A reforma tributária deve pressionar os lucros das locadoras de veículos nos próximos anos, mas o impacto positivo sobre a geração de caixa tende a compensar parte desse efeito, segundo análise do Bank of America (BofA) divulgada nesta quinta-feira (25).Com essa leitura, o banco subiu sua recomendação para a Movida (MOVI3) e manteve visão positiva para a Localiza (RENT3), citando os benefícios da transição para o novo modelo de Imposto sobre Valor Agregado (IVA).A Lei Complementar 214/2025 criou regras específicas para a transição do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) aplicadas à venda de ativos imobilizados. Isso significa que o modelo antecipa créditos tributários relacionados aos investimentos em frota e reduz a carga efetiva na desmobilização dos veículos adquiridos durante o período de transição.“Após anos fornecendo análises de sensibilidade, agora vemos visibilidade suficiente para incorporar a reforma tributária do Brasil nos modelos da Localiza e da Movida, e esperamos que o impacto do IVA seja digerido de forma mais construtiva do que o consenso ao longo dos próximos meses”, afirmam os analistas. “Embora as revisões de lucros possam ser negativas, o lucro deve se tornar uma âncora menos relevante, com a geração de caixa oferecendo uma visão mais construtiva”.Com base nessa tese, o BofA elevou a recomendação da Movida (MOVI3) para compra, estabelecendo preço-alvo de R$ 15 (o que representa um potencial de alta de 56%). O banco também reiterou a recomendação de compra para a Localiza (RENT3), estipulando um preço-alvo de R$ 60, com potencial de valorização de 44%.Leia tambémIbovespa sobe 1,5% após série de dados dos EUA e Brasil: qual saldo para o mercado?IPCA-15, relatório trimestral de inflação, PIB dos EUA e PCE estão no radar dos investidoresTransição tributáriaDe acordo com a projeção do banco, caso as tarifas de aluguel permaneçam inalteradas, a transição para o novo modelo de IVA (Imposto sobre Valor Agregado) deve injetar R$ 3,3 bilhões de fluxo de caixa incremental para a Localiza no biênio 2027-28, o que equivale a 7,5% do seu valor de mercado. Para a Movida, o ganho projetado é de R$ 1,2 bilhão, correspondendo a expressivos 31% do seu valor de mercado.Além disso, o documento aponta que esse ganho ocorre porque os créditos de Capex (Despesas de capital) sobem rapidamente, enquanto a expansão nas deduções de Seminovos demora mais para afetar o caixa. Na análise do banco, a Movida é a maior beneficiária relativa do novo cenário. “A Movida se sai melhor, pois seu maior benefício relativo de fluxo de caixa e menores aumentos tarifários necessários estreitam o gap de lucratividade em relação à Localiza, compensando mais do que o arrasto de uma base de capital menor”, ressalta o documento.Leia tambémAções globais de chips sobem à medida que resultados da Micron reacendem alta da IAOutras ações de empresas de semicondutores listadas nos EUA também se valorizavamApesar do otimismo com o caixa, o BofA cortou a estimativa de lucro líquido da Movida para 2027, reduzindo-a de R$ 725 milhões para R$ 448 milhões. Essa queda reflete o impacto de R$ 0,10 por ação decorrente do IVA, uma taxa Selic de curto prazo mais alta e a previsão de recuo nos preços dos automóveis.Tarifas mais altasPara manter o spread de ROIC (Retorno sobre o capital investido) de longo prazo, o BofA estima que a Movida vai precisar aumentar o valor das tarifas em 8% no Rent-a-Car (Aluguel de carros) e em 4% na Gestão de Frotas até 2036. Para a Localiza, os aumentos necessários estimados são de 9% e 5%, respectivamente.Os analistas do BofA apontam que esse repasse é viável, especialmente porque o segmento corporativo responde por cerca de dois terços da demanda de mercado e possui mecanismos para mitigar a nova carga. Em contrapartida, o público Pessoa Física (que não recuperam os créditos tributários) pode enfrentar uma equação de acessibilidade menos favorável.Riscos de curto prazoComo principal fator de atenção para os próximos meses, o BofA alterou suas premissas para incorporar uma queda de 1 ponto percentual nos preços dos carros no Brasil entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027, motivada pelo aumento da concorrência doméstica e a expansão de marcas chinesas.Leia tambémJuros altos por mais tempo? LCAs e LCIs são opções para quem busca retorno com o CDIAmbiente de juros altos mantém atratividade, mas aumenta riscosOs analistas apontam que o mercado de usados exige monitoramento constante, pois os resultados das companhias dependem diretamente da estabilidade desse segmento.“A Localiza já antecipou parte dessa pressão por meio de premissas de depreciação mais altas, mas os lucros continuam altamente sensíveis a preços de carros mais fracos – especialmente para a Movida –, já que valores de revenda mais baixos podem pressionar rapidamente a depreciação e as margens de Seminovos”, conclui a instituição. O documento também lembra que taxas de juros acima do esperado e uma eventual desaceleração do crescimento econômico doméstico figuram como os principais riscos de baixa para os preços-alvo estipulados via Fluxo de Caixa Descontado (DCF) com base no Fluxo de Caixa Livre para o Acionista (FCFE).The post Reforma tributária impulsiona caixa e faz BofA elevar recomendação de Movida (MOVI3) appeared first on InfoMoney.