EUA aumentam pressão por informações da Rússia sobre pneumonia misteriosa

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O governo dos Estados Unidos enfrenta dificuldades para obter respostas claras sobre a morte de uma funcionária de laboratório russo em um instituto dedicado ao estudo da peste.Assim, a administração de Donald Trump intensificou formalmente a solicitação de informações à Rússia, em meio à resistência de autoridades em fornecer esclarecimentos sobre as circunstâncias misteriosas que cercam o caso.A morte da técnica do Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na Sibéria, gerou imediata preocupação no governo americano, desencadeando uma corrida para reunir informações de inteligência e planejar uma possível resposta de saúde pública, segundo várias fontes. Leia Mais Embaixada dos EUA na Rússia emite alerta após suspeita de morte por peste Trump diz que falará com Putin sobre morte suspeita de peste pneumônica Rubio pede mais informações à Rússia sobre morte misteriosa de pesquisadora No entanto, a relutância da Rússia em compartilhar informações sobre o caso complicou esses esforços, deixando as autoridades incertas quanto aos riscos mais amplos que a situação poderia representar — e sobre como, exatamente, proteger os EUA contra eles.Os Estados Unidos reforçaram a solicitação de informações ao emitir uma comunicação diplomática formal — conhecida como démarche — segundo informou uma fonte à CNN na noite de terça-feira (6).“Solicitamos oficialmente informações adicionais ao governo russo. Também estamos em comunicação oficial com outros países ao redor do mundo para compartilhar informações”, disse um porta-voz do Departamento de Estado americano.O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pontuou que “cabe à Rússia, obviamente, compartilhar mais informações com o mundo”.“Talvez a situação seja mais grave do que imaginávamos. Não sabemos, mas acredito que seria imprudente especular neste momento, dadas as informações limitadas de que ainda dispomos”, justificou.Autoridades dos EUA mantinham contato com o governo russo desde a última sexta-feira (2), segundo um representante do Departamento de Estado, incluindo interações entre especialistas em saúde do departamento e o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.Esse contato tem sido mantido, afirmou uma autoridade do governo. Enquanto isso, Rubio expressou, na terça-feira, a esperança de que o compartilhamento limitado de informações “mude nas próximas horas e nos próximos dias”.O presidente Donald Trump, inclusive, disse a repórteres que tinha uma “ligação agendada” para conversar com o líder russo Vladimir Putin sobre o assunto “muito em breve”.Ele acrescentou que as agências dos EUA teriam mais informações para divulgar “provavelmente amanhã”, em referência a esta quarta-feira (7).No entanto, o Kremlin afirmou nesta quarta que não houve agendamento de ligação entre Putin e Trump para discutir o alerta de peste na Rússia.EUA suspeitam que Rússia não é totalmente transparenteAté o momento, os EUA têm recebido cooperação limitada da Rússia.As poucas informações provenientes do governo de Vladimir Putin têm sido recebidas com profundo ceticismo; autoridades não estão convencidas de que o Kremlin esteja sendo totalmente transparente, segundo fontes.Ainda assim, enquanto o governo não obtém mais informações por meio de coleta de inteligência e contatos diplomáticos, as autoridades não estão adotando medidas como restrições de viagem para evitar uma possível propagação, segundo uma autoridade americana.Os EUA já recomendam evitar viagens à Rússia devido a vários fatores, incluindo a possibilidade de detenção arbitrária e a guerra com a Ucrânia.Entre as questões cruciais ainda pendentes está saber se a funcionária de laboratório de 28 anos que morreu na semana passada contraiu peste pneumônica — uma infecção grave, porém tratável — ou outra doença infecciosa desconhecida.A equipe do Instituto Antipeste estuda diversas outras doenças perigosas, incluindo cólera, antraz e brucelose, de acordo com o site do órgão.Autoridades dos EUA também buscaram informações sobre se a doença foi modificada de alguma forma — um processo conhecido como “ganho de função”, que poderia alterar drasticamente a maneira como os EUA e outros países responderiam à situação.Rubio e outras autoridades do governo Trump minimizaram publicamente a ameaça imediata aos americanos, enfatizando que a administração federal está monitorando a situação de perto e que a peste pneumônica é tratável com antibióticos.No entanto, nos bastidores, há uma profunda inquietação dentro do governo dos EUA devido à persistente falta de informações claras, de acordo com fontes.O que agrava essas preocupações é a resposta desproporcional do governo russo, que incluiu a imposição de quarentena no hospital onde a funcionária do laboratório foi tratada, conforme relatou o prefeito do distrito de Shelekhovsky.Cerca de 200 pessoas estão sob observação, segundo um veículo de imprensa regional.“Não sabemos muito, neste momento, sobre o que realmente aconteceu. Mas há uma coisa da qual a maioria de nós tem certeza: os russos vão agir como os chineses agiram com a Covid. Eles não serão transparentes”, disse uma autoridade dos EUA.Ainda assim, na segunda-feira, Trump classificou a situação como um “grande problema” para a Rússia, sugerindo que os EUA poderiam precisar fornecer algum nível não especificado de ajuda.Em um comunicado, um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que várias agências federais estavam “monitorando de perto o caso fatal de suspeita de peste pneumônica”, mas que muitos detalhes a respeito permaneciam sem confirmação.Eles reiteraram que os americanos são aconselhados há muito tempo a não viajar para a Rússia, por qualquer motivo que seja.“Incentivamos as autoridades russas a compartilhar informações precisas de forma rápida e transparente”, pontuou o porta-voz.Nos dias que se seguiram à morte da funcionária do laboratório, autoridades do Conselho de Segurança Nacional e do Departamento de Estado lideraram os esforços do governo para coletar informações, reconstituir o ocorrido e avaliar os riscos potenciais, segundo autoridades e outras pessoas a par da situação.Agências federais de saúde, incluindo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA e a Administração de Preparação e Resposta Estratégica, também participaram dessa iniciativa intergovernamental.Uma fonte familiarizada com os contatos informou que autoridades da gestão Trump também mantiveram comunicações de bastidores com a Organização Mundial da Saúde, o órgão internacional de saúde cujo financiamento o presidente cortou logo após assumir o cargo, mas com o qual o governo continuou a se comunicar em situações de emergência.O que se sabe sobre a pneumonia misteriosa na Rússia