Governo vai investir R$ 500 milhões no SUS para atendimento domiciliar de idosos

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O Ministério da Saúde acaba de lançar o Programa de Atenção Domiciliar à Pessoa Idosa (Padi Brasil). Trata-se de uma estratégia inédita para financiar o atendimento médico direto na casa de pacientes com limitações graves de locomoção.A medida visa a descentralizar o atendimento hospitalar e otimizar os custos da atenção primária a pacientes idosos por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS).O plano prevê um investimento federal de R$ 500 milhões, dividido em duas etapas. A primeira parcela, de R$ 163,2 milhões, será liberada ainda em 2026, enquanto os R$ 329,3 milhões restantes entram no orçamento do próximo ano.A demanda atende a um público de mais de 3 milhões de idosos acamados que hoje utilizam a rede pública. O objetivo do Ministério da Saúde é cobrir mais da metade desse grupo logo na primeira fase do projeto.“A meta é ampliar o acesso ao cuidado básico e oferecer mais qualidade de vida, reduzindo a pressão sobre os hospitais”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.CONTINUA DEPOIS DO CONTEÚDO PANDistribuição de recursos de saúde e adesão dos municípiosA procura por parte das prefeituras foi imediata. Até o momento, 2.733 municípios já solicitaram a adesão ao programa. Isso representa a criação ou ampliação de 3.677 equipes multiprofissionais de saúde.As cidades que aderirem vão receber um incentivo extra de até R$ 10 mil por mês para cada equipe contratada. Dependendo do formato do atendimento, o repasse total do governo federal pode chegar a R$ 57,5 mil mensais por grupo de profissionais.Os recursos serão usados para custear salários de médicos especialistas, como geriatras e cardiologistas, além de psicólogos e nutricionistas. A estratégia atua em conjunto com outros programas, como o Farmácia Popular e o Agora Tem Especialistas.O impacto econômico do envelhecimentoO novo programa foca em um dos maiores desafios fiscais do país: o envelhecimento rápido da população. Dados recentes mostram que a expectativa de vida no Brasil atingiu 76,6 anos. Para além disso, 80% da população idosa recorre exclusivamente ao SUS para tratar questões de saúde.Para monitorar os gastos e a eficiência dos atendimentos, os médicos vão utilizar ferramentas digitais conectadas ao aplicativo Meu SUS Digital. A expectativa é de que o monitoramento em tempo real ajude a evitar desperdício de insumos e medicamentos.Além do atendimento médico direto, o projeto inclui cartilhas de orientação para famílias e cuidadores. O foco é prevenir acidentes domésticos, como quedas, que geram altos custos de internação para o Estado.Leia tambémPortaria ministerial cria rede de proteção para idosos e foca em ação contra crimes digitais e financeirosCNH 2026: por que motoristas idosos ficaram fora de um novo benefícioVaga de idoso: como emitir credencial grátis na CNH Digital e evitar prejuízo com multasModelo nasceu no Rio de JaneiroA estrutura do programa nacional foi baseada em um modelo piloto criado nos anos 1990 pela médica Guilhermina Gomes, no Hospital Municipal Paulino Werneck, no Rio de Janeiro.A médica percebeu que a falta de acompanhamento após a alta gerava um ciclo de reinternações caras para o hospital.A solução foi criar o primeiro serviço de assistência médica e fisioterapia domiciliar, modelo que agora o governo tenta replicar em escala nacional por meio do Padi Brasil.*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.