Mesmo com alívio nos combustíveis, passagem aérea segue pressionada nos EUA

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O preço do combustível de aviação caiu significativamente nas últimas semanas, mas as tarifas aéreas seguem elevadas.Apesar da queda de 40% no preço do querosene de aviação desde o pico registrado em abril, as companhias aéreas não têm planos de reverter os aumentos de passagens e taxas cobrados dos passageiros.No início da guerra com o Irã, o preço do combustível praticamente dobrou, levando as companhias aéreas a repassar os custos aos consumidores por meio de passagens mais caras, menos voos e taxas de bagagem mais altas. CNPJ passa a ter letras a partir de julho: Veja o que muda para empresas Contas do governo registram déficit primário de R$ 53 bilhões em maio Dólar ronda estabilidade após EUA e Irã suspenderem hostilidades na guerra “Não tínhamos escolha”, afirmou o CEO da Delta, Ed Bastian, citando os quase US$ 2 bilhões que grandes companhias como a Delta tiveram de pagar em razão dos aumentos de combustível neste trimestre.No entanto, as tarifas aéreas permanecem entre 15% e 20% mais altas do que há um ano, de acordo com dados do Deutsche Bank Securities, que acompanha centenas de tarifas publicadas.As companhias aumentaram os preços oito vezes desde a primavera no hemisfério norte, sendo a última delas há apenas duas semanas, segundo Mike Linenberg, analista do setor pelo Deutsche Bank Securities.A queda no preço do combustível ocorreu por dois motivos principais: a redução no número de voos pelas companhias aéreas diminuiu a demanda por querosene e, ao mesmo tempo, as refinarias americanas aumentaram a produção para aproveitar os preços mais altos, explicou o analista independente de petróleo Tom Kloza.Esses dois fatores combinados derrubaram os preços à vista do querosene em 40% desde o pico de abril, segundo dados da Airlines for America.As tarifas aéreas elevadas se sustentam principalmente pela forte demanda — os passageiros estão dispostos a pagar mais durante a movimentada temporada de verão — e pela oferta reduzida de assentos.Linenberg destacou que as companhias eliminaram voos menos populares e de tarifas mais baixas, e o fechamento da Spirit Airlines em maio agravou ainda mais a situação.Os executivos do setor deixaram claro que o principal fator que determina o preço das passagens é a relação entre oferta e demanda, e não o custo do combustível.“O preço das passagens vai ser ditado pelas condições de mercado, não por alguma fórmula acadêmica ou meta de recuperação calculada dos custos de combustível”, disse o CEO da Southwest Airlines, Bob Jordan, durante uma teleconferência de resultados em abril.O querosene de aviação é o segundo maior custo do setor — um jato comercial de corredor único consome cerca de 800 galões por hora.As três maiores companhias americanas — Delta, American e United — reportaram gastos US$ 1 bilhão maiores com combustível apenas no segundo trimestre. Ainda assim, segundo Linenberg, as receitas mais do que compensam esse aumento.Grande parte do setor precisa de receita extra, especialmente as companhias de baixo custo.“Pense no número de companhias que ainda não retornaram à lucratividade sustentável desde a Covid — você não pode continuar perdendo dinheiro ano após ano e esperar continuar operando”, disse o analista.O diretor comercial da United, Andrew Nocella, foi direto ao ponto em abril: “Quanto mais tempo os consumidores pagarem esses preços e as companhias se acostumarem com esse fluxo de receita, maior a probabilidade de ele se manter.”Algumas passagens mais baratas devem surgir no outono, mas isso ocorre naturalmente após a temporada de verão. Especialistas ainda esperam o mesmo percentual de aumento em relação a 2025.“Não é uma situação em que devemos esperar que as tarifas aéreas simplesmente esfriem”, disse Zach Griff, autor do boletim informativo do setor From the Tray Table. “E as taxas de bagagem são das mais difíceis de reverter. Você não verá as companhias recuando em coisas assim.”Análise: alta do querosene de aviação preocupa companhias aéreas e governo | MORNING CALLPassageiros ouvidos pela CNN no aeroporto Newark Liberty International, hub da United, disseram não estar satisfeitos com a manutenção das tarifas aéreas elevadas, mas também não se surpreenderam.“É sempre assim”, disse Ban Morel, que pagou US$ 100 em taxas de bagagem além de uma passagem de ida e volta para Porto Rico por US$ 400. “Os preços sempre sobem, mas nunca parecem cair.”Michael Boenisch, de 67 anos, que retornava de férias na Europa com a esposa, resumiu o sentimento de muitos: “Os preços sobem na hora e demoram uma eternidade para cair. Estou resignado, acho.”Ainda assim, ele não está satisfeito com o que recebe pelo dinheiro gasto. “Viagens aéreas são a única coisa que piorou na minha vida”, afirmou.Apesar dos custos mais altos, alguns passageiros não estão reduzindo seus planos de viagem. Shané Harris, que retornava de Washington com o marido Stefon e o filho Langston, planeja mais três viagens de avião no verão — para Atlanta, Indianapolis e Portugal.“Acho que estamos voando mais por causa das atividades dos nossos filhos”, disse ela. “É uma necessidade.”Brasil tem nova companhia aérea após autorização da Anac; conheça