A campanha eleitoral já começou em Minas Gerais, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não sabe quem defenderá seu projeto no principal colégio eleitoral decisivo do país. A tentativa do Planalto de convencer a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), a disputar o governo estadual terminou, por enquanto, sem acordo e expôs as dificuldades do partido para montar seu palanque mineiro.O presidente nacional do PT, Edinho Silva, foi a Minas Gerais a pedido de Lula para tentar reverter a decisão de Marília, que prefere disputar uma vaga no Senado. A reunião, da qual também participou a presidente estadual do partido, deputada Leninha, terminou sem definição. Segundo o PT mineiro, as conversas continuarão nos próximos dias e uma decisão deve ser tomada na próxima semana.O impasse ocorre justamente quando a campanha começa a ganhar forma no Estado. A ausência de um candidato próprio dificulta a construção da narrativa eleitoral do petista e reduz a capacidade de nacionalizar a disputa em Minas.Leia tambémMoraes questiona a PGR sobre denúncia de Flávio sobre post que associa Lula a MaduroPolícia Federal concluiu que senador cometeu calúnia ao atribuir falsamente crimes ao presidente; Procuradoria terá 15 dias para decidir próximos passosLula deve dividir palanque na Bahia com Jaques Wagner após crise do MasterApós participar da Cúpula do Mercosul, presidente vai visitar as obras da Ponte Salvador–Ilha de Itaparica na quarta-feiraEstado-chaveCom quase 17 milhões de eleitores, Minas Gerais é considerado o maior campo de batalha das eleições presidenciais. Além do peso eleitoral, o Estado costuma refletir o comportamento do eleitorado nacional.Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro por pouco mais de 560 mil votos em Minas, resultado considerado decisivo para sua volta ao Palácio do Planalto. Ao mesmo tempo, os mineiros elegeram Romeu Zema (Novo) governador ainda no primeiro turno, consolidando o chamado “voto Lulema”, que combinou apoio ao petista para presidente e ao governador de direita no plano estadual.O comportamento reforça a importância de um palanque competitivo para influenciar o debate local e ampliar a transferência de votos para a disputa presidencial.O plano A fracassouDurante meses, Lula trabalhou para convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) a disputar o governo mineiro. A avaliação do Planalto era de que ele reunia perfil moderado e poderia ampliar a frente de apoio ao presidente em um Estado historicamente disputado. No entanto, Pacheco recusou a candidatura e obrigou o governo a mudar de estratégia.Antes de optar pela candidatura própria, o PT avaliou apoiar o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB). A alternativa perdeu força diante da resistência da direção estadual do partido, que lembra a trajetória política do emedebista no PSDB e seu apoio ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.Também houve conversas para reaproximar o partido do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, mas as negociações não prosperaram.Na semana passada, a bancada petista decidiu defender uma candidatura própria ao governo estadual, o que levou Lula a concentrar esforços sobre Marília Campos.Nem a direita fechou a contaSe o campo governista ainda procura um candidato, a oposição também não resolveu completamente sua situação em Minas.Nos bastidores do PL, o nome do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) continua sendo apontado como a alternativa mais competitiva para enfrentar o candidato governista. O acordo, porém, ainda não foi formalizado.Nos últimos dias, Cleitinho também passou a ser citado nas discussões internas do bolsonarismo depois de publicar uma manifestação em defesa da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro durante a troca pública de críticas entre ela e o senador Flávio Bolsonaro. O episódio evidenciou que as divergências nacionais também alcançam as negociações estaduais.The post Sem candidato, Lula vê disputa por Minas começar com vantagem para adversários appeared first on InfoMoney.