparecem em posição mais favorável nos trackings para a disputa ao Senado Federal, o que reforçou a decisão de mantê-las nessa corrida.A decisão foi passada ao crivo de Haddad na última quarta-feira (24), após uma reunião em Brasília com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os três nomes que estavam sendo analisados para a composição da chapa. Segundo Haddad, durante o encontro, todos afirmaram estar à disposição para disputar qualquer cargo, cabendo a ele a escolha. Antes da reunião, no entanto, Lula já havia manifestado a preferência pela composição com Haddad e Márcio França, como antecipou a coluna.França chegou a avaliar a possibilidade de disputar o governo de São Paulo em candidatura própria. A justificativa apresentada era a de que uma segunda candidatura do campo da esquerda poderia aumentar as chances de levar a eleição para o segundo turno, cenário considerado improvável diante da concentração da disputa entre Haddad e o governador Tarcísio de Freitas.A hipótese, porém, encontrou resistência no PT. Entre aliados de Haddad, a avaliação era de que uma candidatura de Márcio França ao governo transmitiria uma imagem de divisão no campo da esquerda. O entendimento é que a necessidade de dois candidatos para enfrentar Tarcísio poderia enfraquecer o discurso de unidade adotado pela campanha.Por outro lado, como mostrou a coluna, integrantes da pré-campanha de Tarcísio gostaram da decisão. Nos bastidores, a avaliação é que a escolha do ex-ministro Márcio França é o cenário mais favorável para o grupo do governador. O entendimento é que outros nomes que chegaram a ser cogitados para a vaga teriam maior potencial eleitoral.