Micron dispara após resultados e contratos bilionários redefinirem setor de memória

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A Micron Technology (MU) divulgou resultados e projeções que superaram com folga as expectativas do mercado, reforçando a transformação estrutural em curso na indústria global de memória. Após o balanço, as ações da companhia subiram cerca de 12% no after market, impulsionadas por números acima do consenso e por sinais de forte visibilidade de demanda. No terceiro trimestre fiscal de 2026, a empresa reportou receita de US$ 41,46 bilhões, bem acima das estimativas de US$ 35,85 bilhões. O lucro ajustado por ação atingiu US$ 25,11, também superando as projeções de mercado, de US$ 20,78. Já para o quarto trimestre, a Micron indicou lucro por ação de cerca de US$ 31 (cerca de US$ 1), contra expectativa de US$ 25,84. Com isso, as ações saltavam 16% na tarde desta quinta-feira (25). Segundo análise do Itaú BBA, os resultados vieram acompanhados de um crescimento anual de receita de 346% e margem bruta próxima de 85%, evidenciando o forte momento operacional da companhia.Contratos bilionários dão previsibilidade inéditaUm dos principais destaques foi o avanço dos chamados Strategic Customer Agreements (SCAs) — contratos de longo prazo firmados com grandes clientes, especialmente do setor de data centers. Ao todo, a Micron assinou 16 acordos desse tipo, que somam cerca de US$ 100 bilhões em receita contratada futura, segundo o Itaú BBA. Esses contratos envolvem compromissos financeiros de aproximadamente US$ 22 bilhões por parte dos clientes, sob estrutura take-or-pay (compromisso mínimo de compra), além de depósitos em dinheiro e mecanismos de preços mínimos. A estratégia tem como objetivo reduzir a volatilidade da demanda e proteger margens, marcando uma mudança relevante no modelo de negócios da indústria.Leia tambémPerdas de megacaps de tecnologia compensam ganhos da Micron e Nasdaq caiA Apple caía 4,8%, enquanto a Nvidia, a Microsoft e a Alphabet registravam quedas entre 1,5% e 2,7%Ações globais de chips sobem à medida que resultados da Micron reacendem alta da IAOutras ações de empresas de semicondutores listadas nos EUA também se valorizavamAs chamadas obrigações de desempenho remanescentes (RPO), indicador de receita futura já contratada, também giram em torno de US$ 100 bilhões, reforçando a visibilidade para os próximos anos.De acordo com o Itaú BBA, os SCAs podem cobrir mais de metade da receita da empresa no futuro, o que sustenta a tese de menor ciclicidade do setor e dá suporte a múltiplos mais elevados. IA amplia escassez e sustenta preços elevadosA forte demanda por aplicações de inteligência artificial é o principal motor dessa mudança. A Micron é uma das principais fornecedoras de memória para servidores que utilizam chips de IA da Nvidia, e se beneficia diretamente da expansão desse mercado.A companhia afirmou que a procura por seus produtos — especialmente memórias avançadas como HBM (high bandwidth memory) — continua muito acima da capacidade de oferta, cenário que favorece preços mais altos. O desequilíbrio deve persistir por vários anos.“Esperamos que as condições de escassez persistam além de 2027”, afirmou o CEO Sanjay Mehrotra, citando a combinação entre demanda estrutural impulsionada por IA e limitações na expansão da oferta.O Itaú BBA corrobora essa visão e destaca que a oferta global de memória segue pressionada por restrições estruturais, como escassez de mão de obra especializada, limitações em fábricas e a complexidade tecnológica do setor. HBM acelera e vira peça-chaveDentro desse contexto, a memória HBM — essencial para aplicações de IA — ganha protagonismo. A Micron revisou sua estimativa para o mercado global desse segmento e agora espera que ele ultrapasse US$ 100 bilhões já em 2027, um ano antes do previsto.A demanda por HBM já está contratada até 2027 e 2028, com níveis que excedem a capacidade produtiva da empresa, evidenciando a pressão sobre a oferta. Apesar disso, a companhia adota uma estratégia de diversificação e evita concentrar excessivamente seu portfólio nesse segmento, mantendo presença relevante em outros mercados, como automotivo e consumo.Forte geração de caixa e retorno ao acionistaCom a forte expansão de receitas e margens, a geração de caixa da Micron também se acelerou significativamente. O Itaú BBA estima fluxo de caixa livre de aproximadamente US$ 17 bilhões por trimestre no terceiro trimestre de 2026. A companhia pretende direcionar esse excedente prioritariamente para recompras de ações, com aceleração dos retornos a partir de dezembro de 2026, após restrições ligadas ao CHIPS Act. No longo prazo, a meta é devolver até 100% do caixa excedente aos acionistas.Ao mesmo tempo, a empresa segue investindo fortemente para expandir sua capacidade produtiva. A Micron projeta capex de cerca de US$ 10 bilhões no quarto trimestre, acima das expectativas do mercado.Projetos industriais estão em andamento em diversas regiões, incluindo Estados Unidos, Taiwan e Singapura, mas parte relevante dessa capacidade só deve entrar em operação a partir de 2027 e 2028, o que ajuda a manter o mercado apertado no curto prazo.Reprecificação do setorDiante desse cenário, o Itaú BBA elevou o preço-alvo da ação para US$ 1.697, o que implica potencial de valorização de cerca de 62% frente aos níveis atuais.Na avaliação do banco, a combinação entre contratos de longo prazo, demanda estrutural ligada à IA e restrições persistentes de oferta representa uma mudança significativa no perfil da indústria.Esse novo ambiente tende a reduzir a ciclicidade histórica do setor de memória, aumentar a previsibilidade de resultados e favorecer uma reprecificação das ações — com maior peso para múltiplos baseados em lucro, e não apenas valor patrimonial.The post Micron dispara após resultados e contratos bilionários redefinirem setor de memória appeared first on InfoMoney.