Em pedido na Justiça, Braskem (BRKM5) diz que dívida de R$ 2,7 bi poderia virar R$ 54 bi; ‘sem recursos para as despesas básicas’

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A Braskem (BRKM5) entrou na Justiça e foi atendida por uma proteção contra a cobrança de dívidas. Em comunicado enviado ao mercado, a companhia detalhou o pedido. E as cifras assustam. Segundo a empresa, caso fosse obrigada a pagar R$ 2,7 bilhões em dívidas com vencimento em julho, poderiam ser acionadas cláusulas de vencimento antecipado de aproximadamente R$ 54 bilhões em obrigações financeiras. A cobrança foi iniciada pelo Banco Safra. Nos documento, a Braskem argumenta que o desembolso comprometeria sua liquidez, deixando a companhia sem recursos para honrar despesas operacionais básicas e o pagamento de salários, o que inviabilizaria qualquer tentativa de reestruturação financeira.A empresa afirma ainda que sua situação foi agravada por uma combinação de fatores, entre eles:o prolongado ciclo de baixa da indústria petroquímica global, o elevado passivo relacionado ao evento geológico de Alagoas e as incertezas provocadas pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.A medida concedida pela Justiça não é uma recuperação judicial. Trata-se de uma tutela cautelar que suspende, por 60 dias, cobranças e execuções de determinados credores. Assim, a empresa ganha tempo para a negociação de uma reestruturação da dívida.Situação da BraskemNos últimos dias, a situação da Braskem, que já era delicada, piorou ainda mais. Na Bolsa, as ações acumulam queda de cerca de 50% desde as máximas registradas em maio.Parte dessa desvalorização reflete o temor de que a companhia venha a pedir uma recuperação extrajudicial, conforme apurou o Pipeline, do Valor Econômico. Soma-se a isso a dificuldade em chegar a um acordo com os credores financeiros, o que levou a empresa a recorrer à Justiça.O anúncio elevou as preocupações do mercado em relação à liquidez da petroquímica e alimentou receios de que uma reestruturação financeira mais ampla possa ser necessária caso as negociações não avancem.As ações BRKM5 chegaram a despencar quase 15%, movimento intensificado após o Citi rebaixar sua recomendação para venda.“Nossa tese anterior, de recomendação neutra, baseava-se na expectativa de uma recuperação cíclica do setor e de uma resolução clara sobre o controle acionário da empresa. No entanto, esse cenário deixou de ser sustentável”, afirmou o banco.Na avaliação do Citi, a perspectiva financeira da Braskem segue pressionada por spreads mais fracos e maior necessidade de capital de giro, o que deve resultar em fluxo de caixa livre (FCF) negativo e ampliar a pressão sobre o balanço patrimonial.Agora, investidores acompanham de perto as negociações com os credores, que devem definir os próximos passos da companhia.