Direto de São Roque (SP) para San Isidro, na Argentina. O único Hofstetter Turbo automático, fabricado em 1986, acaba de fazer história na AutoClásica, prestigiado evento de carros antigos que encerra sua edição 2026 neste dia 12 de outubro. O esportivo, pertencente ao acervo do museu paulista Dream Car, tornou-se o primeiro automóvel de projeto nacional a ser premiado em um concurso internacional dessa magnitude.–Felipe Bitu/Quatro RodasPara compor a mostra argentina, o museu também enviou uma unidade do Concorde. Com 5,20 m de comprimento e motor V8 4.9 dos Ford Galaxie/Landau, o modelo tem design inspirado nos clássicos dos anos 1930. A unidade em exposição tem chassi número 008 — ano 1979 —, de um restrito lote de 25 exemplares produzidos artesanalmente no interior de São Paulo, entre 1976 e 1985.O grande protagonista da premiação na Argentina, no entanto, é o Hofstetter Turbo. O “Lamborghini brasileiro” recebeu um prêmio especial, como forma de a organização prestigiar a participação de brasileiros na AutoClásica.–Felipe Bitu/Quatro Rodas Continua após a publicidadeA silhueta em forma de cunha e as portas asa de gaivota começaram a tomar forma no Natal de 1973, quando Mário Richard Hofstetter, então com 16 anos, decidiu desenhar seu próprio carro. O adolescente foi impactado pelas linhas do conceito Alfa Romeo Carabo, desenhado pelo italiano Marcello Gandini, e misturou referências do Maserati Boomerang e do BMW E25 Turbo. O projeto tomou forma na garagem de sua casa, onde ele mesmo construiu o primeiro molde da carroceria em fibra de vidro usando compensados de madeira comprados após a venda de um kart.–Fernando Pires/Quatro RodasFoi necessário ter criatividade para tirar o carro do papel. O chassi tubular próprio, do tipo espinha dorsal, agregava motor, câmbio, subchassi e suspensão traseira do Volkswagen Passat, enquanto a caixa de direção e os freios dianteiros vinham do Chevrolet Chevette. Continua após a publicidadeOs bastidores da chegada da Fiat ao Brasil, há 50 anosMotor AP turbo e câmbio automáticoA unidade premiada na AutoClásica carrega uma peculiaridade histórica: é o único exemplar dos 18 fabricados a sair de fábrica com câmbio automático. O arranjo mecânico padrão, que estreou no Salão de 1984, utilizava caixa manual de quatro marchas ligada ao motor Volkswagen AP 1.8 movido a álcool.Volante oval e bancos tinham desenho próprio, e o painel digital era fornecido pela PPAFernando Pires/Quatro Rodas Continua após a publicidadeCom a adoção de um turbocompressor, o conjunto original rendia 140 cv e 21 kgfm. Os números garantiam uma aceleração de 0 a 100 km/h em 9,3 s e velocidade máxima de 196 km/h. Mais tarde, em 1987, a fabricante evoluiu a mecânica para um motor 2.0 turbo capaz de gerar 210 cv, permitindo ao esportivo superar os 200 km/h.As exclusivas rodas de liga leve eram fabricadas pela ScorroFernando Pires/Quatro RodasApesar da ousadia técnica — que incluía painel digital fornecido pela PPA e volante oval —, o projeto não resistiu à abertura do mercado brasileiro no início dos anos 1990. Os consumidores de alto padrão migraram para os superesportivos importados, e a produção da Hofstetter foi encerrada definitivamente em 1992. Continua após a publicidadeMotor Volkswagen AP 2.0 com turbo: 210 cvFernando Pires/Quatro RodasApós a exposição na AutoClásica 2026, o Hofstetter e o Concorde retornarão ao acervo do Dream Car, onde poderão ser contemplados e fotografados pelos visitantes.–Felipe Bitu/Quatro Rodas Publicidade