A obesidade é uma doença crônica definida como o acúmulo excessivo de gordura no corpo. Diversos fatores biológicos e comportamentais estão relacionados ao diagnóstico e podem levar ao óbito. O alerta ganha destaque neste domingo (11), considerado o Dia Nacional da Prevenção da Obesidade. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a doença afeta cerca de 1,1 bilhões de pessoas no mundo. No Brasil, o excesso de peso ultrapassou a hipertensão e se tornou o principal fator de risco associado à saúde, segundo um estudo publicado neste ano na revista The Lancet Regional Health – Américas.De acordo com dados analisados no estudo, em 1990, o índice de massa corporal elevado e a glicose alta no sangue ocupavam o 7º e o 6º lugar no ranking dos aspectos que mais tiravam a saúde dos brasileiros. Em 2023, eles subiram para o 1º e o 3º lugar, ultrapassando a pressão arterial elevada.O perfil de risco também mudou. Crianças estão entre as que mais recebem diagnóstico de obesidade no mundo. Segundo a OMS, a prevalência da doença nessa faixa etária quadriplicou desde 1990, passando de 2% para 8%.O crescimento levou a organização a emitir as primeiras diretrizes sobre o tratamento de obesidade para crianças e adolescentes. Leia Mais Excesso de peso supera hipertensão e lidera riscos à saúde no Brasil OMS não recomenda uso de remédio e cirurgia para tratar obesidade infantil Uso de emagrecedores em crianças menores de 12 anos sobe 300 vezes nos EUA Entre as recomendações apontadas pela organização estão abordagens integradas que combinem obrigatoriamente intervenções na dieta dos menores, atividade físicas e mudanças comportamentais, em vez de medicamentos emagrecedores e cirurgias.Como o problema pode ser encarado pelos adultos?No entanto, no caso dos adultos, a utilização de produtos a base de GLP-1, como as canetinhas emagrecedoras, ainda são vistos como uma opção quando alinhadas ao acompanhamento médico adequado.Segundo o médico e cirurgião Dr. José Afonso Sallet, os produtos ajudam, mas não podem ser vistos como a única solução. É importante ficar atento aos sinais que o corpo dá quando tem algo de errado.Muitas vezes, quando o paciente chega ao consultório, já passou por diversas tentativas de emagrecimento. Por isso, é importante olhar para aquilo que acontece antes: o que ele come diariamente, quanto se movimenta, quanto tempo permanece diante das telas, como dorme, como está sua saúde emocional e até como funciona o ambiente familiarDr. José Afonso Sallet, especialista em emagrecimento e cirurgia bariátrica e fundador do Instituto de Medicina SalletComo evitar essa condição?Segundo a OMS, a alimentação e a atividade física não são os únicos fatores associados à obesidade. O olhar com cuidado para doença também envolve analisar fatores ligados ao ambiente em que as pessoas vivem, à disponibilidade de alimentos saudáveis, às condições socioeconômicas e aos fatores psicossociais.O acompanhamento médico é o mais importante neste processo. Em casos relacionados à ansiedade, transtornos alimentares e baixa autoestima, o ideal é alinhar o tratamento para obesidade em conjunto com o tratamento de saúde mental.Apesar das abordagens terem evoluído e auxiliarem os pacientes, para o Dr. Sallet, atenção com o bem-estar continua sendo uma das ferramentas mais importantes para a prevenção da obesidade.“Prevenção não significa estabelecer uma rotina rígida ou transformar o peso corporal em uma preocupação constante. O objetivo é criar um ambiente que favoreça escolhas mais saudáveis, com mais movimento, alimentação variada, menos tempo sedentário, sono adequado e atenção à saúde mental”, conclui o especialista.Obesidade cresce 118% no Brasil, segundo Ministério da Saúde | CNN 360ºRiscos do excesso de pesoO excesso de peso e a obesidade na infância e adolescência afetam negativamente o bem-estar físico, mental e social e devem ser identificados e tratados o quanto antes. Eles estão associados ao estigma, discriminação, bullying, pior qualidade de vida e desempenho escolar prejudicado.Segundo a OMS, se não houver intervenção, a obesidade frequentemente persiste na vida adulta, aumentando o risco e acelerando o aparecimento de doenças, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.Associação propõe novos critérios para diagnóstico da obesidade