Lula e Flávio deveriam ou não participar dos próximos debates?

Wait 5 sec.

As urnas da votação do primeiro turno das eleições presidenciais foram abertas e apuradas. Flávio venceu por uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos. Agora saem de cena os outros candidatos e ficam apenas os dois primeiros colocados. É uma nova eleição, com outra campanha e diferentes acertos de rumo.Essa diferença de pouco menos de 2 pontos percentuais a favor de Flávio é importante para as suas pretensões, mas não lhe garante certeza de vitória. Historicamente, quem chega na frente no primeiro turno acaba vencendo as eleições. A experiência, todavia, mostra que, de vez em quando, as regras podem ser quebradas. Por isso, provavelmente, Flávio está botando as barbas de molho.A vantagem de começar na frenteO candidato do PL (Partido Liberal) entra no segundo turno com a vantagem que conquistou no final do primeiro. Terminar uma campanha e começar outra na dianteira é um bom sinal político. A adesão dos outros partidos tem sido massiva a seu favor. Mais um alívio para tentar chegar ao Palácio do Planalto.A decisão dos eleitores, entretanto, não se sustenta apenas nessas variáveis. Há outras que precisam ser consideradas para um e outro lado. Vai depender muito, por exemplo, dos escândalos em andamento. O caso do Banco Master e a roubalheira contra aposentados do INSS continuam a assombrar. Seus desdobramentos podem influenciar principalmente aqueles que não votaram ou que votaram em outros candidatos e agora estão em dúvida.Os debates entram na equaçãoUm dos fatores que devem embaralhar essa disputa são os debates programados pelos principais órgãos de imprensa, como Record, Band/Estadão e Globo. Afinal, Flávio e Lula devem ou não comparecer a esses confrontos? Se um candidato estivesse muito à frente do outro, como já aconteceu em eleições passadas, a tendência seria a de não comparecer, pois, para quem lidera com boa margem, os riscos da participação seriam maiores que os da ausência.Uma palavra mal colocada ou frase enviesada poderia pôr a perder pontos importantes na intenção de voto. E o nervosismo natural nesses episódios, até para quem tem muita experiência, costuma prejudicar o raciocínio e fazer com que a boca trabalhe mais rápido que o pensamento. Não é o caso. Com uma diferença tão apertada, nenhum dos dois pode correr o risco de ficar marcado como fujão.O veterano e o aprendiz de debateEmbora Lula tenha a vantagem da experiência, pois já debateu desde 1989 com pesos-pesados da política: Collor, Fernando Henrique, Serra, Alckmin e Jair Bolsonaro, seu desempenho nunca foi muito bom. Não foi bem contra Collor. Perdeu feio para Alckmin. Não levou a melhor contra Bolsonaro.Quando debateu com Bolsonaro, escrevi um texto irônico dizendo que ele deveria terceirizar essa incumbência para Alckmin, esse sim, sem dúvida o melhor debatedor político do país. Quem não gosta da ideologia ou das preferências partidárias dele talvez não concorde, mas o “picolé de chuchu” é imbatível nessas brigas. Possui memória invejável. Consegue se lembrar de dados, cifras, números com facilidade impressionante. Sua linha de raciocínio é lógica e muito bem concatenada. Tem resposta para todas as questões, como se fosse um computador.Só o deboche não sustentaLula se perde na argumentação, não responde com firmeza às acusações que recebe, recorre quase o tempo todo à ironia e ao deboche para se livrar dos ataques que lhe são dirigidos. Mesmo com boa quilometragem de microfone, demonstra nervosismo, esfregando constantemente as mãos. Se participar, pode sobreviver, mas sofrerá bastante.Flávio é um juninho em debates. Zero experiência em debate presidencial. Em 2016, quando disputou a Prefeitura do Rio, passou mal num debate da Band. Foi amadurecendo um pouco nas entrevistas e nos comícios que fez ao longo da campanha, mas, para enfrentar um macaco velho como Lula, correrá o risco de ser massacrado. Mas Lula não é fraco em debates? Sim, mas para bater num inexperiente nesse palco dará bem para o gasto.Parece que vão, mesmo sem muita vontadeOs dois confirmaram presença nos enfrentamentos programados, mas ainda pairam no ar algumas interrogações. Com certeza, as assessorias estão levando em consideração esses prós e contras. Do jeito que a disputa caminha, uma fuga do debate agora poderia ser fatal para qualquer um dos dois. Por isso, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.Os dois, nesse frente a frente, poderão discutir suas propostas de governo e apontar as soluções que possuem para resolver os graves problemas do país. Vai haver ofensas e xingamentos de todos os lados. Mas não poderão ficar só nesse bate-boca. Alguma proposta concreta para que os eleitores possam avaliar deve sair.Tomara que compareçam e quebrem o pau à vontade, pois quem ganhará com isso serão a democracia e os eleitores, que poderão conhecer melhor os candidatos. E, assim, decidir com mais convicção quem deve governar o país.Siga pelo Instagram: @polito