A ideia de que barbas seriam naturalmente mais sujas do que rostos sem pelos circula há décadas, sendo reforçada por percepções sociais e até avaliações de clientes em ambientes de atendimento, mas não encontra sustentação sólida na literatura científica citada por pesquisadores ouvidos em estudos sobre o tema. A informação é do The Guardian.De acordo com John Tregoning, professor de imunologia de vacinas no Imperial College London, a discussão envolve mais julgamento visual do que evidência, já que qualquer parte do corpo humano pode abrigar microrganismos, independentemente da presença de pelos faciais.Pesquisas mencionadas em revisão histórica e estudos laboratoriais indicam que a higiene geral e práticas de limpeza têm impacto mais relevante na presença de bactérias do que o simples fato de usar barba ou não.Evidências científicas e percepções sobre a barba(Imagem: DuxX/Shutterstock)Um dos primeiros levantamentos sobre o tema, realizado em 1967, comparou diferentes condições de higiene facial em homens, avaliando rostos lavados e não lavados, com e sem barba. O resultado mostrou maior presença de bactérias em rostos sem lavagem, independentemente da existência de pelos, com destaque para a combinação de rosto não lavado e sem barba como a mais contaminada.Na sequência, vieram estudos mais recentes com foco em profissionais da saúde, especialmente cirurgiões, que investigaram se a barba poderia interferir no risco de infecção em ambientes hospitalares. Esses trabalhos apresentaram conclusões variadas, sem consenso definitivo.Segundo Tregoning, em declaração atribuída a entrevistas sobre o tema, “qualquer parte do corpo, com ou sem pelos, vai ter bactérias. Isso só se torna um problema em situações específicas, como ferimentos abertos“, o que reforça a ideia de que a presença de microrganismos é natural e generalizada.Barbas, hospitais e o papel das máscarasPessoas utilizando máscaras para evitar a propagação de doenças respiratórias (Reprodução: william87/iStock)No contexto hospitalar, parte das pesquisas sugere que os pelos faciais podem reter microrganismos, enquanto outros estudos não encontram diferença relevante quando máscaras são utilizadas corretamente durante procedimentos.Essa divergência indica que o fator decisivo não é apenas a presença de barba, mas o conjunto de práticas de higiene e proteção adotadas em ambientes controlados, como salas cirúrgicas.Conclusão dos especialistasA interpretação predominante entre os especialistas citados aponta que a associação automática entre barba e falta de higiene é exagerada, já que a presença de bactérias é comum em todas as superfícies do corpo humano, haja pelos ou não.Assim, a discussão científica desloca o foco da aparência para práticas de limpeza e contexto de exposição, especialmente em situações clínicas ou com risco de infecção.O post Ter barba não é higiênico: verdade ou mito? apareceu primeiro em Olhar Digital.