Belo Horizonte — Silvanildo Amâncio de Araújo, de 52 anos, acusado de estuprar e jogar a ex-companheira Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, de um penhasco na Serra do Rola Moça, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi indiciado por seis crimes: sequestro e cárcere privado, ameaça, roubo, tortura, estupro e tentativa de feminicídio qualificado pela ocultação de cadáver.As informações foram divulgadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (29/6). “Concluímos que ele planejou todo o crime. Ele tinha o objetivo de fugir para outro estado, tinha parentes na Bahia. Carregava dinheiro, roupas e celulares para fugir”, disse a delegada Gislaine Rios.Segundo a investigação, a vítima, que trabalha como diarista, passou a ser perseguida pelo ex-companheiro depois que decidiu se separar, em fevereiro. Ela chegou a se mudar de Ribeirão das Neves para Belo Horizonte para tentar fugir dele, mas, segundo a polícia, o homem continuou a monitorando.2 imagensFechar modal.1 de 2Silvanildo estuprou e jogou Ana Cláudia de um penhasco na Região Metropolitana de BHReprodução/Redes sociais2 de 2Ana Cláudia foi resgatada após 24h em penhascoReprodução/Redes sociais Leia também Minas GeraisMulher trans é condenada à prisão por matar drag queen asfixiada em BH Minas GeraisMulher é encontrada decapitada em BH e suspeito é o próprio filho Minas GeraisAcusado de matar mulher trans em BH passará por exame psiquiátrico “Em fevereiro ela terminou [o relacionamento]. Ela terminou justamente pela quantidade de perseguições, ameaças […] E um mês depois ele continuou ainda atrás dela. Ele ia no local de trabalho, ia na escola da filha dela. Ele continuou indo na casa dela nos momentos em que ela estava em casa. E aí ele olhava pela janela para ver onde ela estava”, disse a delegada.De acordo com o boletim de ocorrência, Ana Cláudia desapareceu após sair para levar a filha mais nova à escola, no bairro Pindorama, na Região Noroeste, antes de seguir para o trabalho, no bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.Armado com uma faca, o homem abordou a vítima no local de trabalho e a obrigou a seguir até a Serra do Rola Moça, sob ameaças e agressões físicas e psicológicas.“Ele a ameaçou e, com um golpe, colocou ela dentro do carro, trancou as portas, fechou os vidros, colocou o cinto de segurança e, a partir daí, a gente já vê o sequestro e o cárcere privado. Ele subtraiu a bolsa dela contendo celular, cartão de crédito, todos os documentos. Obrigou ela a desbloquear o celular e, uma vez chegando na Serra do Rola Moça, ainda com ameaças, obrigou ela a fazer sexo oral nele”, relatou Gislaine Rios.Segundo a delegada, a violência sexual é mais uma das formas de torturar e humilhar a vítima.“É subjugar, né? Ele sempre foi uma pessoa que teve comportamentos de violência doméstica. A polícia conseguiu comprovar também que isso ocorreu pelo fato de ela ser mulher. E, por ser mulher, ele queria realmente subjugá-la perante ele”, disse.Prisão e confissãoNo dia seguinte ao crime, ele foi detido na área urbana de Várzea da Palma, no Norte de Minas, enquanto caminhava próximo ao veículo usado na fuga. O carro estava estacionado às margens da rodovia MGC-496.Em gravação feita pela polícia, Silvanildo relata como abordou a vítima quando ela chegava ao trabalho e admite ter levado Ana Cláudia até a região de penhasco, onde a empurrou da encosta.“Eu peguei ela descendo do ônibus, abracei ela e falei pra ela entrar no carro. Ela falou: ‘Você vai me matar?’ Levei ela lá pro Jardim Canadá e joguei ela lá do penhasco”, afirmou.O homem também disse que percebeu que a vítima ainda estava viva após a queda e tentou alcançá-la, mas desistiu por causa da dificuldade de acesso ao local.24h em penhascoAna Cláudia foi encontrada com vida pelo Corpo de Bombeiros após passar cerca de 24 horas em uma área de mata. Segundo os militares, ela estava consciente, orientada e apresentava escoriações pelo corpo, principalmente nas costas, além de ferimentos em um dos pés.Mesmo ferida, a mulher conseguiu subir parte do barranco e se agarrar à vegetação até ser localizada pelas equipes de resgate.Suspeito já agrediu passageira em corrida de app Segundo a delegada, o investigado também já havia se envolvido em um episódio de violência enquanto trabalhava como motorista por aplicativo.Ela contou que uma passageira pediu para alterar o destino da corrida e, após o pedido, os dois começaram a discutir. A mulher desceu do veículo, mas, de acordo com a policial, o motorista a ameaçou com uma faca.“A passageira pediu para mudar o destino da corrida. Eles começaram a discutir, ela conseguiu descer do carro e ele foi com uma faca para cima dela”, relatou a delegada.