Temporada 3T26: XP vê lucros do S&P 500 crescendo 31%, mas avanços concentrados em 2 setores

Wait 5 sec.

A temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 nos Estados Unidos deve registrar crescimento de 31,4% no lucro por ação (LPA) das empresas do S&P 500, segundo estimativas da XP Research. A projeção supera o consenso do mercado, de 29,2%.Segundo a análise da corretora, esse avanço esperado estará concentrado principalmente nos setores de energia e tecnologia, o que aumenta a importância dos resultados individuais e das perspectivas apresentadas pelas companhias.Em relatório publicado em 8 de outubro, os estrategistas Raphael Figueredo e Maria Irene Jordão estimam que o lucro por ação do S&P 500 alcance US$ 91 no trimestre, 1,6% acima das expectativas do consenso. A expansão deve ser sustentada pelo ciclo de investimentos em inteligência artificial (IA), pelos preços elevados do petróleo e por margens próximas das máximas históricas.O cenário, porém, traz um desafio para os investidores: as projeções de resultados foram revisadas para cima ao longo do trimestre, em um movimento contrário ao padrão histórico. Com isso, parte do potencial de surpresa positiva que costuma impulsionar as ações após a divulgação dos balanços já está incorporada às estimativas.Na avaliação da XP, a discussão central não será apenas se as empresas conseguirão entregar os lucros esperados, mas se serão capazes de apresentar perspectivas de crescimento compatíveis com as avaliações atuais de suas ações.Energia e tecnologia concentram o crescimentoO setor de energia deve liderar a expansão dos lucros no terceiro trimestre, com crescimento estimado de 114% na comparação anual. A receita do segmento deve avançar 21,4%, refletindo o impacto dos preços elevados do petróleo sobre os resultados das companhias.Em tecnologia, a expectativa é de alta de 65% no lucro por ação e de 40,5% na receita. O setor de comunicações também deve apresentar crescimento expressivo, de 51,5% no LPA e 15,4% na receita.Nos demais segmentos, o desempenho esperado é mais moderado. O setor financeiro deve registrar avanço de 3% no lucro por ação, enquanto consumo discricionário e bens de consumo devem crescer 3,2% e 2,9%, respectivamente. Para saúde, a projeção é de alta de 5,5%.A diferença entre o crescimento da receita e o dos lucros indica que a expansão das margens terá papel importante nos resultados. No conjunto do S&P 500, a receita deve crescer 12,3%, menos da metade da alta projetada para o lucro por ação, de 29,2% pelo consenso utilizado no relatório.A XP ressalta, entretanto, que o crescimento agregado esconde diferenças relevantes entre os setores. Desconsiderando as distorções de base de comparação, a expansão estimada dos lucros cai para 25%. Sem energia, recua para 20,8%. Já excluindo tecnologia, o crescimento do restante do índice fica em apenas 5,6%.Embora as empresas de fora das chamadas Big Techs devam responder por 73% do crescimento do lucro por ação no trimestre, contra 27% das grandes companhias de tecnologia, essa mudança não representa uma aceleração generalizada dos resultados. O avanço continua concentrado em poucos setores.Projeções sobem e reduzem espaço para surpresasHistoricamente, as estimativas de lucro das empresas do S&P 500 costumam ser revisadas para baixo ao longo do trimestre. Desde 2022, o corte médio foi de 2,6%, segundo o relatório. A dinâmica permite que parte das companhias supere expectativas que se tornam mais conservadoras até a divulgação dos balanços.Desta vez, o movimento foi diferente. Desde o terceiro trimestre de 2025, nenhum trimestre teve suas estimativas de lucro por ação reduzidas ao longo do período, e os dois últimos registraram revisões positivas relevantes.Para o terceiro trimestre de 2026, o LPA esperado para o S&P 500 passou de US$ 80, no fim de 2025, para US$ 89,55, à medida que o mercado incorporou os efeitos do ciclo de memória e semicondutores e da