“Otan da Ásia”: Paquistão envia tropas a Arábia Saudita após avanço houthi

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O Paquistão, importante aliado da Arábia Saudita, confirmou que possui tropas estacionadas no reino do Golfo, enquanto os rebeldes houthis apoiados pelo Irã no Iêmen continuam ataques transfronteiriços com assaltos mortais a aeroportos.“As forças do Paquistão já estão lá. Isso posso compartilhar com vocês”, disse o tenente-general Ahmed Sharif Chaudhry à CNN em entrevista exclusiva na quarta-feira (7), sem especificar o número de soldados ou suas capacidades, afirmando que esses detalhes eram classificados.A confirmação de Chaudhry, chefe da ala de mídia das forças armadas paquistanesas, ocorreu poucos dias após as duas nações e a Turquia concordarem com o rápido desdobramento das forças, como parte de um recém-firmado tratado de defesa mútua. Leia Mais Paquistão pede ao Irã recuo de Houthis em meio a crise com Arábia Saudita Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinam acordo de defesa conjunto Pacto inspirado na Otan é testado após investidas contra Arábia Saudita Nos últimos dois dias, os houthis mataram três pessoas em ataques ao Aeroporto Internacional Abha, da Arábia Saudita, próximo à fronteira com o Iêmen, e ao Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital Riad, disseram autoridades sauditas.Os ataques ressaltam como o conflito está afetando cada vez mais o território saudita à medida que Riad aprofunda seu apoio à campanha militar do governo iemenita.O ataque aos aeroportos motivou um alerta de segurança atualizado da Missão dos EUA na Arábia Saudita, advertindo cidadãos americanos de que o conflito “tem potencial para escalar”.Os houthis apoiados pelo Irã, que controlam grande parte do norte do Iêmen, incluindo a capital, Sanaa, estão em guerra com o governo iemenita reconhecido internacionalmente e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita desde 2015.O conflito se intensificou em julho, pouco depois do colapso do cessar-fogo entre os EUA e o Irã, com ataques de mísseis houthis contra instalações petrolíferas sauditas e petroleiros, numa expansão da guerra no Oriente Médio. Riad respondeu com ataques aéreos em apoio às forças do governo iemenita.Nos últimos dias, as forças do governo iemenita reivindicaram avanços próximos ao estratégico Estreito de Bab al-Mandeb, ao longo da costa do Mar Vermelho do Iêmen, cujo controle efetivo os houthis reivindicaram no mês passado. Os houthis responderam com ataques de mísseis e drones contra alvos dentro da Arábia Saudita.Tropas do Paquistão na Arábia SauditaA escalada coincidiu com movimentos da Arábia Saudita para fortalecer a cooperação de defesa com potências militares regionais — a Turquia, membro da Otan, e o Paquistão, detentor de armas nucleares. O trio assinou recentemente um pacto com provisões de defesa coletiva ao estilo da Otan, frequentemente referido como a Aliança de Meca.O desdobramento de forças paquistanesas “não surgiu do nada”, disse Chaudhry, Diretor-Geral de Relações Públicas Interforças, à CNN. O Paquistão mantém presença militar na Arábia Saudita há décadas, afirmou.O compromisso do Paquistão com a segurança da Arábia Saudita era “absoluto”, disse Chaudhry. Ele descreveu a aliança como um mecanismo de defesa coletiva segundo o qual um ataque a um membro seria considerado um ataque a todos.Mas ele não quis se pronunciar sobre se tropas paquistanesas estariam envolvidas em quaisquer operações além da fronteira no Iêmen.“Sempre que há um conflito militar, nenhum país participante começa a divulgar como e onde vai empregar suas forças”, disse ele, acrescentando que qualquer envolvimento seria “de natureza defensiva”.“O objetivo desta aliança não é começar a rotular inimigos, inimigos, inimigos, amigos, amigos, amigos. O objetivo é a defesa do Reino da Arábia Saudita… Isso será feito”, disse Chaudhry.Em uma declaração conjunta após uma reunião de emergência em Riad na segunda-feira, os três países afirmaram que agiriam imediatamente para implementar os compromissos de defesa coletiva e garantir o rápido desdobramento de forças militares e capacidades na Arábia Saudita.Chaudhry disse que o acordo de segurança coletiva também atuaria como um fator de dissuasão.“Qualquer um que tenha ideias engraçadas contra outro esperamos que pense duas, três ou várias vezes antes de fazê-lo. Isso impede que algo terrível aconteça.”Vir em defesa da Arábia Saudita é, no entanto, um cálculo complexo para o Paquistão, que desempenhou um papel fundamental na mediação entre o Irã — seu vizinho e apoiador dos houthis — e os EUA, desde que os EUA e Israel iniciaram sua guerra com o Irã.Em 2015, o Parlamento do Paquistão votou contra o envio de tropas para auxiliar a Arábia Saudita em uma rodada anterior de combates contra os houthis no Iêmen.Chaudhry disse que o Paquistão ainda estava pressionando por um acordo para encerrar a guerra entre os EUA e o Irã.“Fizemos, estamos fazendo e continuaremos a fazer tudo o que for possível e necessário para que as diferenças e as lacunas se reduzam e haja um desfecho negociado e pacífico. Queremos que este conflito não se expanda.”Entenda impactos do bloqueio dos Houthis à Arábia Saudita no Mar Vermelho