“Pai do futebol”, independência e, claro, cerveja: as relações de Brasil e Escócia

Wait 5 sec.

Brasil e Escócia se enfrentam nesta quarta-feira (24) na última partida da fase de grupos da Copa do Mundo 2026. Os dois países têm relações diplomáticas desde 1825, por meio do Reino Unido, e ao longo do tempo ficaram marcadas principalmente pela influência da Escócia no Brasil.Ao longo de séculos, o encontro entre as nações aconteceu de forma mais intrínseca justamente por conta do futebol. O nome chave nesta relação é Charles Miller – que não à toa hoje batiza a praça onde está o Estádio do Pacaembu, em São Paulo. Ele era um brasileiro, filho de pai escocês que se mudou para o Brasil para trabalhar na São Paulo Railway Company. Miller foi estudar na Inglaterra ainda criança e lá conheceu o futebol.Ao voltar para o Brasil, em 1894, o jovem trouxe na mala bolas de futebol, chuteiras e as regras do esporte que veio a se tornar a paixão nacional. Miller ajudou a fundar o primeiro time brasileiro, o São Paulo Athletic Club, e a primeira liga de futebol do país, sendo responsável, ao lado de outros britânicos, por difundir o esporte no Brasil.Em campo, Brasil e EscóciaAlguns registros apontam que antes mesmo de Charles Miller chegar com as regras, o também escocês Thomas Donohoe organizou a primeira partida de futebol do Brasil em 1894. Ela aconteceu no bairro de Bangu, no Rio de Janeiro, onde ficava a Fábrica Bangu, local de trabalho de Donohoe.Dentro de campo Brasil e Escócia já se encontraram nas Copas de 1974, 1982 e 1998, sempre na fase de grupos. Em 74 o jogo ficou empatado em 0 a 0. Já em 82 e em 98 o Brasil levou a melhor, vencendo de 4 a 1 e 2 a 1, respectivamente. Nas três ocasiões a Escócia não avançou para o mata-mata, feito que busca realizar pela primeira vez em 2026, após passar 28 anos sem disputar o Mundial.LEIA MAIS: Calendário da Copa: saiba como acompanhar os 72 jogos da 1ª fase sem se perderAjuda na independênciaOutra figura relevante na relação Brasil e Escócia é o Lord Thomas Cochrane, também conhecido como marquês do Maranhão. O escocês é considerado um herói nacional no Reino Unido por sua atuação em diversas batalhas, incluindo enfrentando Napoleão, mas ele também teve sua participação no Brasil.No século XIX, Lord Thomas Cochrane participou da guerra de independência do Brasil, comandando navios brasileiros em batalhas contra os portugueses. Esse envolvimento foi o motivo para o título de marquês do Maranhão, que lhe foi concedido como forma de agradecimento pela libertação daquele território.Cerveja AntarcticaFundadores da Antarctica. Foto: Reprodução/Ministério das Relações ExterioresO dedo dos escoceses no Brasil passa ainda pelas bebidas. Além dos whiskies importados da Escócia, a produção de cerveja brasileira passa por um escocês, William Mackenzie. No século XIX, muitos escoceses migraram para o Brasil em busca de novas oportunidades. Foi o caso de Mackenzie, que fundou aqui a cervejaria Antarctica.Ele e os outros escoceses que trabalhavam na empresa introduziram técnicas de produção de cerveja típicas da Escócia, entre elas a utilização de cevada maltada e a fermentação em barris de carvalho. Essa maneira de trabalhar resultaram no sabor da cerveja Antarctica, uma das mais tradicionais e populares do Brasil até hoje.The post “Pai do futebol”, independência e, claro, cerveja: as relações de Brasil e Escócia appeared first on InfoMoney.