EUA preparam novas acusações contra Maduro e Cilia Flores por tortura de americanos

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A Justiça dos Estados Unidos prepara novas acusações criminais contra Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, por supostos casos de tortura contra cidadãos americanos mantidos em prisões venezuelanas. A investigação também poderá atingir outros integrantes do alto escalão do antigo governo de Maduro, suspeitos de participação nos abusos.A informação foi divulgada com base em fontes familiarizadas com a investigação, e confirmada à Reuters por uma autoridade americana. Segundo essas fontes, as novas acusações poderão ser apresentadas já nesta quinta-feira (8), em Nova York.O caso ganha relevância diante de uma decisão recente da Justiça Federal da Flórida, que condenou civilmente Maduro e outros integrantes do antigo governo venezuelano ao pagamento de mais de US$ 314 milhões a três americanos que denunciaram sequestro e tortura durante o período em que estiveram presos na Venezuela.Investigação envolve mais de uma dúzia de americanosOs promotores federais estão examinando os casos de mais de 12 cidadãos americanos que foram presos na Venezuela durante o governo Maduro e cujas detenções foram classificadas por Washington como injustas.Investigadores já ouviram ex-prisioneiros libertados pelas autoridades venezuelanas. Os depoimentos fazem parte da apuração sobre possíveis práticas de tortura, maus-tratos e detenções arbitrárias.Os investigadores também avaliam a possível responsabilidade de integrantes do antigo governo venezuelano pelas práticas denunciadas.Os nomes desses possíveis novos acusados ainda não foram divulgados. Parte das eventuais acusações poderá permanecer inicialmente sob sigilo judicial.Delcy Rodríguez ficou fora da condenaçãoOutro aspecto importante do processo na Flórida envolve Delcy Rodríguez, que assumiu a liderança do governo venezuelano após a captura de Maduro pelos Estados Unidos, em janeiro deste ano.Rodríguez também foi incluída entre os réus da ação apresentada pelos três americanos.Seus advogados, entretanto, alegaram que ela deveria receber imunidade judicial por ocupar a posição de chefe de Estado. O próprio governo venezuelano solicitou formalmente a Washington o reconhecimento dessa imunidade.A administração do presidente Donald Trump apoiou essa posição. O Departamento de Justiça americano apresentou uma manifestação favorável ao reconhecimento da imunidade de Rodríguez, com base no posicionamento diplomático do Departamento de Estado.Choques elétricos e simulações de afogamentoAs denúncias de tortura em prisões venezuelanas também incluem os casos de Matthew Heath e Osman Khan, libertados em outubro de 2022 durante uma troca de prisioneiros. Em ações judiciais, os dois relataram diferentes formas de violência física e psicológica.Entre os abusos denunciados estão choques elétricos, simulações de afogamento, ameaças de violência sexual, isolamento prolongado e administração de substâncias capazes de alterar o estado mental.Os relatos integram o histórico de denúncias sobre o tratamento dispensado a americanos mantidos sob custódia das autoridades venezuelanas. As novas investigações procuram identificar não apenas os possíveis autores diretos das agressões, mas também autoridades que possam ter ordenado, autorizado ou participado dos abusos.