Dólar fecha abaixo de R$ 5 e cai 4,44% na semana; até onde vai a queda?O dólar voltou para baixo de R$ 5, mas os especialistas ainda divergem sobre quanto espaço existe para novas quedas. Nesta sexta-feira (9), a moeda americana encerrou a sessão a R$ 4,9851, baixa de 0,78%, após atingir a mínima de R$ 4,9766 no início da tarde.Na primeira semana após o primeiro turno das eleições, a divisa acumulou queda de 4,44%. O real teve o melhor desempenho entre as moedas no período e, nesta sexta-feira, ficou atrás apenas do peso colombiano entre as divisas mais líquidas. No ano, o dólar recua 9,18%.O movimento ocorreu em meio ao apetite por risco no exterior e à repercussão das pesquisas Datafolha e AtlasIntel/Bloomberg, que mostraram Flávio Bolsonaro à frente de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. Segundo os especialistas ouvidos, os investidores associam uma possível mudança de governo à expectativa de alteração da política fiscal, que envolve as decisões sobre receitas, gastos e endividamento público.Dólar a R$ 4,70? O plano econômico pesa nessa contaRicardo Chiumento, head da Tesouraria do BS2, atribui a retomada da queda às pesquisas eleitorais, após dias de realização de lucros, quando investidores desfazem posições para aproveitar ganhos anteriores.“Depois de uma realização de lucros nos últimos dias, o dólar voltou a cair abaixo de R$ 5,00 com as pesquisas eleitorais. Existe a esperança de uma reformulação completa da política fiscal e econômica”, afirma.O executivo, porém, condiciona uma queda mais intensa à apresentação das propostas: “Se o dólar vai continuar caindo e ir para R$ 4,70 depende do plano econômico, que ainda não foi apresentado. O candidato Flávio chega ao segundo turno sem equipe formada.”Por que os juros podem limitar novas quedas?Marco Mecchi, diretor de investimentos da Azimut Brasil, chama atenção para a redução da diferença entre os juros reais brasileiros e americanos. Os juros reais consideram o efeito da inflação sobre a remuneração.Segundo ele, enquanto essa taxa sobe nos Estados Unidos, recua no Brasil. Isso reduz o atrativo de estratégias conhecidas como carry, que buscam aproveitar a diferença de juros entre mercados.“O real pode até se apreciar um pouco no curto prazo, com o dólar batendo em R$ 4,90, mas o grande movimento já ocorreu”, afirma Mecchi.Já Mark McCormick, estrategista-chefe de câmbio da BMO Capital Markets, considera a valorização do real após o primeiro turno rápida e forte demais. Ele vê a cotação retornando a R$ 5,10 antes do fim do ano, com a perspectiva de nova alta dos juros americanos limitando o fôlego da moeda brasileira.Ao explicar sua cautela com novas quedas do dólar, McCormick afirma: “O resultado das eleições não é um plano fiscal. Bolsonaro conta com uma coligação maior do que a esperada, mas o corte de gastos esbarra em indexação constitucional, transferências asseguradas e pouca margem para reduzir despesas discricionárias”.Com Estadão Conteúdo