O aeroporto internacional de Riade suspendeu suas operações neste sábado (10), após um novo ataque que deixou vários feridos.As autoridades de saúde determinaram uma incomum mobilização em massa de médicos para responder a uma “emergência grave”, enquanto diversas embaixadas estrangeiras recomendaram a seus cidadãos que evitassem o aeroporto.A autoridade de aviação civil informou que houve vários feridos no ataque, que, segundo uma fonte diplomática, foi causado por um míssil lançado pelos houthis do Iêmen.O movimento apoiado pelo Irã atacou repetidamente esse aeroporto e reivindicou uma série de bombardeios na quinta-feira, que deixaram três mortos, entre eles um piloto da companhia aérea nacional Saudia.Até o momento, porém, o movimento não assumiu a autoria do ataque deste sábado.Uma testemunha afirmou ter ouvido uma explosão enquanto aguardava o embarque em um voo, enquanto outra disse ter presenciado um impacto que deixou feridos e provocou cenas de pânico entre os passageiros.“Eu estava no portão 403. Vi como atingiram o 401, vi feridos (…) Todo mundo corria”, relatou à AFP.Os houthis têm intensificado os ataques contra aeroportos e instalações petrolíferas sauditas desde o rompimento, em julho, da trégua com o governo iemenita apoiado por Riade.O governo saudita raramente reconhece publicamente que os ataques dos houthis atinjam alvos civis e, nas últimas semanas, tem mantido silêncio quase total sobre esses incidentes.A autoridade de aviação civil anunciou que as operações do aeroporto foram suspensas temporariamente enquanto os danos eram avaliados e a segurança das instalações era verificada.Segundo uma fonte hospitalar, cinco pessoas estavam internadas em unidades de terapia intensiva e o total de feridos chegava a “dezenas”.Um familiar de um dos feridos descreveu lesões provocadas pela explosão de vidraças. Três testemunhas afirmaram que o aeroporto estava sendo evacuado.Uma fonte diplomática disse à AFP que um míssil atingiu o aeroporto por volta das 15h locais (9h no horário de Brasília). “Os houthis estão atacando alvos civis”, declarou.– Alertas das embaixadas –O conflito no Iêmen voltou a se intensificar após o fim de uma trégua de quatro anos negociada pela ONU, em meio à escalada da guerra regional no Oriente Médio.No entanto, a magnitude e a frequência dos ataques contra a capital saudita nos últimos dias não têm precedentes desde o início do conflito regional, há oito meses.A Arábia Saudita lidera uma coalizão internacional que apoia militarmente o governo iemenita e tem se envolvido cada vez mais na guerra civil do país vizinho.A embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita informou que estava ciente dos ataques contra o aeroporto de Riade e pediu a seus cidadãos que evitassem a área.O presidente americano, Donald Trump, afirmou neste sábado que decidirá “muito em breve” se seu país participará dos ataques da Arábia Saudita contra os houthis.As embaixadas do Canadá, da Alemanha e da Espanha emitiram alertas semelhantes. A representação diplomática espanhola advertiu no X sobre um “novo ataque (…) dos houthis” e recomendou a seus nacionais que se mantivessem afastados das instalações.Um alto diplomata ocidental informou à AFP que diversas embaixadas proibiram os deslocamentos de seu pessoal de e para o aeroporto de Riade durante a próxima semana.Nos arredores do aeroporto, era possível ver passageiros com bagagens aguardando na calçada ao lado de uma estação de metrô.– Situação no Iêmen –Enquanto isso, no Iêmen, forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita avançavam contra os houthis em áreas que os combatentes pró-Irã haviam conquistado no mês passado nos arredores do estratégico Estreito de Bab el Mandeb, disseram fontes militares à AFP.Na semana passada, o governo iemenita anunciou uma contraofensiva destinada a recuperar todos os territórios controlados pelos houthis, depois que o grupo tomou toda a costa oeste do país em uma ofensiva relâmpago.Os houthis confirmaram que as forças governamentais lançaram ataques na região de Bab el Mandeb, passagem fundamental para o transporte de petróleo e mercadorias pelo Mar Vermelho, mas asseguraram ter repelido a ofensiva.As afirmações de ambos os lados não puderam ser verificadas de forma independente, em um conflito de rápida evolução e com acesso extremamente restrito para jornalistas.