Os avanços em computação quântica anunciados pela Microsoft no início de 2025 foram questionados pelo físico da Universidade de St Andrews (Escócia), Henry Legg, em um estudo publicado na revista Nature na quarta-feira (24). De acordo com ele, a empresa ainda não conseguiu comprovar a inovação tecnológica que afirmou ter criado.A crítica se refere ao Majorana 1, apresentado como o primeiro chip quântico baseado na arquitetura de qubits topológicos, com o qual serão desenvolvidos futuros supercomputadores poderosos. A gigante de Redmond, que já lançou a segunda geração do sistema, refutou as alegações do especialista, mantendo sua posição.Dados controversosSegundo o cientista britânico, os resultados apresentados pela Microsoft ao afirmar ter criado uma partícula de Majorana são inconsistentes. Para ele, a big tech pode ter desenvolvido, na verdade, uma estrutura a partir da formação de pontos quânticos, que contém elétrons.“No ano passado, a Microsoft afirmou ter construído o equivalente a um relógio suíço de precisão. No entanto, quando abri a caixa para examinar o mecanismo, encontrei o que parecia uma mistura caótica de peças incompatíveis”, escreveu Legg;O físico aponta que o mecanismo apresentado não é suficiente para a construção de um computador quântico, ao contrário do que afirma a dona do Windows;Ele também criticou a pouca quantidade de dados disponibilizados pela companhia para análises independentes;Conforme o pesquisador, o compartilhamento completo das informações é essencial para a validação ou rejeição da tecnologia pela comunidade científica.O chip Majorana 2 tem os mesmos problemas da geração anterior, segundo o físico. (Imagem: Microsoft/Divulgação)Vale destacar que a análise feita por Legg foi publicada pela primeira vez em fevereiro de 2025, dias depois do anúncio do Majorana 1. A versão divulgada agora foi revisada por pares e disponibilizada na íntegra já com as correções.Em entrevista ao The Verge, o autor do artigo disse que o chip Majorana 2, anunciado no início de junho, tem os mesmos problemas identificados anteriormente, não resolvendo as inconsistências destacadas por ele e outros especialistas. Microsoft contesta interpretaçãoRespondendo ao físico britânico, a gigante da tecnologia sugeriu que a investigação pode ter se equivocado ao interpretar os resultados do projeto. A empresa também disse que usa abordagem baseada em uma teoria robusta e que está há 20 anos desenvolvendo a iniciativa.Quanto ao compartilhamento de dados, a Microsoft ressaltou que a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada dos Estados Unidos (DARPA) tem acesso a todas as informações para uma análise independente. No entanto, alguns desses documentos não podem ser divulgados amplamente por conterem dados “comercialmente sensíveis”.Não sabe o que é computação quântica? Siga no TecMundo e entenda o conceito nesta matéria.