A União Europeia avalia ampliar uma proposta de imposto que pode atingir grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Apple, Meta e Google. Em vez de criar uma cobrança específica para o setor digital, a ideia seria incluir essas companhias em uma taxa aplicada a grandes empresas de diferentes áreas.A medida busca aumentar a arrecadação da UE sem provocar uma reação do governo de Donald Trump. A Comissão Europeia discute mudanças no Corporate Resource for Europe (CORE), segundo o Financial Times.A Comissão Europeia discute uma forma de ampliar a arrecadação sem concentrar a cobrança apenas sobre o setor digital. Imagem: Poetra.RH/ShutterstockO que está sendo discutidoNa versão atual do CORE, empresas que operam na União Europeia e faturam mais de €100 milhões por ano (cerca de R$ 560 milhões) pagariam uma contribuição fixa anual.Hoje, a cobrança prevista pelo mecanismo varia de €100 mil (aproximadamente R$ 560 mil) a €750 mil (cerca de R$ 4,2 milhões) por empresa, uma quantia que representa apenas uma pequena parcela dos ganhos das grandes multinacionais.Leia mais:Países começam a impor limites ao uso de óculos inteligentesUE quer restringir redes sociais, jogos online e chatbots para menores de 15 anosGoogle contesta na Justiça ordens da UE para compartilhar dados com rivais de busca e IA europeusÉ justamente esse modelo que a Comissão Europeia estuda ampliar. A ideia é fazer com que o mecanismo alcance praticamente todas as grandes empresas, evitando a criação de um imposto voltado especificamente para companhias digitais americanas.“Algumas capitais da UE são contra um imposto puramente digital porque não querem incomodar os americanos, e muitas outras são contra o CORE”, disse um funcionário da União Europeia ao Financial Times.A proposta tenta conciliar duas questões que estão no centro das discussões: ampliar as receitas do bloco e reduzir o risco de uma reação comercial dos Estados Unidos.Consenso entre estados-membros da União Europeia é decisivo para o avanço da nova regra fiscal. Foco é taxar big techs, sem sofrer retaliações por parte de Trump. – Imagem: Alexandros Michailidis / ShutterstockPressão dos EUA pesa nas discussõesA preocupação com Washington ganhou força depois que Donald Trump ameaçou, em junho, aplicar uma tarifa de 100% sobre produtos de qualquer país que cobrasse um imposto sobre serviços digitais de empresas americanas.O escritório do representante comercial dos EUA também mantém há anos uma posição contrária a esse tipo de cobrança. Segundo o órgão, os impostos discriminam empresas americanas, que dominam globalmente o setor de tecnologia.Nesse cenário, uma cobrança mais ampla poderia ser uma alternativa ao imposto específico sobre serviços digitais. A proposta, porém, ainda está em discussão e não representa uma decisão definitiva da União Europeia.Entre os pontos que permanecem no centro das negociações estão:a forma como a nova cobrança seria aplicada às empresas de diferentes setores;o impacto da mudança sobre as receitas obtidas pela União Europeia;a necessidade de construir um acordo entre os órgãos responsáveis pelo pacote de recursos próprios;a reação dos Estados Unidos caso o bloco avance com novas formas de tributação.A Comissão Europeia também comentou as negociações por meio de um porta-voz, que afirmou à Reuters:“Continuamos prontos para apoiar o Conselho e o Parlamento Europeu na busca de um acordo sobre o novo pacote de recursos próprios, pois eles são essenciais para garantir o financiamento adequado de nossas prioridades conjuntas na próxima década.”O desenho final ainda pode mudar antes de um eventual acordo. Apple, Google, Meta e a Computer & Communications Industry Association (CCIA), que representa várias empresas americanas de tecnologia, não responderam imediatamente aos pedidos de comentário da Reuters.O post União Europeia planeja imposto para taxar Big Techs sem irritar os EUA apareceu primeiro em Olhar Digital.