Wall Street está nas alturas, mas juros elevados podem balançar seus lucros

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Wall Street entrou em 2026 em uma sequência de alta e continuou com um primeiro semestre explosivo.Os lucros dispararam, impulsionados pelos gastos massivos em inteligência artificial, pela elevada atividade de negociações em um mercado volátil e pelas fusões e aquisições que se beneficiaram de um ambiente regulatório mais flexível sob o governo Trump.Wall Street registrou US$ 45,9 bilhões em lucros no primeiro semestre do ano, alta de 51% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com o mais recente relatório do Controlador do Estado de Nova York sobre o setor de valores mobiliários na cidade de Nova York. Disney reestrutura TV e deve priorizar streaming mirando rentabilidade ANP realiza leilões de petróleo e gás nesta quarta-feira (7) Petróleo do Irã está quase no fim - mas regime não dá sinais que irá ceder No ritmo atual de crescimento, os lucros do setor em 2026 poderiam ultrapassar US$ 90 bilhões no ano completo — quebrando recordes anteriores e superando o recorde ajustado pela inflação estabelecido em 2009.A bonança para traders e banqueiros ocorre enquanto o investimento em IA impulsiona o crescimento econômico dos EUA, mesmo com o sentimento do consumidor pairando em mínimas históricas devido a preocupações com o custo de vida, desde o aumento dos preços de energia até a persistente inflação nos alimentos.“Apesar das tensões geopolíticas e da incerteza econômica, o setor permaneceu resiliente”, afirmou Thomas P. DiNapoli, Controlador do Estado de Nova York e autor do relatório, em um comunicado.Espera-se que os bons tempos continuem, mas os riscos persistem. O setor financeiro tem um obstáculo persistente com o qual lidar: a alta das taxas de juros.O rendimento-chave dos títulos do Tesouro de 10 anos, que define as taxas de juros em toda a economia, atingiu 5,35% na segunda-feira — seu nível mais alto desde 2002.A recente alta nas taxas de juros “pode prejudicar a lucratividade” caso as fusões e aquisições desacelerem ou os passivos de juros das empresas aumentem significativamente, observou DiNapoli.A disparada nos rendimentos dos títulos está elevando o custo dos empréstimos, de hipotecas a financiamentos de automóveis, o que pode pesar sobre a atividade econômica.Rendimentos mais altos também podem aumentar os riscos para o mercado de ações e esfriar o aquecido mercado de IPOs e fusões e aquisições.“A alta nos rendimentos de títulos emitidos pelos EUA e por outros governos nas últimas semanas é mais um indicador preocupante para os investidores”, escreveu DiNapoli no relatório.Wall Street surfa na onda da IAO escritório do controlador da cidade de Nova York havia previsto em maio que Wall Street lucraria US$ 45,3 bilhões no ano inteiro — valor que já foi superado.O aumento nos lucros foi impulsionado pela negociação robusta de ações, títulos e moedas, por taxas de supervisão e assessoria de investimentos de clientes, pela subscrição de ofertas públicas iniciais e por uma retomada nas fusões e aquisições.“O investimento em empresas de IA continua a impulsionar o mercado”, escreveu DiNapoli. Os gastos com capital de risco relacionados à IA atingiram US$ 407 bilhões no primeiro semestre do ano, mais de 50% acima do total anual de US$ 264 bilhões em 2025, segundo o relatório.O boom da IA, a retomada de fusões e aquisições e uma série de IPOs criaram um cenário favorável para os lucros. As receitas provenientes de atividades de subscrição — como IPOs — subiram 68% em relação ao mesmo período do ano anterior no primeiro semestre de 2026, de acordo com o relatório.A Anthropic, uma poderosa empresa de IA que pode ser avaliada em US$ 2 trilhões, deve abrir capital ainda este ano, criando mais uma grande oportunidade para os bancos de Wall Street arrecadarem taxas de subscrição e de negociação.A fortuna de Wall Street também foi favorecida por um governo pró-negócios na Casa Branca, disse DiNapoli.Os ganhos nos resultados das empresas se refletem no crescimento dos salários: o salário anual médio (incluindo bônus) no setor de valores mobiliários da cidade de Nova York subiu 11,1%, chegando a US$ 561.770 em 2025.O fundo de bônus do ano passado atingiu US$ 49,2 bilhões, segundo o relatório, equivalente a um bônus médio de US$ 246.900 por funcionário, alta de 6% em relação ao ano anterior.Nvidia tem lucro de US$ 58,69 bilhões e dobra receita no 2º tri | MONEY NEWSOs ganhos extraordinários de Wall Street também representam um benefício para as receitas fiscais do Estado e da cidade de Nova York. A contribuição do setor para a arrecadação de impostos da cidade de Nova York cresceu 15,8% no ano fiscal de 2026 em comparação ao ano anterior.“Em consonância com a lucratividade recorde do setor, as arrecadações fiscais relacionadas a valores mobiliários continuam a atingir novos patamares”, escreveu DiNapoli no relatório.Ainda assim, a volatilidade no mercado de títulos aumentou nas últimas semanas.A alta das taxas de juros pode pressionar os retornos de negociação das empresas de Wall Street, ao mesmo tempo em que prejudica as perspectivas para o mercado de IPOs e para as fusões e aquisições, além de afetar o consumidor.Wall Street está no centro do boom da inteligência artificial, mas também está exposta a qualquer desaceleração ou enfraquecimento do entusiasmo.“Embora o setor continue registrando lucros expressivos, há preocupações crescentes em relação aos conflitos geopolíticos em curso, à inflação e às taxas de juros, às contribuições desproporcionais do florescente setor de IA e ao impulso desregulatório da atual administração”, escreveu DiNapoli.Ele acrescentou que “o potencial para uma desaceleração do setor representa um risco crescente para as finanças públicas e para a economia regional como um todo”.Inteligência artificial está substituindo humanos, mostra pesquisa