O governo federal anunciou nesta sexta-feira (9) um pacote para tentar reduzir os preços dos combustíveis, incluindo desoneração de impostos federais sobre a gasolina, retirada dos tributos sobre o combustível, além de conceder novas subvenções.Somadas, as desonerações e subvenções anunciadas para a gasolina, o etanol e o diesel terão um custo de R$ 5,2 bilhões aos cofres públicos nos próximos 30 dias, período em que as medidas estarão em vigor.O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que as medidas visam mitigar os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e a pressão nas bombas dos postos de combustíveis.Analistas ouvidos pelo CNN Money, porém, apontam que as ações – anunciadas a pouco mais de duas semanas para a disputa do 2º turno – são “insustentáveis”. Análise: Juros menores em 2027 exigem mais que otimismo com eleição Taxa de juros é o principal obstáculo ao crédito para a indústria, diz CNI Apenas 3,6% dos modelos de IA da China têm dados de segurança divulgados O conflito, iniciado no fim de fevereiro deste ano, elevou os preços da energia em todo o mundo, afetando tanto as cotações do petróleo quanto os preços dos combustíveis nos postos.Atualmente, o barril do Brent, referência internacional do petróleo, opera acima de US$ 100.Apesar disso, Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, avalia que as medidas não deveriam ser adotadas. “Isto é insustentável do ponto de vista fiscal”, afirma.No mês passado, o governo havia anunciado uma desoneração de R$ 0,63 por litro de gasolina. Agora, amplia em R$ 0,26 por litro a redução dos impostos sobre o combustível.Segundo os cálculos da equipe econômica, o custo da desoneração da gasolina para as contas públicas será de R$ 2,8 bilhões durante o período de vigência da medida.Apenas a nova ampliação, de R$ 0,26 por litro, representa um custo adicional de R$ 700 milhões.Além disso, os ministérios ampliaram a subvenção à gasolina de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. Segundo o governo, o impacto fiscal adicional dessa medida será de R$ 800 milhões por mês.Somadas, as medidas de desoneração e subvenção à gasolina terão um custo de R$ 3,6 bilhões aos cofres públicos durante o período de vigência.O governo anunciou ainda uma nova subvenção especificamente ao diesel importado, de R$ 1,40. Esse novo benefício terá um custo adicional de R$ 1,6 bilhão, também pelos próximos trintas dias.IPCA de setembro permite cortes lentos da Selic, diz economista | MONEY NEWS“O governo está utilizando recursos públicos para amortecer uma pressão internacional sobre os combustíveis, sem resolver suas causas estruturais. O consumidor pode pagar menos hoje, mas isso não significa que o problema esteja resolvido”, afirma Fábio Murad, consultor da Wiser Asset.“Por outro lado, vai ficar muito difícil tirar o subsídio”, avalia Almeida. O professor ressalta que, caso todas as medidas fossem retiradas, o preço da gasolina ultrapassaria R$ 9 por litro.Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, considera que as medidas podem ter efeito paliativo, mas avalia que também demonstram certo caráter de “desespero pré-eleitoral”, uma vez que o anúncio foi feito a 16 dias do segundo turno das eleições de 2026.“Elas reforçam a falta de compromisso da administração com as contas públicas e com as flutuações de mercado, ou condições de oferta e demanda”, afirma.Nessa linha, Murilo Viana, especialista em contas públicas, avalia que a questão eleitoral não pode ser desconsiderada e que a desoneração pressiona o orçamento. No entanto, para ele, a medida não destoa das iniciativas adotadas internacionalmente e tem, inevitavelmente, apelo popular.Entenda se mais etanol na gasolina pode reduzir preço do combustível