alta do petróleo.A XP projeta um resultado ainda superior, de US$ 91 por ação. A diferença, contudo, não elimina o risco de frustração: a folga habitual entre as expectativas e os resultados efetivos diminuiu.Outro sinal de atenção é a perda de fôlego das revisões positivas por empresa. Em setembro e no início de outubro, o número de companhias com estimativas de lucro revisadas para cima caiu para perto de 190, enquanto aumentou a quantidade de empresas cujas projeções permaneceram inalteradas.Para os estrategistas, o movimento indica que o otimismo está cada vez mais concentrado em um grupo menor de companhias.Juros altos e petróleo acima de US$ 100 pressionam o mercadoA temporada de balanços começa em um ambiente macroeconômico mais desafiador. A escalada do conflito geopolítico levou o petróleo Brent a superar US$ 100 por barril, enquanto os juros longos americanos voltaram a níveis elevados, impulsionados pelo juro real e pelo prêmio de prazo.A taxa do Treasury de dez anos chegou a 5,3%, segundo o relatório. No mesmo período, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, elevou a taxa dos Fed Funds pela primeira vez em mais de três anos, mesmo com sinais de perda de força do mercado de trabalho.O avanço dos juros aumenta a pressão sobre as avaliações das ações, enquanto o petróleo mais caro beneficia as empresas de energia, mas pode elevar custos de produção, frete e transporte em outros segmentos.No terceiro trimestre, o S&P 500 subiu 2%, mas o desempenho positivo foi sustentado por um grupo restrito de companhias. O índice com pesos iguais recuou 2,3%, enquanto a ação mediana do S&P 500 caiu 4,4%. O Russell 2000, mais sensível às condições de financiamento, perdeu 7,5%.A dispersão também apareceu entre os setores. Energia avançou 16,5% no trimestre, enquanto tecnologia subiu 7,1% e saúde teve alta de 6%. Na outra ponta, o setor de serviços públicos recuou 13%, o industrial caiu 9,9% e o imobiliário perdeu 6,3%, pressionados pelos juros longos mais elevados.Além disso, 60% das empresas do S&P 500 negociavam mais de 20% abaixo de suas máximas históricas, apesar de o índice permanecer próximo do topo.O quadro mostra que a alta do indicador não reflete uma valorização disseminada pelo mercado, o que reforça a importância de avaliar o desempenho de cada companhia.O que observar nos balanços das Big TechsEntre os principais pontos de atenção para a temporada estão os investimentos em inteligência artificial e a capacidade de convertê-los em resultados financeiros.As chamadas Big Techs — Nvidia, Amazon, Microsoft, Alphabet, Apple, Tesla e Meta — devem responder por 27% do crescimento do lucro por ação do S&P 500 no terceiro trimestre, de acordo com a XP.O relatório recomenda acompanhar os investimentos de capital (capex), a depreciação, o retorno sobre o capital investido (ROIC) e o fluxo de caixa livre dessas companhias. O principal risco é o aumento dos investimentos sem melhora correspondente da receita ou das margens.No segmento de memória e semicondutores, o foco será a sustentação das projeções de receita e margem. Apesar das revisões positivas de lucro, o setor recuou 7,1% no terceiro trimestre, em um movimento que contrasta com a força das expectativas para os resultados.Entre os sinais de alerta estão um eventual excesso de oferta e a desaceleração dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.Para energia, a questão central será a capacidade de sustentar os lucros diante da trajetória do petróleo. A XP destaca a necessidade de acompanhar os preços efetivamente realizados pelas companhias e as projeções para o quarto trimestre, especialmente em um cenário no qual as expectativas dependem de o Brent permanecer acima de US$ 100 por barril.O relatório também recomenda monitorar a evolução das margens em setores expostos aos custos de petróleo, frete e juros, além das projeções de lucro para 2027. O consenso para o LPA do índice naquele ano é de US$ 417.