A proposta sobre o fim da escala de trabalho 6×1 completa neste domingo (28) um mês parada no Senado Federal, sem avanços na análise. Prioritária para o governo, a matéria aguarda um despacho do presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP).A Câmara dos Deputados aprovou a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) sobre a redução da jornada no país foi em 27 de maio. No dia seguinte, o texto chegou ao Senado, onde está parado desde então.Na quarta-feira (1°), a proposta será o foco de uma sessão de debate temático no plenário do Senado. Será a primeira discussão formal da PEC desde o envio ao Senado. O texto, no entanto, ainda aguarda encaminhamento de Alcolumbre para a análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça).No mesmo dia, o presidente do Senado deve se reunir com parlamentares autores das propostas que tratam do fim da escala 6×1. Participam do encontro a deputada Erika Hilton (PSOL) e o deputado Reginaldo Lopes (PT). Representantes das centrais sindicais e a nova líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT), também confirmaram presença. Leia Mais: Teresa Leitão assume liderança do governo no Senado mirando fim da 6x1 Fim da escala 6x1 será “avassalador” para shoppings, diz Abrasce Defesa de Jaques aciona STF para anular operação da PF contra senador A aprovação do fim da escala 6×1 pelos senadores é uma “missão” dada pelo Planalto à nova líder do governo no Senado, a senadora Teresa Leitão (PT-PE), que assumiu o cargo no lugar de Jaques Wagner (PT-BA) nesta semana.Apesar da pressa do Executivo pelo avanço do texto, Alcolumbre já descartou votar a PEC diretamente no plenário e indicou que o Senado deve sugerir mudanças. Segundo ele, a Casa não será apenas “carimbadora” da versão aprovada pelos deputados.Uma aprovação com mudanças no mérito do texto implicam no retorno da PEC para avaliação da Câmara, o que atrasaria ainda mais a aprovação final do texto.Outro impasse sobre o trâmite da proposta envolve a escolha do relator. Um dos principais nomes defendidos por aliados de Alcolumbre, o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) negou intenção de assumir a função.Alcolumbre vive má fase na relação com o governo, tensionada desde a rejeição de Jorge Messias para uma vaga ao STF (Supremo Tribunal Federal). Além do fim da escala 6×1, o presidente do Senado também não deu andamento para outras pautas prioritárias para o Executivo.A lista de matérias travadas também inclui a chamada PEC da Segurança Pública, o projeto sobre a exploração de minerais críticos no país e a proposta que cria um Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter, chamado de Redata.A PEC do fim da 6×1, no entanto, é vista como a maior prioridade. O texto é um considerado um ativo eleitoral importante e uma bandeira da pré-campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.O que diz a propostaA matéria reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais e estabelece dois dias de descanso, sem reduções salariais. A redução ocorrerá no período total de 14 meses, em duas etapas com diminuição de duas horas: uma após 60 dias da formalização da nova emenda constitucional e outra depois de 12 meses.Integrantes do setor produtivo são contrários à alteração e têm buscado Alcolumbre para negociar. Empresários temem riscos de impacto econômico com o possível aumento dos custos de produção e, por isso, reivindicam uma compensação financeira para implementar a redução.A equipe econômica do governo, no entanto, argumenta que a mudança não deve trazer impacto e permitirá ganho de produtividade com a melhoria na qualidade de vida da força de trabalho.Fim da 6x1: Ala do Senado estuda forma de compensar empresas | CNN 360º