A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) publicou sua Avaliação de Impacto Regulatório propondo alterações na metodologia do Fator X para as Distribuidoras de Energia Elétrica, com foco no componente de produtividade (Pd).Na avaliação dos analistas Bank of America, Gustavo Faria e André Silveira, a proposta está alinhada com a agenda da entidade de modernizar a regulação da distribuição, tornando as tarifas mais responsivas a um setor que está se tornando mais complexo.Leia tambémCopasa: BBI eleva recomendação para compra com foco em crescimento e dividendosEntrada da Equatorial pode acelerar ganhos de eficiência e melhorar a alocação de capital,No recorte por empresas, o BofA aponta CPFL (CPFE3) e Equatorial (EQTL3) como as principais beneficiárias das mudanças, enquanto a Energisa (ENGI11) aparece como a mais impactada negativamente. Ainda assim, os analistas destacam que essas simulações devem ser vistas mais como um teste de estresse preliminar do que como uma avaliação definitiva, uma vez que o tema ainda passará por consulta pública e pode sofrer ajustes relevantes.Com isso, o impacto estimado sobre o valor presente líquido (VPL) das companhias tende a ser parcialmente mitigado ao longo do processo de discussão regulatória. No geral, o BofA avalia que os efeitos parecem administráveis e, neste momento, insuficientes para justificar revisões materiais nas estimativas do setor.Já o Itaú BBA avalia que os parâmetros atuais estão defasados e têm gerado impacto negativo para as distribuidoras. Nesse contexto, qualquer atualização — seja pela simples atualização de dados ou por mudança metodológica — tende a reduzir esse efeito estrutural negativo do componente Pd, resultando em impacto tarifário potencialmente positivo para as companhias do setor.O que é Fator X?O Fator X é um mecanismo da regulação por incentivos aplicado às distribuidoras de energia elétrica no Brasil. Ele incide sobre a margem de distribuição e serve para reduzir os reajustes tarifários anuais, a partir de uma estimativa dos ganhos de produtividade das empresas. Na prática, a ideia é simples: conforme as distribuidoras ficam mais eficientes ao longo do tempo, parte dessa eficiência deve ser repassada aos consumidores na forma de tarifas menores do que seriam sem esse ganho.Dentro do Fator X, o componente Pd representa a produtividade. Ele busca medir a relação entre o crescimento da produção e o uso de insumos necessários para prestar o serviço, capturando justamente os ganhos de eficiência operacional das companhias.Propostas em discussãoSegundo o Itaú BBA, há cinco propostas principais em análise. Duas delas mantêm o status atual: uma preserva a fórmula vigente baseada no período de 2013 a 2018, enquanto a outra mantém a metodologia, mas atualiza a base de dados para 2018 a 2024.As outras três propostas trazem mudanças mais estruturais, com destaque para a incorporação de métricas baseadas em TOTEX (despesa total) ou na produtividade total dos fatores (PTF) das distribuidoras. A proposta indicada pela ANEEL sugere uma combinação de 50% PTF do setor e 50% PTF individual das distribuidoras, com atualização anual e captura dinâmica tanto de CAPEX (gastos de capital) quanto de OPEX (gastos operacionais).Entre as propostas que alteram a metodologia, os investimentos passam a ser incorporados de duas formas principais: (i) um modelo TOTEX relativo, no qual a variação do TOTEX de cada empresa é comparada à mediana do setor; e (ii) um modelo em que a produtividade total dos fatores (PTF) é calculada em cada processo tarifário, utilizando CAPEX e OPEX como insumos tanto para o setor quanto para as empresas.Em ambos os casos, a dinâmica de investimentos passa a ser incorporada de forma contínua ao processo regulatório, representando uma mudança relevante em relação ao modelo atual, no qual o reconhecimento de investimentos é menos frequente e mais defasado no tempo.The post Aneel revisa Fator X e pode redesenhar vencedoras e perdedoras no setor elétrico appeared first on InfoMoney.