Entrega por aplicativo tem custo invisível na renda do delivery

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O delivery cresce no Brasil, mas a renda de quem trabalha com moto vai muito além do valor exibido na tela do aplicativo. Combustível, pneus, óleo, revisões e reparos entram na conta; além disso, o tempo em que o veículo fica parado também reduz o faturamento.Dados do módulo “Trabalho por meio de plataformas digitais”, da PNAD Contínua, mostram que o número de entregadores por aplicativos aumentou 18,6% entre 2024 e 2025, passando de 274 mil para 325 mil. No trabalho único ou principal, 1,8 milhão de pessoas utilizaram plataformas digitais em 2025, alta de 9,1% em relação ao ano anterior.Manutenção e parada da moto entram na conta do deliveryPara Lino Felipe Lopes Dias, empresário e especialista em expansão e desenvolvimento de negócios, o custo de manter a moto disponível precisa fazer parte da análise de renda. “Quando a moto é uma ferramenta de trabalho, o tempo fora das ruas também precisa ser considerado. Uma manutenção não representa apenas o valor pago pelo serviço. Dependendo do problema, são algumas horas ou até dias sem faturar”, afirma.Segundo ele, a experiência à frente de uma operação de locação de motocicletas usada por profissionais de delivery e transporte por aplicativo evidenciou esse impacto. A frota superou mil veículos e esteve associada a mais de 450 mil entregas mensais.Modelo de operação busca reduzir o tempo sem rodarPara diminuir o período em que as motos ficavam fora de uso, Lino desenvolveu no Rio de Janeiro um projeto piloto com oficinas itinerantes. Serviços simples eram feitos próximos aos motociclistas, enquanto reparos mais complexos seguiam para uma oficina central na Barra da Tijuca. Segundo ele, a estrutura chegou a realizar cerca de 6 mil atendimentos por mês.O modelo também incluía seguro e moto reserva em determinadas situações. “Existe uma diferença entre ter uma moto e ter uma moto em condições de rodar todos os dias. A manutenção deixa de ser uma despesa eventual quando a renda depende daquele veículo. Ela precisa ser prevista desde o início”, explica.Para o empresário, o crescimento do trabalho por aplicativos reforça a importância de considerar fatores que não aparecem na tela do app. “O aplicativo pode trazer a demanda, mas é o trabalhador quem precisa ter condições de atendê-la. Se a moto para, não importa quantos pedidos estejam disponíveis. Para quem depende dela, manter o veículo rodando significa preservar a capacidade de gerar renda”, conclui.O post Entrega por aplicativo tem custo invisível na renda do delivery apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.