A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou nesta segunda-feira (12) o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o candidato do PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, e aliados por vídeos publicados após o ato pró-Lula na avenida Paulista, em São Paulo, no domingo (11).A coligação pede que as postagens sejam retiradas em até 24 horas.Segundo a representação, os vídeos usam imagens descontextualizadas para ligar os participantes da manifestação ao consumo de drogas, à depredação de patrimônio público e ao apoio ao terrorismo. Leia Mais Flávio visita 3 regiões e Lula foca Sudeste em penúltima semana da eleição Propaganda eleitoral de Flávio Bolsonaro é exibida sem áudio nesta segunda Técnicos do TSE dizem não poder aferir se “Exército do Lula” usou fake news Também são alvos da ação o PL, os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Rony Gabriel (Podemos-RS), o vereador Lucas Pavanato (PL-SP) e o empresário Pablo Marçal. O caso foi distribuído ao ministro Marco Aurélio Bellizze.A campanha de Lula afirma que um dos trechos usados pelos aliados de Flávio mostra, na verdade, usuários de drogas no Chile.“É importantíssimo destacar que um trecho do conteúdo impugnado foi publicado originalmente em 10 de outubro de 2026, no Chile, pelo perfil Justiniano (@multapor100), na plataforma X, um dia antes da manifestação realizada na Avenida Paulista, em 11 de outubro de 2026”, afirma a petição.Para os advogados, a imagem serviu para construir uma narrativa falsa sobre o protesto, com o objetivo de desqualificar a manifestação e favorecer o candidato do PL.A coligação enquadra o caso como “desinformação de segunda geração”, que ocorre quando informações ou imagens verdadeiras são recortadas e reorganizadas para produzir uma conclusão falsa ou enganosa.Para a campanha do petista, os vídeos vão além da crítica política porque atribuem crimes aos manifestantes, fatos passíveis de verificação, e usam essas acusações para pedir votos a Flávio.Tensão no TribunalA ação ocorre em meio a divergências no TSE sobre a remoção de conteúdos nas redes sociais dos dois candidatos. Desde o início do segundo turno, Lula e Flávio recorrem à corte para tentar derrubar publicações do adversário, e ministros discutem até onde a Justiça Eleitoral pode interferir na circulação de material.Nos últimos dias, decisões do presidente do Tribunal, Kassio Nunes Marques, contra iniciativas digitais ligadas à campanha petista provocaram críticas de integrantes da Corte. Kassio mandou suspender o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado André Janones (Rede-MG), a pedido da campanha de Flávio.O corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, derrubou a decisão, determinou o restabelecimento do canal e pediu análise da área técnica.Nesta segunda, a assessoria do TSE disse não ter localizado, entre as publicações feitas no canal de 2 a 11 de outubro, o conteúdo apontado pela campanha de Flávio para sustentar a acusação.No ato da Paulista, Lula criticou Kassio, chamou a suspensão do canal de “absurda” e disse estar desconfiado da atuação da Justiça Eleitoral. Nesta segunda, voltou a cobrar o presidente do TSE e afirmou que o chefe da Corte “não pode ter lado”.Kassio convocou representantes das duas campanhas para uma reunião nesta terça-feira (13), em meio à multiplicação de ações e às acusações de favorecimento e censura no Tribunal.Campanhas de Flávio e Lula apostam em debate para o 2° turno | CNN 360°